“Esta eleição será uma das mais difíceis do Tocantins e marcará um novo recomeço”

Prefeito de Pium prevê uma disputa acirrada entre candidatos muito equilibrados e que podem levar a decisão para o 2º turno

Valdemir Barros, prefeito de Pium: “Falei a Wanderlei que com ele o Estado voltava às suas raízes” | Foto: Ruy Bucar

O prefeito de Pium, Valdemir Oliveira Barros (PSD), observa que, há uns 15 anos, o Tocantins parou de crescer. Segundo ele, isso se deu como resultado da baixa capacidade de investimento e que chegou a hora de retomar o ritmo dos primeiros anos. “Nós temos que procurar nossas aspirações. Não ser só produtor de produtos primários na área de commodities, mas começar com seriedade a industrializar o Estado. É por aí que temos que nos desenvolver. A pecuária está crescendo muito e vai continuar crescendo, chegando ao momento de produzir 15 milhões de toneladas de grãos para vender para o mundo, mas aí precisamos processar estes produtos aqui”, defende.

O prefeito, que acabou de trocar o PSDB pelo PSD, prevê que as eleições 2022 serão das mais disputadas da história do Estado, com candidatos muito equilibrados e que podem levar a decisão para o segundo turno. “Vai ser muito difícil se resolver no primeiro turno, porque os candidatos têm um equilíbrio muito grande, então é a nossa vez de dar os avanços que nós precisamos”, aponta o prefeito, certo de que no segundo turno o eleitor terá melhores condições de fazer a escolha.

Entusiasta da preservação da memória histórica do Tocantins, Valdemir fala da construção do Museu de Pium, que guarda um pouco da história da imprensa e no qual estará disponível o acervo do Ecos do Tocantins, jornal editado por Trajano Coelho Neto na década de 50 e que contribuiu para divulgar os propósitos da luta pela criação do Tocantins. “Isso era um sonho meu de muito tempo. Para resgatar não só a história de Pium, mas do Tocantins. Tanto relativo ao período da criação do Estado, mas também que aqui foi um de nossos centros da imprensa e lugar muito importante na criação do Tocantins”, explica o gestor.

Valdemir Barros é médico, filho de Pium e exerce pela quarta vez o mandato de prefeito. É visto como gestor moderno, criterioso e de bom gosto. Transformou a antiga vila dos cristais em uma cidade moderna, que chama atenção pele beleza dos prédios públicos que se completa com revitalização do centro histórico. Nesta entrevista ao Jornal Opção, Valdemir fala ainda de sua saída do PSDB, descontente com a direção da presidente Cínthia Ribeiro, e do seu trabalho na Ilha do Bananal junto às nações indígenas que habitam a reserva do Parque do Araguaia.

Como o sr. avalia a renúncia do Carlesse e posse do Wanderlei como governador efetivo?

Logo após o afastamento do Carlesse, o governador Wanderlei Barbosa esteve aqui em Pium e falei no meu discurso que agora o Estado voltava às suas raízes, com um filho do Tocantins. Que tinha sido muito difícil essa passagem, a pessoa que chegou para ser governador ninguém conhecia. Então nós estávamos muito felizes com a chegada dele ao governo. Ficamos esses meses aí vivendo uma realidade, vamos dizer assim, duvidosa para todo mundo, mas felizmente ele (Carlesse) renunciou e agora é como se fosse um novo recomeço para o Tocantins. Vamos ver se conseguimos crescer sem deixar o Estado sair das mãos dos tocantinenses.

O Tocantins enfrenta problemas de toda ordem, transporte, saúde, educação, para ficar nos mais importantes. Como o senhor avalia a condição do Estado hoje?

