A força da oligarquia Abreu

Senadora filiou-se ao PMDB, mas continua absoluta no PSD, de onde saiu deixando os filhos; nas próximas eleições, mesmo não disputando cargo, ela terá peso decisivo nas composições partidárias

Kátia Abreu e seus filhos, Irajá e Iratã: uma verdadeira dinastia política no TO | Fernando Leite/Jornal Opção e Divulgação/CNA

Kátia Abreu e seus filhos, Irajá e Iratã: uma verdadeira dinastia política no TO | Fernando Leite/Jornal Opção e Divulgação/CNA

Dock Junior

O Partido Social Demo­crático (PSD) foi planejado e fundado em 2011 pelo então prefeito de São Paulo e atualmente ministro das Cidades, Gilberto Kassab. Foi concebido a partir de políticos dissidentes de vários partidos, entre os quais o DEM, o PP, o PSDB, entre outros. Os ícones deste movimento, além do próprio Kassab, foram o ex-vice governador de São Paulo Guilherme Afif Domingos, e a senadora pelo Tocantins Kátia Abreu, atualmente ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

À época, todos eles migraram para o novo partido, que já nasceu gigante. Disputou as primeiras eleições em 2012, após ter garantido pelo STF o direito à cota do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda eleitoral gratuita, condizentes com o tamanho da bancada na Câmara Federal.

Dentre os três principais fundadores, os dois primeiros ainda permanecem no partido. Já Kátia Abreu se filiou ao PMDB em 2013 – acontecimento esse que gerou, inclusive, um “racha” no diretório estadual – sigla pela qual disputou sua reeleição para o mandato de senadora, em 2014. Por uma diferença insignificante de aproximadamente 6 mil votos – num universo de 700 mil – derrotou Eduardo Gomes, candidato do SD. Kátia tomou posse como senadora e, ato contínuo, assumiu o Ministério da Agricultura no novo governo de Dilma Rousseff, cedendo sua cadeira no Senado a Donizeti Nogueira (PT).

Kátia Abreu pertence ao mesmo partido do vice-presidente da república, Michel Temer, e transita com tranquilidade pelo Palácio do Planalto.

Contudo, parece ser verdadeira a assertiva que a senadora agropecuarista saiu do PSD, entretanto, o PSD não saiu dela. O presidente do partido no Tocantins é seu filho, o deputado federal Irajá Abreu. Seu outro rebento, Iratã Abreu, é vereador em Palmas (TO) e também está filiado ao PSD. Neste caso, resta claro que a senadora também transita com tranquilidade – talvez até mesmo com poder de decisão! – no seio da sigla no Estado.

O partido elegeu em 2012 mais de 30 prefeitos no Tocantins e vários vereadores. Perdeu alguns, filiou outros, como é natural ocorrer. Na bancada da Assembleia Legislativa tem dois deputados: Toinho Andrade e Valdemar Junior, que se não falam a mesma língua sempre – como no caso da sucessão municipal em Porto Nacional – pelo menos não se engalfinham. Por enquanto.

O certo é que os rumos, o controle e o poder da sigla PSD no Estado estão concentrados nas mãos da família Abreu. Uma das recentes provas do grau de influência da oligarquia foram as nomeações de filiados tocantinenses, pela presidente da República, a cargos de segundo escalão no Estado. Agimiro Costa, ex-secretário de Ação Social de Siqueira Campos, comandará a superintendência local da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), enquanto Igo dos Santos Nascimento, tesoureiro do partido, assumirá a sucursal da Companhia Nacional de Abas­tecimento (Conab).

Por estas e por tantas outras razões, a conclusão é clara: a força do poder político de Kátia Abreu é arrebatadora. Não bastasse a robustez do poder econômico, exaltado às escâncaras, a habilidade no trânsito governamental, na condição de ministra da República, além de um mandato garantido de oito anos capaz, em último caso, de evitar tropeços e percalços inerentes à política, a senadora tocantinense, por fim, tem voz ativa nos três maiores partidos do Estado (PMDB, PSD e PT).

O PT entra no pacote como gorjeta, numa espécie de gratidão vermelha, por consentir que pela primeira vez o PT tocantinense ocupasse uma cadeira no Senado Federal, bem como por permitir que esse mesmo senador auxilie a bancada que dá sustentação para que a presidente Dilma permaneça no poder.

Os adversários que se cuidem! Kátia Abreu, mesmo sem disputar qualquer cargo, será sem sombra de dúvidas um dos nomes mais influentes em todos os aspectos, nos próximos pleitos!

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