“Estou credenciado a a disputar o governo”

Prefeito de Araguaína admite dificuldades para vencer o duro pleito de outubro, diz que seu partido busca alianças e detalha avanços na gestão municipal

Dimas | Foto: divulgação

Reeleito prefeito de Araguaína em 2016, pelo PR, Ronaldo Dimas é pré-candidato ao governo do Estado do Tocantins. Nes­sa entrevista, ele expõe suas con­quistas à frente da Pre­fei­tu­ra de Araguaína, as di­fi­cul­da­des para conquistar o Pa­lá­cio Araguaia, como tam­bém, as possíveis alian­ças políticas pa­ra obter êxi­to nas eleições deste ano.

Dono de um alentado currículo político e de atuação na representatividade classista, Dimas foi deputado fe­deral entre 2003 e 2006 e um dos fundadores e o pri­mei­ro presidente do Sin­di­ca­to da Indústria da Cons­tru­ção Ci­vil do Estado do To­cantins (Sin­duscon), de 1992 a 1997. Tam­bém foi pre­sidente, por dois man­da­tos, da Federação das In­dús­­trias do Estado do To­can­­tins (Fieto), no período de 1997 a 2003, e conselheiro da Confederação Nacio­nal da Indústria (CNI).

O senador Vicentinho Alves, re­cen­­temente, lançou o seu nome co­mo pré-candidato ao governo es­­tadual, quando as conversações com outros partidos ainda estavam no estágio inicial. Qual foi o seu posicionamento? O sr. está pron­­to para esse desafio?

Considero que uma série de ações na condição de prefeito de Araguaína me credencia a disputar o cargo de governador. Contudo, também me surpreendi, inicialmente, com a atitude do senador Vi­centinho. Achei sinceramente, no começo, que ele estava me perguntando se eu aceitava, mas quando percebi, ele já havia emitido nota à imprensa, prestando-me to­do o seu apoio, na condição de pre­sidente estadual do PR.

Conversei, após alguns dias, com os vereadores da cidade, re­pre­sentantes da sociedade civil organizada, das associações comerciais, dos sindicatos rurais, além de em­pre­sários, amigos e familiares. Re­ce­bi apoio unânime. Senti que há uma junção de situações que con­­vergem em torno do meu no­me, em minha direção, enfim. É por is­so que eu resolvi aceitar a mis­são, por­que não posso fechar os olhos e ignorar esse fato. Não es­tou me van­gloriando de nada, ab­solutamente, mas acho que pos­so sim, con­tribuir com o crescimento do go­verno do Estado e im­plantar um no­vo modelo de gestão. Posso di­zer que sempre sonhei em assumir es­se cargo. Só acho – de forma mui­to positiva – que acon­teceu antes do esperado.

Em que pese o senador Vicentinho estar alinhado com o Palácio Ara­gua­ia, o lançamento de um candidato próprio causou certa estranheza no meio político. Dentre as pos­­síveis alianças para compor es­sa chapa, existem vários partidos ali­­ados interessados, evidentemente. Quais são as possíveis composição partidárias e qual é o se­gredo para competir e ganhar uma eleição que certamente será mui­to disputada?

Quero esclarecer que houve uma confusão, por parte da im­pren­sa, quando fui visitar o governador Marcelo Miranda, acompanhado do senador Vicentinho e dos deputados federais da nossa re­gião, Lázaro Botelho e Cesar Ha­lum. Não fui lá para tratar de política ou composições e sim firmar acordos para destinação de recursos para Araguaína, entre os quais uma emenda impositiva que deveria ser direcionada para investimentos em infraestrutura urbana da nossa cidade.

Respondendo seu questionamento, já disputei o governo estadual em 2006, na condição de vice na chapa encabeçada por Siqueira Campos. Lutamos contra o próprio governador Marcelo Miranda. Quando as chapas foram lançadas, es­távamos melhor posicionados nas pesquisas, contudo, Miranda dis­putava a reeleição e com o de­cor­rer do tempo, a condução da má­quina administrativa lhe beneficiou.

Essa é uma realidade, não é fácil disputar com quem está no po­der. O Gaguim, por exemplo, fi­cou pouco mais de um ano à frente do governo e deu trabalho para Si­queira Campos, em 2010. Já o San­doval, em poucos meses à frente do Palácio Araguaia, disputou vo­to a voto com Marcelo Miranda em 2014.