Primeiro, não tínhamos como fazer nada porque estávamos inseridos na Lei de Responsabilidade Fiscal, aí enquadrou o Estado dentro disso retomando a nossa capacidade de investimento. Nós temos que procurar as nossas aspirações. Não ser só produtor de produtos primários na área de commodities, mas começar com seriedade a industrializar o Estado. É por aí que temos que nos desenvolver. A pecuária está crescendo muito e vai continuar crescendo; na agricultura estamos chegando ao momento de produzir 15 milhões de toneladas de grãos para vender para o mundo, mas aí precisamos processar estes produtos aqui. Veja bem, na área da educação nós já temos quatro ou cinco faculdades de medicina, então o Tocantins é válido, precisa crescer e é baseado nisso aí que a gente vai crescer. Sem corrupção, com uma pessoa que entenda esse Estado. Veja a luta que nós tivemos durante um século para emancipá-lo. Tem muito espaço para o Tocantins crescer, só basta boa intenção e gestão competente.

Como o sr. avalia a importância das eleições nesta perspectiva de renovação das forças políticas que comandam o Estado?

Essa eleição vai ser uma das mais difíceis do Tocantins, que marca um novo recomeço, principalmente para deputado federal, vai ser muito competitiva. Mas na hora que a eleição se decidir e acredito que não será decidida no primeiro turno porque além do Wanderlei, vai ter o Dimas, o Mourão e Damaso, ela vai se decidir no segundo turno permitindo que o eleitor possa analisar bem a escolha que quer para o futuro. Vai ser muito difícil se resolver no primeiro turno, porque os candidatos tem um equilíbrio muito grande, então é a nossa vez de dar os avanços que nós precisamos.

A polarização entre Wanderlei e Dimas se dá entre dois modelos bem distintos. Um é político ou outro é eminentemente técnico. O que vai prevalecer?

O vencedor deste embate é aquele que junta as duas coisas. O técnico e o político. O Dimas já foi prefeito, deputado federal, tem um certo conhecimento e alguma experiência. Mas o atual governador pela extrema boa vontade, filho do primeiro prefeito de Palmas, Fenelon Barbosa, com apoio de Siqueira Campos, de Irajá Abreu, de Kátia (Abreu), ele vai conseguir encontrar o caminho, que é isso que estamos procurando nos últimos 15 anos, que é quando o Tocantins parou de crescer.

“O PSDB não deveria ter saído das mãos do senador Ataídes Oliveira”

O sr. trocou o PSDB pelo PSD. O que motivou a mudança?

Olha, eu achei que o PSDB não deveria ter saído das mãos do senador Ataídes (Oliveira). Não tenho nada contra a Cínthia (Ribeiro), mas o senador perdeu o comando porque perdeu a eleição, mas ele era um cara pujante, combativo contra a corrupção, um homem esclarecido, carregava o partido. Nós éramos mais de 20 prefeitos, quando chegou a eleição de 2020, todo mundo sumiu porque o partido ficou largado. Não tinha uma cabeça para dirigir o partido. Aí eu vi que não era mais hora de permanecer. Aí eu tive um convite do senador Irajá (Abreu) então eu fui pra lá, esperando que o PSDB, que é um grande partido, encontre o seu caminho.

O sr. exerce o quarto mandato à frente da prefeitura de Pium. Que balanço que o sr. faz dessa longa trajetória?

Quando fui candidato pela primeira vez, eu vim aqui para ser médico não político, mas eu vi que isso não andava, eu vou me candidatar para saber o que que existe que não avança, seria falta de gestão? De fato, era falta de gestão. Pium era uma corrutela. Se transformou numa cidade e o município tem possibilidade em se transformar em primeiro produtor de grãos do Estado, basta que instalemos no município o projeto Prodoeste, que é a perenização da várzea do rio Pium. Então tem vários municípios, mas Pium tem essa luz para chegar lá e vai chegar porque com certeza nós vamos nos tornar, não só o primeiro produtor de grãos, mas comecemos a ter pequenas indústrias, postos de trabalho, prestadores de serviço, aqui dentro do município.

Sua gestão tem um traço de modernidade que chama atenção, sobretudo no padrão arquitetônico das obras. O que o sr. pretende deixar de realização neste sentido, neste mandato?

