“Governo estadual agiu certo ao não aumentar a carga tributária aos microempresários”

Presidente da Acipa e da Faciet afirma que Palmas tornou-se o mais pujante e promissor centro de comércio do Tocantins e vem crescendo a cada dia

Na Boca do Povo/Divulgação

Fabiano Ro­ber­to Matos do Vale Filho, po­pularmente co­nhecido como Fabiano Pa­rafusos, é empresário na capital, graduado em administração de empresas pela Faculdade Ob­jetivo de Palmas, com pós-graduação em MBA, gestão empresarial, pela Fundação Getúlio Var­gas (FGV).

Foi eleito presidente da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa) em 2011 e reeleito em 2015, com mandato que se encerra no final de 2018 —é, simultaneamente, presidente da Federação das Asso­ci­ações Comerciais e Industriais do Estado do Tocantins (Faciet). Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção, Fabiano expõe sobre o exercício da presidência da entidade classista, avanços políticos e econômicos, além de falar sobre a data comercial mais importante do ano: o Natal.

Na condição de presidente da Acipa, o sr. já vislumbra o comércio da capital como centro de referência do Estado ou Araguaína ainda ocupa essa posição?
Considerando o Norte do país, sem dúvida Palmas é uma referência de peso. Vejo como o mais pujante e promissor comércio do Tocantins. Vem crescendo a cada dia, mês a mês, ano a ano. O empresariado já criou confiança e tem promovido investimentos na cidade. Até mesmo grandes grupos, de porte nacional, têm aportado em nossa cidade, gerando emprego e renda. O comércio local é bem visto por empresários que visitam a cidade com a intenção de promover investimentos, destacando-se o segmento de prestação de serviços, como por exemplo, voos diários para várias capitais do país, transporte ferroviário de cargas, clínicas médicas e odontológicas referenciais, universidades públicas e privadas de excelente qualidade de ensino, etc.

Em relação à Araguaína, é uma cidade polo, sem dúvida. Exerce liderança e influência em alguns segmentos do mercado, como também sobre as comunidades das cidades circunvizinhas, bem como em relação à população que reside no Sul dos Estados do Pará e Maranhão.

Após as gestões dos seus vices-presidentes Kariello Coelho e Thiago Rosa, o sr. retomou a presidência da Acipa em novembro deste ano para finalizar, em dezembro de 2018, o mandato para o qual foi eleito. Em quais circunstâncias o sr. reassumiu a gestão da entidade?
Fui reeleito presidente da Acipa em 2015 e tinha em mente operacionalizar um revezamento entre os vice-presidentes eleitos de forma tal que os empresários, os verdadeiros donos da Associação, pudessem participar ativamente dos atos de gestão, como também dividir as tarefas do associativismo entre os membros da chapa. Essa foi uma estratégia para tornar a Acipa mais forte e unida.

Em 2016, o Kariello fez um excelente trabalho, contribuindo para o crescimento da instituição. Ao ensejo, nas eleições daquele ano, reunimos todos os candidatos a prefeito de Palmas e promovemos debates públicos com eles, que receberam nossas reivindicações, que visavam, naturalmente, fomentar o comércio local. Tivemos a grata satisfação de termos sido atendidos pela gestão do prefeito Amastha, o vencedor do pleito, que convidou nosso então presidente Kariello, para assumir a Secretaria Municipal de Desen­volvimento Econômico.

Já em 2017, Thiago Rosa assumiu a gestão, também fazendo um trabalho impecável, empreendendo, com sucesso, a Fenepalmas deste ano. Em razão de interesses particulares, ele solicitou que outro vice-presidente ou o próprio presidente reassumisse a As­sociação em 2018.

E quanto aos boatos de que o sr. reassumiu a Associação porque as contas de 2017 não fechavam?
Absolutamente não procede. Não há nada que desabone a pessoa do ex-presidente Thiago Rosa e eu reassumi porque ele não quis continuar à frente da Associação, em razão de interesses particulares.

Na condição de presidente da Faciet, o sr. se reuniu, recentemente, com governador Marcelo Miranda e o secretário estadual da Fazenda, para tratativas acerca da manutenção do desconto de 75% na complementação de alíquota do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias, Bens e Serviços (ICMS) para microempreendedores. Quais foram os avanços?
Vi o encontro de forma muita positiva. O governador Marcelo Miranda se sensibilizou, uma vez que a mudança da regra atingiria 94% das empresas do Estado do Tocantins, que são micro e pequenas empresas. Se o tributo fosse majorado, oneraria muito esses empresários e traria sérias consequências no crescimento das empresas e na geração de emprego e renda. Contudo, para o governo estadual, esse aumento não representaria nem 1% no total do ICMS arrecado durante todo o ano, ou seja, seria quase ínfimo.

