“Farei concursos para o Quadro Geral, Guarda Metropolitana, Saúde, Educação e PreviPalmas”

O deputado estadual Professor Júnior Geo conta o que motivou a se lançar candidato a prefeito de Palmas

Após obter 10.944 votos, o Professor Júnior Geo elegeu-se, em 2018, deputado estadual pelo Pros. Anteriormente, havia sido eleito vereador em Palmas em 2012 e reeleito para o cargo em 2016. Nesta entrevista, o parlamentar faz reflexões sobre sua atuação como vereador e deputado, expõe suas posições e projetos para o pleito de 2020, quando pretende se tornar prefeito de Palmas, a partir de 2021.

José Luiz Pereira Júnior é tocantinense de Porto Nacional. Graduado em Geografia pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduado em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais. É professor em diversos estabelecimentos de ensino e cursos preparatórios solidários, além de exercer cargo efetivo de professor no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFTO).

Na condição de vereador da capital, o Sr. foi eleito deputado estadual em 2018 e obteve a maior votação em Palmas, tornando-se candidato natural a prefeito da cidade. Esse é um dos motivos que o levaram para mais uma disputa?
Sou professor há 21 anos, sou tocantinense e nem sequer sonhava entrar para a política. Mas Deus sempre realinha os seus desígnios. Por não me sentir representado por nenhum dos vereadores, decidi ser candidato em 2012 e obtive êxito. Desde então, procuro fazer política de uma forma diferente, porque os políticos tradicionais – geralmente – trocam seus apoios por cargos para seus líderes. Fazendo isso, se obrigam a votar a favor de acordo com a orientação do poder executivo. Isso ocorre em todo Brasil, é uma prática rotineira. Não é exclusivo do Tocantins. 

Entretanto, sempre me posicionei de forma independente, votando favorável naquilo que eu acho que é certo. Se a orientação do Executivo estiver em consonância com meus pensamentos e propósitos, então votamos juntos. Se, por acaso, eu discordar do projeto e entender que não beneficia a população, manifesto-me desfavoravelmente. Essa foi a minha postura entre 2012 e 2018 como vereador e, a partir de 2019, adotei o mesmo ritmo como deputado estadual. 

E quanto à sua expressiva votação em Palmas na última eleição?
Cerca de 70% dos meus votos para deputado foram obtidos em Palmas e fui o primeiro colocado na cidade. Por isso, vejo grande potencial nessa minha candidatura para prefeito da capital, pois nosso grupo construiu uma base sólida para esse pleito. Sou candidato desse grupo que quer ser bem representado, com credibilidade, moral e eficácia. Acredito que preencho esses requisitos. 

Eu sonho, todos os dias, com uma cidade que possa oferecer melhor qualidade de vida. Nas extremidades, de norte a sul, a mesma sensação de segurança, por exemplo, que temos no plano diretor. Naquelas regiões há pouca infraestrutura ou equipamentos públicos e, por isso, a população sofre. Penso que é possível mudar essa realidade.

Até mesmo no centro, quadras residenciais e industriais ainda carecem de asfalto. Algumas só agora receberem o benefício, fruto de um empréstimo caro, cotado em dólar, que vai custar caro para nossos munícipes. Quando eu ainda era vereador, questionei as cláusulas desse contrato de empréstimo, para pagamento em dólar nas datas dos vencimentos, como também onde seriam investidos os recursos, porque até BRT eles queriam fazer com essas verbas. Contudo, à época, fui voto vencido. 

Por ter um comportamento um tanto arredio quanto aos conchavos políticos, os seus adversários o criticam sob a alegação que o Sr. não compõe e isso acaba travando as potenciais alianças. Qual o seu posicionamento?
Alguns candidatos a prefeito não conseguiram compor, como a candidatura do PSL e do Podemos, por exemplo. Nem a esquerda se uniu em torno de um nome. O partido Solidariedade, por exemplo, só conseguiu compor na última semana e o PSB da mesma forma. Quanto a mim, ao contrário, fiz a composição muito antes com PSC e, ainda, com pré-candidato a prefeito, o deputado federal Osires Damaso. Antes disso, conversei com todos os pré-candidatos visando composições, mas infelizmente, não fluíram. Por estas circunstâncias, essa crítica não prospera e não reflete a verdade. Gostaria que ficasse claro que o quê dificultou as composições foram os projetos pessoais de cada um ou compromissos políticos vindouros e não por intransigências da minha parte. 

