“Esta CPMI será a mais polêmica e a mais importante do Congresso Nacional”

Ao perceber que havia algo muito errado no acordo de delação premiada dos irmãos Batista, da empresa, JBS, o senador começou a colher assinatura para conseguir dar abertura à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar o caso

Waldemir Barreto/Agência Senado

Ataídes de Oliveira (PSDB) é natural de Estrela do Norte–GO, cidade localizada próxima à divisa dos estados de Goiás e Tocantins. Graduado em Contabilidade e Direito, tornou-se empresário no ramo de consórcios e, também, da construção civil. Suplente e amigo do ex-senador João Ribeiro (PR), Ataídes ocupou uma cadeira no Senado após o falecimento do titular, ocorrido em dezembro de 2013. Desde então, o senador tem se mostrado um aguerrido combatente ao PT e aos dois ex-presidentes do referido partido. Seus efusivos discursos pró-impeachment chamaram a atenção dos brasileiros. Nesta entrevista, Ataídes fala sobre política, partidarismo, sua atuação parlamentar e, também, sobre as perspectivas para o pleito de 2018.

O sr. assumiu a presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no Congresso, que visa investigar – paralelamente – os crimes cometidos pelos irmãos Batista, que administravam o grupo JBS. Quais são as suas perspectivas em relação a essa investigação?

Primeiramente, ressalto que considero o instituto da delação magnífico. Sem ele, nós não teríamos esse novo Brasil, que está se desenhando. Contudo, na semana seguinte após a delação “super-premiada” dos irmãos Wesley e Joesley Batista, eu percebi que havia algo muito diferente, errado mesmo, se comparada às outras delações já havidas. Imediata­mente, comecei a colher assinaturas para instalação de uma CPI Mista – Câmara e Senado – visando investigar os fatos. Consegui recolher mais de 200 assinaturas de deputados e mais de 30 no Senado e protocolei o pedido. Houve um certo atraso na instalação da CPMI. Contudo, ela só poderia ser instalada numa sessão conjunta do Congresso Nacional.

Após o recolhimento dos primeiros documentos, como também pelos últimos acontecimentos, infelizmente restou claro que eu estava certo. Há muita coisa errada na referida delação. Alguém do MPF – no caso, o procurador Marcelo Miller, braço direito do Rodrigo Janot à época e, também, Eduardo Pelela, chefe de gabinete da PGR – estava por trás da negociação espúria. Agora é apurar, colher depoimentos, convocar os envolvidos e concluir a investigação. Essa CPMI, posso garantir, será a mais polêmica e a mais importante do Congresso Nacional nos últimos tempos, na medida em que pegou o Legislativo e o Executivo de cheio e, ainda, parte do Ministério Público Federal. Não tenho dúvidas, que muito em breve, chegará também ao Judiciário. Repito: lamento muito concluir, desde já, que eu estava certo em querer iniciar tais investigações.

O sr. foi um dos mais ferrenhos defensores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), proferindo discursos fervorosos acerca do afastamento. Em que circunstâncias isso ocorreu e quais foram as razões mais preponderantes?

Falarei por mim e terei a audácia de falar pelo meu partido. Quando cheguei ao Senado, meu grande desafio era tirar do poder essa corja, essa grande quadrilha, que estava acabando com o País. Para se ter uma ideia, quando o Lula assumiu o poder em 2003, o Brasil tinha uma dívida interna e externa na ordem R$ 850 bilhões. Já a Dilma, quando saiu, deixou uma dívida aproximada de R$ 4 trilhões, só para se ter uma noção.

Enfim, o PT destruiu o Brasil. E só não conseguiram quebrar de vez o País porque somos muito ricos e temos um enorme potencial. Se eu tivesse que sair da política hoje, sairia com o sentimento de dever cumprido e feliz. Disse, inclusive, ao presidente Michel Temer (PMDB) na sua posse: “Não decepcione o povo brasileiro! Tudo que o senhor mandar para essa Casa e for bom para o País conte comigo, mas alerto-lhe que aquilo que for ruim votarei contra”.
Quanto ao partido, estamos pagando um alto preço por termos sido protagonistas do impeachment. Contudo, numa análise mais profunda, o afastamento da corja do PT foi de grande valia para o País. Aliado a isso, é necessário dizer que fomos protagonistas da PEC do controle dos gastos públicos, que não permite se gastar mais do que se arrecada. Também estamos fortemente engajados na reforma do ensino médio e na reforma trabalhista.
Também não podemos deixar de ressaltar que o País, mesmo que lentamente, está retomando os empregos e o crescimento econômico. Os números comprovam, não há controvérsias.

E como sr. avalia a gestão do presidente Temer?