Nestas circunstâncias, além da máquina ser forte, não se pode deixar de reconhecer que o governador é um sujeito carismático, boa pra­ça, líder e todo mundo gosta de­le, inclusive eu, mesmo porque não tenho nada contra a pessoa de­le. A minha divergência é político-administrativa. Creio que está fal­tando a máquina rodar, mas mes­mo assim, o respeito e o considero um forte candidato.

Também não tenho nada contra a pessoa da senadora Kátia Abreu (sem partido), outra possível adversária. Temos parcerias e ela tem destinado recursos e emendas para Araguaína, quer seja na con­dição de ministra da Agri­cul­tu­ra, enquanto ocupou o cargo, quer seja como senadora da República.

Em relação aos possíveis pré-candidatos, o prefeito Carlos Amas­tha e o deputado estadual Mauro Carlesse (PHS), também os co­nheço, tenho boa relação e mantenho o diálogo aberto com todos eles. Numa campanha, é necessário le­var propostas de melhorias para a população e não fazer ataques pes­soais, o que eu acho um tanto quanto desajeitado.

Como é a sua relação com o seu vi­ce Fraudneis Fiomare, que assumirá a Prefeitura de Araguaína du­ran­te sua campanha?

Muito boa, uma vez que no primeiro mandato ele também foi meu vice. Estamos bem afinados. Ele sabe exatamente o que está ocor­rendo na gestão e se dispôs a ajudar em todos os aspectos. Acre­di­to sim que ele tem a capacidade de aplicar com sabedoria todos os re­cursos que angariamos ao longo dos últimos cinco anos.

Tirei uma licença neste mês de janeiro, que é um período mais tran­quilo, para fazer algumas articulações políticas e consolidar essa candidatura. O vice assumiu interinamente, de forma tal que ele se am­biente com o cargo e os problemas, estando totalmente pronto para assumir a gestão, a partir de abril de 2018.

É natural é que o senador Vi­cen­ti­nho, líder do seu partido, seja candidato à reeleição na sua chapa. O outro candidato ao Senado poderia ser o ex-deputado federal Edu­ar­do Gomes?

Sim, perfeitamente. É um óti­mo nome, meu amigo de longa da­ta. Contudo, há também chances de ser o Siqueira Campos, o Amas­tha e até mesmo o César Halum. O senador Vicentinho certamente vai compor um grupo forte, mas é necessário convencer os outros que o nome dele é o ideal. Não adianta ele convencer ape­nas a mim, pois não podemos co­meter o erro de impor nada a ninguém. Acredito que Vicentinho seja um bom nome, pois assumiu a liderança no Senado Federal após a morte do senador João Ribeiro. Tem sido o esteio de muitas prefeituras – cujos gestores assumiram compromisso com ele – e isso lhe servirá como credencial para emplacar seu nome nas próximas eleições.

Procedem as especulações de que o seu filho, Tiago Dimas, será lançado como candidato a deputado federal em 2018?

Ele participa da minha administração e é responsável pelo Ins­ti­tu­to de Desenvolvimento Susten­tá­vel, ligado à Secretaria do Planeja­men­to. Ele tem demonstrado vo­ca­ção e interesse em se candidatar ao cargo. Ele ainda não está filiado a nenhum partido, mas do mesmo jeito que já disse que não decido sozinho a formação da chapa ma­jo­ritária, sendo necessário avaliar a melhor composição política, a candidatura dele passa pelo crivo das per­cepções momentâneas, pesquisas qualitativas e quantitativas, além de conveniências das alianças par­tidárias. Não forço candidaturas, nem mesmo do meu filho. Nun­ca fiz isso e nunca farei. Se a pessoa ganha a eleição, foi ele que ganhou. Se perde, foi eu que perdi. Então, não opino nada. Se ele quiser entrar na política, será bem-vindo.

Na última entrevista ao Jornal Op­ção, em dezembro de 2016, o sr. acabara de ser reeleito e expôs, à época, os desafios do segundo man­­dato. Decorrido pouco mais de um ano, quais foram os avanços da sua administração à frente da Prefeitura de Araguaína?

Muita coisa mudou. Entrega­re­mos o Parque Cimba oficialmente, por­que a população começou a utilizá-lo antes mesmo da inauguração. Foram necessárias algumas desapropriações, em que pese a mo­ro­sidade da justiça. Já entregamos, também, três conjuntos habitacionais e estamos finalizando o quarto.

