“Estou firme no mesmo barco que entrei em 2012”

Vereador Major Negreiros fala dos avanços e conquistas do seu mandato, como também expõe suas perspectivas em relação às eleições de 2020

Major Negreiros, vereador de Palmas | Foto: Aline Batista / Câmara de Palmas

O vereador palmense Raimundo Rêgo de Negreiros (Major Negreiros) é maranhense de Pastos Bons, mas está radicado no Estado do Tocantins desde os tempos em que a região ainda era Norte de Goiás. Ainda em tenra idade, sua família fixou residência no Bico do Papagaio. Após a criação da nova unidade da federação, prestou concurso para soldado da Polícia Militar, tendo se mudado para a antiga capital, Miracema do Tocantins e, posteriormente, para Porto Nacional. Por fim, estabeleceu-se definitivamente na nova capital, Palmas, especificamente no distrito de Taquaruçu, onde reside há 30 anos. Constituiu família e se graduou no âmbito da corporação, chegando à patente de major.

Negreiros foi eleito vereador em Palmas em 2012, pelo PP, com 2.006 votos, tendo como base de apoio os militares e a Região Sul de Palmas. Foi eleito presidente da Câmara de Palmas para o biênio 2013/2014. Já em 2014 disputou a eleição – pela mesma sigla partidária – para deputado estadual, conseguindo angariar aproximadamente 10 mil votos. Por fim, em 2016, já no PSB, o militar foi reeleito para vereador, após obter 1.702 votos. Nesta entrevista, ele fala dos avanços e conquistas do seu mandato, como também expõe suas perspectivas em relação às eleições de 2020.

O sr. já foi presidente da Câmara Municipal de Palmas e, após sua gestão, foi reeleito no pleito subsequente. Já são sete anos de mandato, portanto. Qual avaliação faz sobre sua atuação parlamentar?
Não me sinto muito confortável para falar da minha atuação, acho que essa avaliação tem que ser feita pela sociedade. Contudo, utilizando o senso crítico, não vou fugir da pergunta. Penso que busco dar o melhor de mim para a cidade. Já criei, por exemplo, cursos preparatórios para concursos de forma gratuita e já atendemos mais de 4 mil jovens em Palmas. Muitos deles foram aprovados e isso, além de ser uma das minhas bandeiras, é um orgulho. Além disso, tenho um projeto social denominado “Esporte é Vida”, que atende mais de 100 crianças, localizado na ARSE 122 (1206 SUL), com campo gramado e estrutura, para que elas possam desenvolver atividades esportivas. Em Taquaruçu mantemos uma parceria com outro projeto, constituído de mais de 200 crianças, cujo apoio consiste em transporte, material esportivo, etc.

Em termos de infraestrutura, apresentei requerimentos e destinei emendas para revitalização de pavimentação asfáltica, quadras esportivas, campos de futebol, praças, etc. Estamos agora ampliando uma unidade de saúde em Taquaruçu para que ela se transforme num pequeno hospital para atendimentos emergenciais, primeiros socorros e procedimentos mais simples.

Fui o percussor da ideia das escolas militares de Palmas, hoje uma grande vitrine de todos os governos, tanto estaduais, quanto federal. A Escola Almirante Tamandaré, por exemplo, na 1306 SUL, a primeira e única escola de nível fundamental que a marinha mantém parceria no país, é fruto de meus esforços. Já no setor Lago Sul, temos a escola do corpo de bombeiros, que hoje é referência em termos de ensino para nossa cidade. Já na Escola Caroline Campelo, temos parceria com o Exército brasileiro, pioneira no país também, em termos de ensino fundamental. Por fim, no setor Bertaville, mantemos parceria com a Polícia Rodoviária Federal, visando educar e orientar nossas crianças. Tudo isso são bandeiras que abracei durante os meus mandatos.

Enfim, posso dizer que fui bem votado nas eleições de 2012, 2014 (deputado estadual com mais de 10 mil votos) e 2016. Sempre tive a honra de ser recebido em cada casa, gozando da confiança dos eleitores. Por ter sido reconduzido à cadeira de parlamentar no pleito de 2016, acredito que a população me deu esse respaldo e está satisfeita com o meu trabalho.

Naturalmente, o sr. é pré-candidato a reeleição…
Com toda certeza. Estou trabalhando para viabilizar a candidatura, em termos de partido político e articulações. Entretanto, no que concerne ao trabalho prestado, como já disse, não trabalho apenas na época da eleição. Luto pela população desde o meu primeiro dia de mandato, diuturnamente. Sou um vereador que apresento os requerimentos ou projetos de lei e, se for o caso, destino as emendas. Por fim, faço questão de acompanhar o andamento e execução da obra ou a aplicação dos recursos. A minha fiscalização é ininterrupta.

Muitas pessoas, por variadas razões – principalmente após o advento da internet –, divulgam fake news e, na maioria das vezes, tentam desconstruir a imagem do parlamento e seus componentes. Como o sr. lida com essas críticas e qual é a sua avaliação do parlamento palmense?
A Câmara de Palmas é muito atuante. A atividade parlamentar é intensa, da qual tenho orgulho, pela quantidade e qualidade das proposições que são protocoladas, discutidas e aprovadas. As Comissões têm os seus papéis e filtram, com muita capacidade, as matérias debatidas. Considero, portanto, um trabalho de alto nível. Dependendo da importância e relevância das matérias, inclusive, reduzimos dentro da permissão legal, os prazos de análises para que sejam colocadas em votação o mais rapidamente possível.

