“Fenepalmas começa agora fase de internacionalização”

Presidente da Acipa destaca evento que será realizado de 22 a 26 de agosto como oportunidade para que empresários tocantinenses transponham as barreiras
da cidade, do Estado e do país

Thiago Santiago é araguainense, radicado em Palmas há mais de 15 anos. É empresário do ramo de distribuição de produtos ópticos para os Estados do Maranhão, Pará e Tocantins. Formou-se em Administração de Empresas pela Faculdade Objetivo de Palmas e exerce a presidência da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa) desde dezembro de 2016.
Nesta entrevista ao Jornal Opção, o gestor fala sobre as perspectivas acerca da Fenepalmas, no próximo mês de agosto, e também sobre as tendências e atividades comerciais da capital do Tocantins.

Entre 22 a 26 de agosto, ocorrerá no Centro de Convenções Arnaud Rodrigues, em Palmas, a maior feira de negócios da região Norte, a Fenepalmas, com o tema Empreender sem Fronteiras. Qual a razão para escolha de tal tema?

Num primeiro momento, considerou-se a possibilidade de elevar a feira para outro nível, uma vez que as edições anteriores foram regionalizadas. Por tal razão, resolvemos expandir esses horizontes, fazendo, enquanto entidade, com que os empresários possam ser incentivados a transpor as barreiras da cidade, do Estado e até do país, levando seus produtos a outros públicos, outros consumidores.

Essa edição da Feira marca o início da internacionalização do evento, com a presença de expositores de outros países, representantes de embaixadas e câmaras de comércio exterior do Reino Unido, Japão, Panamá, Estados Unidos, China, entre outros.
Além disso, serão mais 200 estandes de empresas dos mais variados ramos do comércio e, faltando aproximadamente um mês para o evento, 90% deles já estão comercializados.

Qual é a expectativa de público durante os cinco dias de exposição?

Aproximadamente 50 mil pessoas, mesmo porque haverá ciclos de formação empresarial e workshops, nos cinco auditórios disponíveis no centro de convenções. Diante disso, conclui-se que apenas os participantes das palestras e cursos, totalizarão cerca de 20 mil pessoas. O público visitante, em média, é de 5 mil pessoas por dia. Desta forma, creio que a perspectiva de público se concretizará com tranquilidade, mesmo porque a entrada será franca e haverá, em parceria com a Abrasel, área gastronômica, que certamente também atrairá um grande público.

Chama a atenção o conceito de Smart City, que classifica Palmas como uma cidade planejada para crescer e gerar oportunidades. Qual a importância desse contexto para as conferências e os visitantes da Fenepalmas?

A essência de smart city é cidade sustentável e inclusiva. Palmas se encaixa perfeitamente neste contexto, uma vez que a própria rediscussão do Plano Diretor da cidade propicia isso. A mobilidade urbana e a otimização dos espaços são características da nossa capital. Todo esse contexto segue a mesma linha e preceitos da Associação Comercial, uma vez que no conceito smart está incluso o associativismo.

E quanto aos apoios governamentais – estadual e municipal – para o evento?

A nossa luta é para agregar todas as entidades participantes e envolvê-las no evento, contudo, as gestões públicas do Estado e do município, evidentemente, não podem ser excluídas. Sem bandeiras ou partidarismos, conseguimos agregar o governo estadual, o municipal, a Assembleia Legis­lativa, a Câmara de Verea­dores, além de prefeitos das regiões circunvizinhas. Todos eles estão engajados no projeto e dispostos a contribuir para que o evento seja um sucesso.

Quais são e até que ponto são importantes as parcerias firmadas pela Acipa com outras instituições?

A parceria mais robusta, sem dúvidas, é com o Clube de Diretores Lojistas (CDL), que incentivam e incrementam as vendas no Dia das Mães, dos Namo­rados, dos Pais, das Cri­anças e do Natal. Participamos de todos os eventos e campanhas deles, assim como eles das nossas, envolvendo e conclamando todos nossos filiados.

Também há fortes elos com o Sebrae, Fieto, Fecomércio, Abrasel, sindicatos patronais, enfim, cerca de 30 entidades parceiras. Considero que essa coalizão de forças de fundamental importância num evento como a Fenepalmas, por exemplo, porque fortalece todos os participantes e, também, o comércio, propriamente dito.

A Prefeitura da Palmas lançou recentemente o condomínio empresarial logístico e industrial de Palmas, antigo distrito industrial de Taquaralto, no qual pretende investir cerca de 11 milhões de reais em estrutura física. Qual a sua visão sobre o projeto?

Particularmente, gostei da formatação do novo condomínio industrial e avaliei o projeto como positivo e interessante. Uma excelente ideia. Entretanto, a realidade das empresas que ali já estão deve ser sopesada, uma vez que muitas delas estão ali há muitos anos e a adaptação delas deve ter um contexto diferente. Não pode haver uma generalização dos procedimentos, nestes casos, na medida em que cada caso é único.

Considerei como importante, entretanto, o fato de o poder público municipal proceder a retomada dos lotes daqueles que não quitaram as parcelas mensais e que estavam apenas especulando e esperando a valorização do imóvel. Há muitos comerciantes nesta cidade que pagam aluguel e que jamais tiveram a chance de comprar um lote de forma subsidiada no distrito industrial. Essa retomada permite o reequilíbrio.

E como avalia o “shopping a céu aberto” a ser implantado na região de Taquaralto?

Uma vez mais, a ideia do gestor municipal é excelente. Ocorre, no entanto, que há particularidades comerciais daquela região, que devem ser respeitadas. Conheci o contexto dessa formatação em outras cidades, como São Paulo (SP) e Maringá (PR), e a ideia básica é a revitalização de uma determinada avenida, adequação das fachadas e trazer uma nova dinâmica e qualificação para a excelência no atendimento.

Contudo, o fato da ideia ter partido do próprio prefeito, um comerciante e político, traz, de forma imediata, resistências por parte de alguns adversários. Isso é natural, todavia, a ideia e a iniciativa são boas, sem dúvida, e há planos de fomento e incentivos para os empresários aderirem.

A avenida Tocantins representa o principal fluxo do comércio da cidade?

Ela tem uma particularidade de fluxo intenso de pessoas e mais: uma população com costumes interioranos e rurais. Trata-se de um público mais humilde, de menor poder aquisitivo, mas que faz um grande movimento comercial, em razão da regionalização. Cha­careiros que residem nas redondezas que se abastecem naquelas lojas. Enfim, é uma região em que prevalece o apelo e o comércio popular, mas nem por isso, menos rentável para os empresários daquela região.

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