Eles são velhos conhecidos dos eleitores tocantinenses. Disputaram várias eleições, passaram pela Assembleia Legislativa, comandaram o Palácio Araguaia e fizeram história no Estado. Pelo que já construíram, já poderiam se dar por satisfeitos e se dedicar à função de conselheiros dos novos líderes, mas eles insistem em permanecer na vida pública, atuantes e participantes. Nestas eleições, eles vão às urnas em busca de novo mandato eletivo.

Os ex-governadores Moisés Avelino (MDB), Marcelo Miranda (MDB), Carlos Henrique Gaguim (Republicanos) e Mauro Carlesse (Agir) são a aposta de seus partidos como puxadores de voto que podem ajudar a eleger outros candidatos. Avelino e Miranda são pré-candidatos a deputado estadual. Gaguim busca conquistar o terceiro mandato consecutivo de deputado federal e Mauro Carlesse pretende disputar a cadeira do Senado.

Ex-governador Moisés Avelino | Foto: Divulgação

Moisés Avelino

No alto dos seus 82 anos, Moisés Avelino se mantém plenamente ativo e se prepara para disputar sua 10ª eleição. Ao longo de 40 anos de vida pública, foi deputado federal por dois mandatos, prefeito de Paraíso do Tocantins por três mandatos e governador. Avelino encerrou o mandato de prefeito em 2020, tendo elegido o sucessor, seu vice, Celso Morais, e já se prepara para voltar às urnas. É pré-candidato a deputado estadual.

Ex-governador Marcelo Miranda | Foto: Divulgação

Marcelo Miranda

Marcelo estreou na política em 1990, tendo sido eleito deputado pela primeira vez. Exerceu três mandatos consecutivos, em duas oportunidades assumiu a presidência da Assembleia Legislativa. Em 2002, se elegeu governador, apadrinhado pelo siqueirismo. Uma retribuição de Siqueira Campos ao trabalho de desmontagem da oposição realizado por Brito Miranda, o que garantiu governabilidade aos governos Siqueira de 1994 a 2002, considerados os mais importantes da história do Tocantins. Brito Miranda, pai de Marcelo Miranda, era o líder do PMDB e rivalizava com Siqueira Campos o controle dos votos no norte de Goiás.

Ex-governador Carlos Henrique Gaguim | Foto: Divulgação

Carlos Henrique Gaguim

Gaguim construiu uma trajetória invejável. Foi de vereador de Palmas, eleito em 1992, a governador do Estado em eleição indireta, em 2009. Foi deputado estadual por três mandados consecutivos, tendo sido eleito presidente da Assembleia Legislativa em 2007 e, nessa condição, em 2009 assumiu o governo do Estado, após a cassação do mandato de Marcelo Miranda e do vice, Paulo Sidnei, por abuso de poder econômico nas eleições. Gaguim ainda disputou a reeleição e perdeu para o ex-governador Siqueira Campos por uma diferença de pouco mais de 7 mil votos. Como estava no comando da máquina administrativa, diz-se que Gaguim perdeu a eleição para ele mesmo.

Ex-governador Mauro Carlesse | Foto: Divulgação

Mauro Carlesse

Carlesse é um empresário paulista que caiu de paraquedas na política do Tocantins. E fez uma trajetória meteórica graças ao apoio do siqueirismo, que nunca aceitou o rompimento dos Miranda. Surgiu em 2012 como candidato a prefeito de Gurupi, quando perdeu a eleição para Laurez Moreira. Em 2014, se elegeu deputado estadual e se tornou presidente da Assembleia Legislativa, numa articulação do deputado Eduardo Siqueira Campos. Nessa, condição chegou ao comando do Palácio Araguaia, após a cassação, pela segunda vez, do mandato do governador Marcelo Miranda e também de sua vice, Cláudia Lelis.

Em junho de 2018, Carlesse disputou a eleição suplementar e venceu. Em outubro do mesmo ano, venceu a eleição ordinária em segundo turno. Acabou afastado do cargo, em outubro de 2021, como seu antecessor. Agora, mais do que um mandato, Carlesse tenta obter imunidade parlamentar. Carlesse é pré-candidato ao Senado, mas não será nenhuma surpresa se rebaixar o projeto para ser candidato a deputado estadual. 

A postulação dos ex-governadores tem boa aceitação junto aos seus partidos. Na verdade, todos eles têm sido incentivados a disputar a eleição. São considerados puxadores de voto, o que contribui para aumentar a votação do partido e, com isso, a possibilidade de eleger mais deputados.

Dirigentes do MDB acreditam que Avelino e Miranda podem levar o partido a fazer a maior bancada do Parlamento estadual. Calculam que cada um pode ajudar a eleger pelo menos mais dois deputados. O fato é que todos têm chances reais de eleição – e alguns podem até alcançar votação histórica.