“Eu fui o primeiro morador de Palmas”

Deputado conta que, em seus primeiros dias na capital, teve a Assembleia como alojamento e tomou banho no Córrego Sussuapara

Ex-governador Carlos Henrique Gaguim: inspirador da estratégia siqueirista / Edilson Pelikano/ Jornal Opção

Um homem de vermelho a bordo de um helicóptero vermelho cruzando os céus de Palmas. Uma cena comum na capital, mais parece um personagem de filme. E não está distante de ser. O homem é o deputado federal e empresário Carlos Henrique Amorim, o Gaguim (União Brasil), o pioneiro mais lendário da história da construção da cidade. Conquistou um nível de realização sonhado pela maioria, mas alcançado por poucos.

Chegou a Palmas “puxando a cachorrinha”, como se diz por aqui, pilotando o seu fusquinha ano 79, e uma vontade enorme de vencer na vida. Vencer na vida para Gaguim era fazer carreira política. Duas décadas após ingressar na política, o ex-vereador já ocupava o cargo mais importante do Estado, o de governador. O gosto pela cor vermelha que revela a identidade do personagem era uma estratégia de marketing para se diferenciar. Uma forma de chamar atenção e marcar sua identidade visual.

Gaguim conta que chegou a Palmas em 1º janeiro de 1989, junto com o governador Siqueira Campos, no momento em que o canteiro de obras ganhava status de capital. Diferentemente dos gestores que tinham residência em Miracema ou Porto Nacional, ele permaneceu em Palmas, mesmo sem ter onde morar. Conta que dormia no local do trabalho, a Assembleia Legislativa, usada como alojamento e tomava banho no Córrego Sussuapara, que corta o centro da cidade.

Hoje com 61 anos, goiano de Ceres, pioneiro no Tocantins e um dos primeiros moradores de Palmas, ele se elegeu vereador na primeira eleição da capital, em 1992. Quatro anos depois, conquistou cadeira na Assembleia Legislativa onde permaneceu até 2009, quando se elege presidente da Assembleia Legislativa e, nessa condição, assume o governo após a cassação de Marcelo Miranda e de seu vice, Paulo Sidnei. Concorreu à reeleição e perdeu para o ex-governador Siqueira Campos. Em 2014, se elegeu deputado federal, reeleito em 2018. Vai tentar este ano a terceira eleição para a Câmara Federal, onde exerce a vice-liderança do governo na Casa. Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção, Gaguim fala um pouco das primeiras impressões de Palmas, conta sobre os tempos difíceis de pioneirismo e revela passagens hilárias.

Por que o sr. desistiu completamente do Republicanos depois organizar o partido e assumir o seu comando?

O Republicano com a vinda do governador (Wanderlei Barbosa) eu retornei ao União Brasil em virtude da candidatura da deputada Dorinha Seabra Rezende, pré-candidata ao Senado. Foi esse o sentido da minha volta ao UB, ficar ao lado da Dorinha, e vou ajuda-la na sua campanha.

“Eu cedi partido para o governador. O partido era meu.”

Essa mudança gerou algum tipo atrito com o governador Wanderlei Barbosa, como se comenta dos bastidores?

De maneira alguma. Eu cedi partido para o governador. O partido era meu. O presidente Márcio Pereira me perguntou se eu me importava em passar o partido ao govenador. Eu prontamente, é lógico, é o chefe do Executivo, está em boas mãos. Vão fazer deputado federal, nós vamos fazer os nossos e a gente vai trabalhar em parceria.

O União Brasil não está na base do governador. Como vai ser essa parceria?

Não tem nada decidido. Acho que tem possibilidades e a decisão é no dia dois de julho.

Como está a sua relação como o governador Wanderlei Barbosa que exonerou recentemente pessoal indicado pelo sr.?

A grande verdade é que essas indicações eram do governo passado, quando o Wanderlei era vice-governador e Mauro (Carlesse) governador. A indicação do Ruraltins (José Aníbal Rodrigues, cunhado do deputado) era indicação nossa do governo passado. Não indiquei ninguém no governo Wanderlei. Ele manteve vários companheiros da equipe que fazem parte até hoje. Então, ele me comunicou se eu importaria está dando este cargo para o deputado federal Vicentinho Júnior, eu prontamente me coloque à disposição dele fazer o que achar melhor. Deixamos o Ruraltins organizado, com maquinário, são mais de 50 tratores para a agricultura familiar, sementes, adubo, distribuição de implementos, o Ruraltins está no caminho certo. Só falta agora a complementação das políticas públicas para o pequeno produtor. Nós temos o INCRA que é a legalização das terras, o órgão é nosso, nós comandamos o INCRA, são mais de 21 mil títulos que o presidente Bolsonaro vai vim entregar no Tocantins, é trabalho nosso, junto com o governo do Estado. Então essa é a nossa parceria.

O governo Wanderlei tem trabalhado tem tentado acertar.”

Que avaliação que o sr. do governo Wanderlei Barbosa, que completa seis meses de gestão?