Olha, além de um avanço muito grande na área da saúde, nós tínhamos aqui 10 funcionários, hoje temos hospital, três postos de saúde na cidade, e três na zona rural, além da educação, que agora nós fizemos um projeto de meritocracia, tomara que sirva de exemplo, nós conseguimos dar aquele aumento que quase nenhum prefeito deu de 34,23%, nós estamos deixando para quando chegar nos três anos, a educação ser uma das melhores do Tocantins. Sem falar nas outras áreas, do esporte que está sendo bem desenvolvida, com grandes avanços, com construção de campos de futebol em vários assentamentos, reforma e iluminação do campo da sede, ainda a área da cultura, perdemos a Casa da Cultura, mas vamos inaugurar um novo museu, enfim, tudo que diz respeito ao bom andamento da gestão pública. A agricultura praticada aqui é uma das mais modernas que tem o Estado, na produção de grãos, na criação de gado para abate, enfim, estamos levando Pium por este caminho para que nos ternemos um município padrão no desenvolvimento no Estado do Tocantins.

O sr. é um entusiasta da preservação da memória histórica do Tocantins. Qual a importância do Museu de Pium que contempla a história da imprensa, com o resgate da obra de Trajano Coelho Neto, e o Ecos do Tocantins?

No nosso primeiro mandato já víamos a necessidade do resgate da história de Pium. Construí a Casa da Cultura, ali começou este resgate, mas infelizmente depois que sair no segundo mandato o prefeito que me sucedeu acabou com a Casa da Cultura. Todo o acervo não sei para onde foi. Agora resolvi fazer o museu, isso era um sonho meu de muito tempo. Para resgatar não só a história de Pium, mas do Estado do Tocantins. Tanto relativo ao período da criação do Estado com Siqueira Campos, mas também que aqui foi um dos centros da imprensa do Estado e que foi muito importante na criação do Estado e graças a Deus vamos conseguir realizar esta obra com ajuda dos amigos e deixar para a posteridade esse acervo em Pium.

O município de Pium se estende até a Ilha do Bananal, onde se localiza a Terra Indígena Parque do Araguaia. Qual é a atuação da Prefeitura junto aos povos que habitam a região?

Após levar saúde, educação e esporte, nós estamos construindo um centro de evento que tem aproximadamente 15 salas, que tem como objetivo resgatar e conservar a cultura de todas as etnias existentes dentro da Ilha do Bananal (Karajá, Javaé, Tapirapé, Tuxá e Ava-Canoeiro) com artesanato, com dança e tudo indica que vai ser inaugurado o dia 23 de junho, dia do aniversário de Pium. Vai ser um negócio muito interessante para Pium e o Tocantins.

Como tem sido a relação da Prefeitura com as lideranças indígenas da Ilha do Bananal?

A relação tem sido muito boa. Dizia-se que os índios eram muito difíceis de convivência. De fato, os índios tem a sua forma de viver e precisam ser protegidos. No momento, estão sofrendo muito com as enchentes. Nós temos tido muitos cuidados com esses povos. Temos enviado remédios e até cestas básicas, sempre que necessário. Então, nós vamos resgatar também a história dos povos indígenas da Ilha do Bananal que é também a história de Pium, para deixar para o Tocantins o legado dos povos originários neste santuário ecológico situado na faixa de transição entre a Floresta Amazônica e o Cerrado.

Esse trabalho está em consonância com a ideia de preparação para o turismo na medida em que a Ilha do Bananal seja aberta à visitação?

Isso foi justamente o que imaginamos quando decidimos realizar esta obra em comum acordo com as lideranças dos povos indígenas, criar um centro para mostrar para o Tocantins e o Brasil, a beleza e riqueza da cultura dos povos indígenas que habitam o nosso município. Essa base permite o desenvolvimento de projetos como este, em que todo mês vamos poder levar 30, 40 estudantes para conhecer aquele santurário. Mas qualquer pessoa que descer ou subir o rio Araguaia vai ver o Centro de Eventos, então lá eles vão poder comercializar seus artesanatos que são expressivos de cada cultura. São peças muito lindas. Fiz um compromisso com eles vamos fazer com que vivam com mais dignidade, produzindo e comercializando aquilo que eles têm que é a cultura em forma de artesanato, que pode atender ao turismo também, uma vocação de Pium e do Tocantins.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.