Em relação ao Lago Azul e a via que dá acesso a ele, entregamos à população no aniversário da cidade. O lago era propriedade privada, inclusive. A avenida Via La­go proporciona o acesso, o turismo e o lazer aos araguainenses. Além disso, a via liga os bairros da re­gi­ão sul com o centro da cidade e, também, desafoga o trânsito. Isso proporciona um pique de desenvolvimento para a cidade, não há dúvidas quanto a isso.

Há projetos para incentivar o turismo de negócios através de parcerias público-privadas. Haverá, de frente para o lago, um centro de convenções, um shopping, restaurantes, quiosques, hotéis e, também, na área pública, o centro ad­mi­nistrativo. Ao final da avenida, à esquerda, faremos ainda, um complexo esportivo, cujas parcerias já fo­ram firmadas com as Con­fe­de­ra­ções Brasileiras de Triathlon e Ca­no­agem para implantação de centros de treinamento de referência pa­ra a região norte, nestas duas modalidades. Os recursos para isso já estão alocados junto ao Minis­té­rio dos Esportes.

E quais são os investimentos nas outras áreas?

Há previsões de investimentos consideráveis, uma vez que o Banco de Desenvolvimento da América Latina pretende injetar recursos na ordem de U$ 50 milhões, faltando apenas a autorização do Senado. Além disso, as emendas impositivas totalizam R$ 50 milhões, que serão utilizados na infraestrutura física da cidade.

O projeto de esgotamento sanitário, denominado saneamento integrado, envolve a canalização de córregos, revitalização de nascentes, além da construção da rede de tratamento de esgoto e outros parques urbanos.

Inobstante a isso, estamos também concluindo a ampliação do Hospital Municipal, através de recursos do Ministério da Saúde, o recapeamento asfáltico em vários bairros, o que resulta, evidentemente, em vários investimentos na cidade.

No que concerne ao aeroporto da cidade, se a princípio não parece ser um problema da administração municipal, suas deficiências trazem sérios transtornos para a população da cidade. Qual a sua visão acerca do tema e como resolver tais problemas?

Assim como a rodoviária, que reformei e adequei sem permitir que ela parasse de funcionar, o aeroporto é a porta de entrada da cidade. Há cinco anos eu luto para conseguir adequá-lo às normas internacionais de aviação. Foi lançado o programa do governo federal para apoiar a aviação regional, contudo, o processo de readequação foi muito lento. Hoje, nós cumprimos todas as etapas, como o projeto básico e nesse momento, está no último passo, uma vez que o processo está sendo analisado pelo Ministério dos Transportes.

Após isso, assinaremos o convênio e serão investidos cerca de R$ 50 milhões na infraestrutura e equipamentos, adequando-o às exigências da aviação internacional. O cronograma já está pronto e autorizado e homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Estamos, também, trabalhando há mais de seis meses nos estudos de viabilidade para atrair as empresas para operar no aeroporto. Fizemos contatos junto ao governo do Estado do Tocantins, através da Secretaria da Fazenda, de forma tal que fosse oferecido des­conto, de 15% para 3% no ICMS pago no combustível, para as empresas aéreas, desde que elas operem em mais de um aeroporto em nosso território. O governador aceitou e isso fortalecerá a aviação regional e vai alavancar, de vez, o aeroporto da nossa cidade.

Na aprovação do empréstimo de R$ 500 milhões na Assembleia Legis­lativa, houve uma certa polêmica, quando certo trecho de pa­vi­mentação asfáltica foi retirado do projeto, prejudicando sua cidade. Como essa situação foi contornada?

O governo do Estado tinha projetado para o trecho que liga o Distrito de Novo Horizonte até Ara­guaína, além da duplicação da rodovia, duas avenidas marginais pa­ra atender a parte comercial daquelas comunidades, que inclui o bairro Barra da Grota. Em que pese essas vias comerciais serem ideais, a verba foi destinada apenas pa­ra a construção e duplicação da via.

Com o tempo, haverá o microparcelamento da área reservada para a marginal, por parte dos proprietários, e essas marginais acabarão por ser construídas pelos próprios empreendedores. Já existem algumas indústrias no local, que necessitam escoar a produção, co­mo é o caso da Geomex, uma ex­por­tadora da matéria-prima da ge­la­tina.

Há também um intenso trânsito e comércio de gado, advindo do Es­tado do Pará e oeste do próprio Tocantins, que passa por esta es­tra­da, com destino aos frigoríficos de Araguaína, que hoje totalizam cin­­co unidades. Portanto, nossa cidade é um grande polo comercial do Estado do Tocantins e se tornou referência para a região e, por is­so, a urgente necessidade de pavimentar e duplicar o trecho.

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