Ainda falando de eleição, qual a sua perspectiva para a eleição de vereadores e como seria sua relação com o parlamento?
Fiz ótimas relações com os atuais vereadores e penso que alguns deles vão se reeleger. Acredito que haverá, por questão matemática, uma grande renovação. Por isso, é necessário mais do que nunca haver respeito entre executivo e legislativo, o quê, diga-se de passagem, eu sempre busquei. A boa relação entre o poder executivo e o parlamento é algo que o novo prefeito terá ter por primazia. Uma vez eleito, pretendo estreitar ainda mais esse relacionamento, pontuando que o mais necessário e importante é a parceria entre os poderes. 

Falando em planos de governo, quais são as diretrizes da sua gestão, caso eleito?
Construção de um hospital municipal na região sul de Palmas; instalação de um campus da IFTO também na região sul, podendo até mesmo, ceder ou doar as instalações do CAIC, que atualmente está abandonado e já foi referência nacional; remanejamento e inserção de assistentes sociais, psicólogos, fonoaudiólogos do quadro geral do município para a educação para acompanhar o rendimento e desenvolvimento dos alunos; revitalização da Avenida Tocantins em Taquaralto, adequando de forma tal que atenda os comerciantes; videomonitoramento em pontos estratégicos da cidade, visando aumentar a segurança das pessoas, como também contribuir para implantação da “cidade inteligente”. Isso faz com que o cidadão deixe ser apenas representativo para se tornar participativo; firmar parcerias e convênios com instituições de ensino superior em engenharia e CREA, para que os professores e estudantes façam análises, estudos e fiscalizações das obras existentes, como também daquelas que estão sendo construídas, funcionando como estágio. Isso se aplica também às faculdades de medicina em relação ao hospital municipal e UPAS. 

A Prefeitura de Palmas não falha ao não ofertar sequer uma maternidade para as parturientes?
Claro que sim. Podemos fazer com que esse mesmo hospital municipal tenha uma ala destinada à maternidade ou, conforme o plano estratégico, construirmos uma maternidade ou centro de parto normal separadamente. O município deve atender a saúde básica, mas não está impedido de atuar na média complexidade, se houver condições para isso. 

Superamos a marca de trezentas mil pessoas, mas temos essa dificuldade em relação à saúde e precisamos solucionar essa questão, sair da zona de conforto e não jogar tudo na responsabilidade do Estado do Tocantins. O ente municipal não tem que “dar lucro” ele que reverter os impostos arrecadados para o bem-estar da população, essa deve ser a obrigação e o compromisso de bom gestor. Digo, ainda, que os recursos para construção e até para manutenção dessa unidade hospitalar, é possível obter junto ao governo federal. 

Qual é o seu pensamento sobre IPTU progressivo?
Quando ainda era vereador, fiz uma emenda na proposta do IPTU progressivo que não foi aprovado. Propus que aqueles que possuíssem apenas um imóvel em seu nome – e se esse imóvel não tivesse edificações – não estariam sujeitos à regra do IPTU progressivo. Porque considero injusto com o cidadão que conseguiu comprar apenas aquele lote, mas ainda não conseguiu construir ou mesmo aqueles que receberam uma herança, mas também não tem condições financeiras de edificá-lo. Outros tantos, ainda estão pagando a parcela do lote. Como sacrificá-los ainda mais?

Sou a favor do IPTU progressivo para especuladores, de forma tal a diminuir os vazios urbanos existentes na cidade. Contudo, é necessário elaborar um real estudo sobre isso, como também avaliar as isenções tributárias para algumas famílias, pois posso garantir que há injustiças, neste particular. 