Não estava sozinho nessa luta, uma vez que 16 presidentes de Associações Comerciais estavam presentes na reunião, além de representantes da Fecomércio, e conseguimos sensibilizar o governador, demonstrando que não era o momento de aumentar a carga tributária e sobrecarregar os microempresários locais, que já sofrem muito com a concorrência das lojas online que vendem pela internet.

Um número que impressiona são os mais de 16 mil microempreendedores individuais (MEI) em Palmas, atuando em 298 categorias diferentes de atividade, que acabam por injetar cerca de R$ 984 milhões por ano, na economia local. Como a Acipa vê esses números grandiosos, fruto da coalização de vários “pequenos”?
Realmente salta aos olhos tais números, mas convém ressaltar que muitos deles estão inscritos, mas encontram-se inativos. Aqueles que continuam no mercado têm gerado emprego e renda e fomentado a economia local. A Acipa defende esses microempresários e os incentiva a se associarem, pois só assim podemos lutar por suas demandas e oferecer outras conquistas.

Quais são as perspectivas comerciais da Acipa para as festividades de final de ano?
Mantemos uma parceria afinada com o Clube de Diretores Lojistas (CDL). Em que pese as particularidades de cada instituição, há uma participação mútua, de forma tal que estamos sempre envolvidos nas campanhas promocionais deles, assim como eles das nossas. O Natalzão CDL é um sucesso absoluto e estamos juntos nessa promoção visando incentivar o comércio neste final de ano, porque nosso lema é: “unidos somos mais fortes!”

Ajudei a angariar recursos junto ao governo estadual e à Prefeitura de Palmas para fomentar a promoção natalina promovida por eles, porque é de crucial importância incentivar os empresários e consumidores nesta época, que é a data mais importante para o comércio.
O pagamento do 13º salário por parte dos órgãos públicos promove uma injeção de ânimo na economia local, porque as pessoas, naturalmente, consomem mais e gastam mais nesta época do ano.

Em que pese a Prefeitura de Palmas ter enfeitado a cidade, na tentativa de atrair turistas e, por conseqüência, consumidores, temos orientado os empresários associados a melhorarem suas fachadas, renovarem os estoques, investir em divulgação do estabelecimento e, principalmente, treinamento intensivo de seus funcionários na excelência no atendimento.
Hoje vivemos uma nova realidade: é necessário cativar e ter paciência com a clientela. O consumidor tornou-se um visionário e passou a ser mais seletivo, após o advento da internet e dos smartphones, uma vez que a tecnologia permite a consulta de preços de forma instantânea, bem como, a compra online que oferece, muitas vezes de graça, o frete até a residência do cliente. Por isso, o empresário tem que se preparar para enfrentar essa concorrência. É necessário convencer o cliente, fazer ele se encantar, enfim dizer “uau”!

Pesquisas indicavam que as pessoas iriam gastar mais neste Natal do que gastaram em 2016. O sr. acredita que esse é um sinal que a economia vem se recuperando e, por consequência, revitalizando o comércio?
Sem dúvida, 2017 foi bem melhor que 2016, economicamente falando. Mas também não é uma grande vantagem, porque aquele ano foi desastroso por diversos fatores, entre os quais o impeachment da presidente Dilma. Estamos saindo de um verdadeiro mar de lama, todavia, os números já demonstram que evoluímos.

As perspectivas para 2018 são ainda melhores, e como empresário, presidente da Acipa e da Faciet, sinto que a economia do país já apresenta sinais claros de avanços. A reforma trabalhista, por exemplo, foi de grande valia e vai ajudar muito a alavancar a economia brasileira. A possibilidade dos micro e pequenos empresários ou prestadores de serviço poderem contratar por dia, por hora, por final de semana, flexibiliza a geração de emprego. Além disso, a redução da taxa de juros também ajuda, não apenas os comerciantes, como a população como um todo. A saída da crise na qual infelizmente entramos em 2016 demanda longo prazo. Se conseguirmos retomar o crescimento econômico em 2019, poderemos nos dar por satisfeitos.

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