Posso afirmar que a equipe econômica que ele nomeou é de altíssima qualidade. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, o Paulo Rabelo na gestão do BNDES, o Pedro Parente na Petrobrás, que já conseguiu, inclusive, resgatar a instituição, entre outros ministros e membros da equipe, formam um conjunto fantástico que resultou na retomada do crescimento.

Quanto ao próprio presidente Temer e alguns companheiros que o ladeiam, prefiro não tecer comentários neste momento. O que eu já deixei claro a ele foi: “Se o sr. tiver culpa, deverá responder por isso e pagar o que deve”. No que concerne à condução do governo em si, não tenho dúvidas: está no caminho certo. E falo isso como contador, advogado e empresário há mais de trinta anos.

No que concerne ao trabalho da bancada tocantinense no Congresso Nacional, qual é a sua avaliação?

A bancada tem feito um bom trabalho. O senador Vicentinho Alves (PR) é um homem dedicado, como também todos os deputados – nas condições que lhe são permitidas – sendo da base ou não, do governo do Estado ou da União. A bancada trabalha em conjunto, todos na mesma direção, que é proporcionar uma vida melhor para o povo tocantinense.
Neste ano, fui escolhido como relator da LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2018. É mais um desafio que tenho o privilégio de assumir como representante do Tocantins no Senado. É a LOA que disciplina as ações do governo federal, que estima quanto o governo deve arrecadar com impostos, taxas e contribuições e quanto deve gastar em cada área.

Acompanhado de grande parte da bancada, o presidente Temer esteve, recentemente, no Tocantins para o lançamento da ponte que liga a cidade de Xambioá a São Geraldo (PA). Contudo, o sr. não estava na comitiva. O que houve?
Fui convidado pelo presidente Temer para acompanhá-lo, contudo, havia assumido compromissos inadiáveis para a mesma data, visando, por intermédio de várias reuniões, discutir as tratativas da CPMI dos irmãos Batista. Lamentei muito não ter ido e pedi desculpas ao presidente pela minha involuntária ausência.

E qual é a importância desta obra?

Ela simplesmente interliga o Norte do País ao Brasil, à BR-153, à Ferrovia Norte-Sul e vice-versa. É de extrema e salutar importância a construção daquela ponte, que foi fruto da união da bancada tocantinense no Congresso Nacional, que direcionou recursos para sua viabilização. Aquela região, assim como o Mato Grosso, através da BR-242, precisa ser interligada ao Tocantins e aos corredores multimodais. Os investimentos nestas pontes e na pavimentação destas estradas é de fundamental importância para o desenvolvimento dessas regiões.

Em que pese o sr. transitar há pouco tempo na política, sua atuação dentro do seio do PSDB é algo que merece destaque. Recentemente, o sr. viabilizou a vinda do prefeito de São Paulo, João Dória, a Palmas em um evento que arregimentou vários prefeitos, que se filiaram à sigla, além discutir os novos rumos do partido no Tocantins. Como o sr. avalia o crescimento do PSDB regionalmente?

Quando se cai numa Casa como o Senado Federal, o sujeito aprende a lidar com os temas e com os políticos ou cai fora. É uma grande escola. Vamos observando o comportamento parlamentar dos pares e vamos aprendendo.

Em 2014, coloquei meu nome na disputa para o governo do Tocantins sem nenhum vereador da base e saí percorrendo 105 dos 139 municípios do Estado, de peito aberto e com o microfone na mão, dizendo que eu queria trabalhar para o povo tocantinense. Porém, poucos compreenderam a ideia. Disse por onde passei que a gestão do então governador Sandoval Cardoso era temerária e poderia resultar em cadeia. Infelizmente, uma vez mais, eu estava correto.

Compreendi que na política, assim como na vida cotidiana, é impossível andar sozinho. É necessário ter equipes de apoio, formar um grupo forte na disputa e, exatamente por isso, iniciamos naquela época ações para fortalecer o “esfarelado” PSDB no Estado do Tocantins. Estamos fazendo isso há tempos, mas sem dúvidas, a presença do amigo João Dória abonando a ficha de filiação de alguns prefeitos simbolizou o fortalecimento regional da sigla.
Tínhamos cinco prefeitos eleitos, filiamos mais dezenove e posso garantir que isso é apenas o começo deste trabalho partidário. O nosso projeto é muito mais audacioso e espero que em meados de 2018 nossa estrutura seja ainda muito maior, composta por pessoas disciplinadas, com boas intenções, que queiram servir à população do nosso Estado. Acredito que desse grupo surgirá um novo gestor capaz de administrar esse gigante adormecido denominado Tocantins.