Quanto às fake news, elas sempre existiram. O problema é que agora a internet propaga rápido. Não vamos conseguir jamais agradar todo mundo, pois nem Jesus Cristo conseguiu. A maioria dessas notícias maldosas ou mentirosas parte de candidatos derrotados ou que querem chegar ao poder a qualquer custo. O que eu posso fazer é trabalhar, me concentrar na atuação parlamentar com dignidade e seguir o meu caminho, lembrando sempre que apenas as árvores frutíferas são cutucadas ou apedrejadas. Aquelas que nada produzem quase nunca são atacadas.

O sr. foi eleito no grupo político do ex-prefeito Carlos Amastha. No entanto, para o pleito de outubro parece um tanto quanto complicado permanecer no PSB, visto que o sr. optou por acompanhar a atual prefeita, que foi escolhida pelo próprio Amastha, que agora é adversária dele. Quais são as suas perspectivas acerca desse imbróglio?
Eu costumo dizer que sou coerente, não abandonei o barco. Eu entrei num projeto, convidado pelo próprio Amastha que comandava o tal barco. Ele estava sendo bem conduzido e eu continuei firme nele em 2016. Amastha escolheu sua subcomandante, no caso, a prefeita Cinthia Ribeiro. Ele abandou o barco e agora declara-se inimigo dela. Mas eu não fiz isso, estou no mesmo projeto, firme no mesmo barco, que entrei ainda em 2012.

Vou disputar as eleições de 2018 ao lado da prefeita Cinthia Ribeiro, pois sou fiel ao projeto. Partindo do princípio que o PSB tem outro candidato, ao abrir a janela de transferências partidárias, sairei do partido e procurarei uma sigla que esteja disposta a seguir o mesmo caminho que eu.

Considerando que o sr. acredita na possibilidade de reeleição da prefeita Cinthia Ribeiro – caso contrário não estaria neste “barco” –, o que considera como relevante para levar à vitória de vocês em outubro?
Sim, eu acredito na reeleição dela e tenho defendido a gestão nos meus discursos e debates – acalorados ou não – no parlamento ou fora dele. Mas eu também tenho opiniões e tenho pedido e recomendado que ela cumpra todas as obrigações que a prefeitura ainda tem com o funcionalismo público municipal. Desde a greve da Polícia Militar ainda na década de 2000, sou um intransigente defensor dos servidores públicos.

Acho que a valorização da força do trabalho e das pessoas é muito importante. Claro que grandes obras e benefícios para a cidade são muito importantes, mas temos que fazer o dever de casa e valorizar os nossos servidores. Funcionário público satisfeito com a gestão, geralmente presta um bom serviço, ajuda nos resultados e, por fim, beneficia a comunidade, propiciando o bem estar da população.

“Considero que este último mandato foi de excelência” | Foto: Aline Batista / Câmara de Palmas

Em que pese o sr. votar nas sessões parlamentares pelas causas da cidade como um todo, é visível que há um certo cuidado com as demandas do distrito de Taquaruçu. Qual é o legado, após sete anos de mandato, para aquela comunidade?
Sou vereador de Palmas, me preocupo naturalmente com todas as questões afetas à cidade. Na destinação de emendas, por exemplo, mais de R$ 100 mil foram alocados para revitalizar o colégio Aurélio Buarque de Holanda, no Jardim Aureny I. Tenho votos em todo Taquaralto e região dos jardins Aureny I, II e III, na região sul como um todo e destinei várias emendas para aquela região.

Contudo, como sou morador do distrito de Taquaruçu, conheço os problemas, sei das dificuldades e, por isso, tento ajudar aquela comunidade de todas as formas possíveis. O legado, sem dúvidas, é a transformação estrutural, como a reforma do ginásio de esportes, iluminação de ruas e avenidas, arquibancada e vestiários no campo de futebol, recapeamento asfáltico, anexo do posto de saúde, entre outras várias obras que beneficiam aquele povo.

Solicitei agora, durante a gestão da prefeita Cinthia Ribeiro, que transforme uma escola de Taquaruçu em militar. A Guarda Metropolitana já está elaborando o projeto e, em breve, será mais um legado para aquela gente. Por fim, considero que este último mandato foi de excelência e, sem falsa modéstia, me alegro em poder ajudar quem mais precisa.

Sem as coligações partidárias as eleições de 2020 serão muito diferentes. Quantos votos o sr. considera necessário para se eleger vereador em Palmas no próximo pleito?
Com cada partido caminhando sozinho, a disputa será mais acirrada, sem dúvidas. As duas últimas eleições demonstram que o coeficiente eleitoral gira em torno de 6 mil votos. Neste caso, o candidato que obtiver entre 1,7 mil e 3 mil votos estará no páreo. Creio que com menos 1,7 mil votos será muito difícil se eleger em 2020 em Palmas.

Levando em consideração a proximidade com a gestora, caso o sr. recebesse um convite para ser o candidato a vice-prefeito na chapa da prefeita Cinthia Ribeiro, aceitaria de pronto?
Eu ficaria muito feliz e lisonjeado, não restam dúvidas. Seria um reconhecimento do trabalho prestado durante todos esses anos. Conversaria sim e avaliaria a hipótese com muito carinho, pois poderia contribuir – ainda mais – com minha cidade. Entretanto, no momento, sem naturalmente me desqualificar, creio que há outros nomes mais qualificados e prontos para assumir essa árdua tarefa.

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