Início em pé de guerra

Marcelo Miranda, Sandoval Cardoso, Joaquim Rocha, Carlos Potengi e Ataídes Oliveira já estão à caça dos votos, ainda de forma tímida, talvez em função da ameaça de judicialização da campanha que atinge todos e que pode virar pesadelo para alguns

Ruy Bucar

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A campanha eleitoral no Tocantins promete ser disputada, truncada e vazia de conteúdo programático, ou seja, de propostas plausíveis que podem mudar a vida do cidadão comum, o que realmente interessa aos eleitores. Pelo menos é a previsão de candidatos e analistas políticos que acompanham o processo eleitoral e que vêm notando uma tendência exacerbada de radicalização do debate em detrimento da apresentação de propostas.

O jogo pesado do vale tudo que se verificou no período da pré-campanha com pequenos golpes, cooptação de partidos e lideranças e gastos excessivos confirma as previsões pessimistas. A festa de convenção da coligação governista, que segundo líderes da oposição não ficou por menos de R$ 3 milhões e teve que ser interrompida por ordem da Justiça Eleitoral, por contrariar a legislação, conforme denúncia do PV, revela dois aspectos graves para início de conversa: abuso de poder econômico e a tentativa de burlar a legislação.

A judicialização da campanha que nada mais é do que a tentativa de eliminar concorrentes no “tapetão” por meio de impugnação de candidaturas, ameaça que paira sobre todos os candidatos, em especial os de oposição, é mais um dado negativo que compromete o próprio sentido de democracia que a eleição pressupõe. A campanha terá 341 candidatos, sendo 5 a governador, 5 igualmente a vice, 5 a senador, 52 a deputado federal e 274 a deputado estadual. Ao todo 30 partidos com registro junto ao TRE estão envolvidos na disputa, que tem previsão de gasto de mais de R$ 100 milhões.

Dois fatos aparentemente sem nenhuma ligação com as eleições — a renúncia do ex-governador Siqueira Campos (PSDB) e a intervenção no PMDB – revelam que a guerra já começou e pode descambar para um nível indesejável. Siqueira renunciou junto com o seu vice João Oliveira (DEM), provocando eleição indireta, decisão que foi vista como manobra para retocar a imagem desgastada do governo, e ainda não foi inteiramente compreendida.
Já a intervenção no PMDB para garantir o cumprimento de acordo que previa as candidaturas do ex-governador Marcelo Miranda ao governo e da senadora Kátia Abreu à reeleição e que vinha sendo negada pela direção regional do partido foi recebida como uma medida de força, mas necessária para resgatar o partido que foi envolvido no jogo do poder tão violento quanto absurdo, que só o siqueirismo em situação de desespero é capaz.

Se não fosse a filiação da senadora Kátia Abreu ao PMDB, que teve o aval da presidente Dilma Rousseff (PT), talvez não tivesse sido possível resgatar o partido da teia do siqueirismo. Para alguns analistas a interferência da senadora frustrou o plano do governo de eliminar a candidatura de Marcelo Miranda, no nascedouro, no âmbito do partido, e que apareceria para a opinião pública como um problema de divergência do PMDB e não ingerência do Palácio Araguaia. Mas o plano falhou e foi possível identificar quem estava por trás de toda da operação de entreguismo do PMDB.

Eleitor terá cinco opções

Pelo que se pôde apurar o plano do siqueirismo de controlar o cenário político com influência e interferência em todos os grupos políticos locais, e assim beneficiar o seu filho Eduardo Siqueira Campos, que desejava disputar as eleições com concorrentes inexpressivos, falhou. A primeira vitória é do eleitor, que vai poder escolher entre cinco opções e não apenas aceitar a única, como queria o siqueirismo.A opção compreende uma coligação do governo, três de oposição e uma independente, que se autodefine como ideológica, apenas.

A coligação do governo é encabeçada pelo governador indireto Sandoval Cardoso (Soli­dariedade), tendo na vice o deputado federal Ângelo Agnolin (PDT) e candidato ao Senado o também deputado federal Eduardo Gomes (Solidariedade). Denominada “A mudança que a gente vê” é a maior e mais complexa, mas também a mais difícil de ser administrada.
Reúne 17 partidos (SD, PSDB, PTB, PDT, DEM, PPS, PSB, PRB, PP, PR, PTC, PEN, PHS, PSL, PRTB, PRP e PSC) de diferentes vertentes ideológicas, de direita, de esquerda e de centro, o maior número de candidatos, o que já vem provocando dissidências. A coligação tem 129 candidatos a deputado estadual, 24 a deputado federal, e previsão de gastar R$ 35 milhões.

A coligação “Experiência faz a mudança”, encabeçada pelo ex-governador Marcelo Miranda (PMDB), com o deputado Marcelo Lelis (PV) na vice e a senadora Kátia Abreu (PMDB) candidata à reeleição, é a segunda maior em número de partidos, quatro: PMDB, PT, PV e PSD. Essa chapa é a primeira na aceitação popular. Marcelo Miranda lidera as pesquisas de intenção de voto com mais de 50% das intenções. A coligação conta com 96 candidatos a deputado estadual e pelo menos 11 a deputado federal. A previsão é de gastar R$ 45 milhões.
A coligação “Reage Tocantins”, encabeçada pelo senador Ataídes Oliveira (Pros), com Cíntia Ribeiro (PTN) na vice e o deputado estadual Sargento Aragão (Pros) candidato ao Senado, é a terceira via no Tocantins, mas não aceita esta classificação por se considerar a verdadeira oposição, segundo seu líder maior. A chapa reúne sete partidos (Pros, PTN, PCdoB, PMN, PPL, PSDC e PTdoB), tem 35 candidatos a deputado estadual e 10 a federal, e prevê gasto de R$ 24 milhões.

A chapa do PSol, encabeçada pelo médico Joaquim Rocha, também se declara de oposição propositiva que quer, por meio do debate de ideias, mostrar que o Tocantins pode avançar. A chapa é composta pelo vice Derisvan Bezerra da Silva e o professor Élvio Quirino como candidato ao Senado. A chapa estima gastar R$ 6 milhões na campanha.

Denominada de “Pelo Poder Popular”, a chapa do Partido Comunista Brasileiro (PCB) tem apenas seis candidatos nas chapas majoritária e proporcional. São os três da majoritária Carlos Potengi, candidato ao governo, Ivanilde Gomes, na vice e Ceiça Oliveira disputando a cadeira do Senado. O PCB ainda conta com um candidato a deputado federal e dois a deputado estadual. A previsão de gasto é de R$ 100 mil.

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