O governo Wanderlei tem trabalhado, tem divulgado, tem tentado acertar. Nós vamos estar dando apoio ao acerto do Tocantins. Nós queremos que o Tocantins dê certo. Queremos empresa, queremos renda, queremos que as pessoas que acreditaram no Estado possam ter qualidade de vida.

“Estou em Palmas desde 1989, fui o primeiro morador desta cidade.”

Sua origem política é Palmas. Começou a carreira como vereador da Capital. O que significa comemorar os 33 anos da cidade?

Eu fui o primeiro morador de Palmas. Eu conheço os primeiros moradores, as pessoas. Já disputei várias eleições aqui, sempre fui bem votado nesta cidade, eu devo muito a Palmas. Eu quero cada dia mais estar participando da vida de Palmas. Se tem uma pessoa que conhece Palmas esse é o Gaguim. Não tem quem foi mais em festa do que o Gaguim. Não tem quem foi mais em velório em Palmas do que o Gaguim, estão a gente conhece. Estou em Palmas desde 1989, fui o primeiro morador desta cidade.

O sr.  conseguiria lembrar de como foi sua chegada em Palmas?

Cheguei em Palmas com um fusquinha, dormia na Assembleia com colchão no chão. Aí fui morar num quartinho na antiga Vila dos Deputados. Depois eu fui morar na 72 (Vila pioneira de casas populares que foram destinadas a servidores públicos) lá ficamos oito meses sem água e sem energia. Eu tomava banho no córrego Sussuapara, então quer dizer, as pessoas não sabem desta realidade. Tem histórias, o restaurante Mosca Azul, da Sônia, tinha o Gaúcho que era grego, são histórias que vivi. Não tem quem passou mais réveillon em Palmas do que eu. Fiquei seis anos sem sair dentro de Palmas. Quando a gente ia ligar no telefone tinha uma fila enorme ali na Telebras perto da Teotônio Segurado. Os primeiros comércios, bares, as primeiras pousadas, o primeiro motel, tinha a peixaria que era um puteiro que se chamava peixaria, então assim, eu conheço a história de Palmas. A 71 que não tinha nada, as 112, 122, o Taquaruçu, que era bem pequeno, Taquaralto não tinha nada. Eu com o Claudio Bucar, com o Matheus assentando aquelas pessoas que chegavam de fora. Os bairros Aureny I, II, III, IV, a 112, as Arnos. Os primeiros projetos da feira da Vila União foram do Gaguim, o Joao do Vale, o primeiro presidente da Associação dos Moradores do Aureny I, isso em 90 a 91, quem conhece Palmas, acho que o Gaguim conhece um pouco.

O sr. imaginava alcançar o governo do Estado ao entrar para a política?

Eu sempre quis ser prefeito de Palmas e ser governo, tanto é que eu não mudei. A minha trajetória, desde quando eu cheguei aqui é a mesma. Andei de vermelho durante 18 anos, casei de vermelho, só usava vermelho, carros vermelhos, para as pessoas saberem onde o Gaguim estava. Aquele cidadão de vermelho.

O meu projeto é em 2026 ganhar o governo do Estado. Vamos acelerar o Tocantins.”

Qual é o seu projeto político no momento?

Meu projeto político no momento é ser reeleito deputado. E tenho confiança que vou conseguir. E em 2026 voltar ao comando do governo do Estado. Eu fui o melhor governador desse Estado para a Polícia Militar, para os professores, para a Defensoria Pública, para os jovens dos Pioneiros Mirins, foram 50 mil jovens que ganharam uma bicicletinha, para ensinar esses jovens a ir para a igreja, até ensinamento de educação ambiental. A cuidar de nosso ambiente. O meu projeto é em 2026 ganhar o governo do Estado. Vamos acelerar o Tocantins.

Reunião na Câmara de Palmas>: Juarez Giovaneti, Wanderlei Barbosa, Carlos Gaguim, Maria da Balsa e Eli Borges | Foto: Reprodução

Que mensagem o sr. deixa para esses 33 anos de Palmas?

Desejo a todos muita paz. Que a cidade nossa possar dar emprego, possa gerar desenvolvimento, possa trazer universidades para formar as novas gerações, dar emprego para a juventude nossa. Que os pais dessa juventude de hoje, aqueles que acreditaram em Palmas possam ter uma vida tranquila, possam ter uma velhice tranquila, é isso que eu quero. Cuidar dos nossos idosos. Eu já estou na fase do idoso. Estou com 61 já estou idoso.

3 respostas para ““Eu fui o primeiro morador de Palmas””

  1. Avatar EVARISTO FERREIRA disse:

    Interessante.

  2. Quem te viu e quem te vê…
    Gaguinho de fato “levou vantagem” em tudo, seguiu direitinho a famosa “Lei de Gerson”… Pobre Tocantins…

  3. Avatar Gisele Santos Batista disse:

    Quem te viu e quem te vê…
    Gaguinho de fato “levou vantagem” em tudo, seguiu direitinho a famosa “Lei de Gerson”…
    Pobre Tocantins…

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