E quanto aos vazios urbanos propriamente ditos? O que poderia ser feito?
O valor dos imóveis em Palmas forçaram uma migração para o distrito de Luzimangues, porque ir para a região sul sacrificaria o cidadão ainda mais, em razão da distância. Temos sim, uma responsabilidade com os palmenses que moram em Luzimangues porque fugiram da tributação e alto custo de vida na capital. 

Assim, a solução é firmar convênios com o município de Porto Nacional, visando atender a região metropolitana de Palmas. É importante reorganizar o transporte urbano, por exemplo, e proporcionar essa confluência de interesses, porque Palmas também tem interesse que aquela população – que agora pertence a Porto Nacional – continue consumindo aqui. É perfeitamente possível fazer e agilizar isso, mas é necessário revermos as contrapartidas de cada um dos municípios.

Em ambos os parlamentos, Câmara de Vereadores e Assembleia Legislativa, o Sr. sempre se posicionou em favor dos servidores públicos e da ocupação dos cargos por servidores concursados. Caso seja eleito, como será a relação com os funcionários públicos, uma vez que eles estarão do outro lado exigindo seus direitos?
Os servidores públicos só “enfiam o dedo na cara” do gestor ou fazem greve quando esgotaram todas as possibilidades de negociação. Como sou totalmente aberto e defensor deles – mesmo porque sou um deles, professor concursado da IFTO – garanto que não vai faltar diálogo e busca real por soluções. 

Sei que existem progressões atrasadas no plano de carreiras. Uma vez eleito, vou elaborar estudos e planejamentos para que, ao longo do tempo, consigamos quitar essas obrigações sucumbidas. Além disso, tenho interesse em criar um plano de saúde para os servidores públicos municipais, mas um que realmente funcione e os atenda. É preciso gerir com responsabilidade para que isso seja possível.

Aliado a isso, em relação ao material humano que possuímos, é necessário que a capacitação seja permanente e que, preferencialmente, os cargos de gestão sejam ocupados por técnicos concursados. 

Também preciso ressaltar o meu interesse em realizar concursos públicos para o Quadro Geral, Guarda Metropolitana, Saúde, Educação e PreviPalmas, quer precisa de ter um quadro próprio. Afeto a isso, posso garantir que ao assumir a gestão municipal, o presidente da instituição previdenciária será exercida por um servidor concursado. 

O espaço está aberto para suas considerações finais…
Além de tudo que foi dito, pretendo colocar em execução um grande plano de arborização intensa da cidade. É possível fazer com uma parceria pública com o setor privado para que isso ocorra com efetividade. 

A mobilidade urbana também precisa de reformulação, com estudo e planejamento, podendo até mesmo, revitalizar parte do canteiro da central da avenida Teotônio Segurado para instalação de uma grande ciclovia, ligando a cidade de Norte a Sul. Ao lado faixas teremos, como já disse, árvores para que essas pessoas pedalem na sombra, como também pretendo incentivar pequenos comerciantes a se instalarem nesse trajeto, para atender esses ciclistas. 

O grande lago de Palmas e o incentivo ao turismo de uma forma geral, também é mal conduzido. Podemos ter grandes competições aquáticas, eventos de pesca esportiva, provas ciclísticas no aterro da ponte, etc, além da produção de peixes incentivando a economia criativa. Nada impede também, que façamos ressurgir o carnapalmas, manter o carnaval da fé, micaretas fora de época, como também, os grandes eventos que existiam anteriormente, como o festival de inverno de Taquaruçu na primeira semana de julho e o fortalecimento do Festival Gastronômico. Aliado a isso, vamos promover a revitalização e reorganização das trilhas na nossa serra, incentivando o turismo de aventura.  

As inovações tecnológicas e a concretização do modelo de “cidade inteligente” é plenamente possível, contudo, é preciso que as pessoas certas estejam nos lugares certos. Por isso, peço o voto do leitor, para implantar todos os projetos aqui mencionados, como vários outros de interesse da população. 

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