Inobstante a isso, acredito na nossa capacidade de eleger vários deputados estaduais e também alguns deputados federais. E, no mínimo, um senador da república para proporcionar estrutura de forma tal que possamos alavancar a economia do nosso Estado.

Amastha é um moço bom. Contudo, é muito polêmico, menospreza as pessoas, considera toda a classe política vagabunda e corrupta. E isso não
é verdade”

Circulam na imprensa tocantinense especulações de que o sr. estaria atuando com uma espécie de revanchismo, investindo justamente na migração dos prefeitos do PSB, uma vez que essa seria a base do prefeito Amastha (PSB), como também, em razão da vice dele (Cinthia Ribeiro) pertencer ao PSDB, mas encontrar-se em situação desconfortável na sigla. Procede tal informação?

De forma alguma. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Na verdade, o Amastha é um moço bom, ele sabe que gosto dele. Inclusive o ajudei nas eleições de 2012 e 2016. Contudo, ele é muito polêmico, menospreza as pessoas, considera toda a classe política vagabunda e corrupta. E isso não é verdade. Temos bons políticos no Tocantins, assim como no Brasil como um todo.

O que ocorreu foi que os referidos prefeitos, eleitos pelo PSB, chegaram a Brasília e não encontraram nenhum apoio político, uma vez que esses impropérios chegaram até os gabinetes do Congresso Nacional. Ora! O presidente estadual do partido deles ofende a classe política a todo momento e, evidentemente, os parlamentares se ofendem com isso.

Naturalmente, tal fato causou um transtorno enorme aos prefeitos, que resolveram migrar para outro partido. Quando eu percebi isso, disse ao Amastha, há mais ou menos três meses: “A coisa não está boa, companheiro! Os prefeitos vão sair e quem quiser vir para o PSDB eu vou fazer gestão para que venham, porque é melhor do que eles se dispersassem”. Foi isso que aconteceu.

No tocante à Cinthia Ribeiro, na mesma época, também disse ao Amastha que não faria qualquer objeção se ela quisesse ir para o PSB, uma vez que eles se entendem muito bem. Dessa forma, esse tipo de assunto ou comentário não tem qualquer fundamento.

Ainda é cedo para falar sobre o pleito de 2018, mesmo porque ainda tramitam no Congresso Nacional as novas diretrizes da reforma política. Contudo, como presidente regional do PSDB, é natural que o sr. tenha traçado planos para as próximas eleições. O sr. poderia nos adiantar suas pretensões?

Esse é o momento de trabalhar, trazer recursos para o Tocantins, direcionar emendas para o Estado crescer e se fortalecer. Em que pese o País passar, momentaneamente, por uma crise econômica, consegui empenhar emendas na ordem de R$ 40 milhões para pavimentações asfálticas. Vamos fomentar também, com recursos de fundo perdido, reformas e ampliações destinadas a famílias de baixa renda. Traremos, ainda, 40 ambulâncias para vários municípios e já trouxe mais de R$ 50 milhões para construção de casas populares. E garanto: ainda traremos muito mais recursos financeiros para o nosso Estado.

No que concerne às eleições do ano vindouro, não podemos desconsiderar que já está batendo à nossa porta. Como já disse, aprendi um pouquinho nesses anos na política. Sem grupo não se vai a canto algum. Por isso, estamos fortalecendo o PSDB e conversando com todos os deputados federais, estaduais e demais políticos e pretendemos chegar até o final do ano em 30 prefeitos. Acredito também que o grupo tem condições plenas de apresentar um candidato forte ao governo do Estado do Tocantins nas eleições de 2018.

O sr. seria este candidato?

Verdadeiramente, não tenho pretensões de disputar uma reeleição ao Senado Federal e, em que pese minha formação em contabilidade e direito estar vinculada ao Legislativo, eu gosto dos atos de execução. Então, precisamos escolher um candidato comprometido com a causa, competente, honesto, com o espírito de servir as pessoas e, acima de tudo, que tenha coragem. Se não houver dentro desse grupo, outro candidato que tenha esse perfil e preencha tais requisitos, vou lançar o meu nome como candidato ao governo do Tocantins. Entre­tanto, ressalto – desde já – que se outro nome do grupo tiver mais aceitação e deslanchar nas pesquisas prévias, garanto que farei campanha e subirei no palanque em busca dos votos de forma tal que nos permita ganhar as eleições.

Como presidente estadual do PSDB, naturalmente o sr. participa das reuniões e tratativas que definirão as proposições da sigla nas eleições presidenciais. Qual são as perspectivas para essa disputa?

Há uma certeza: teremos candidato a presidente da República nas eleições 2018. Contaremos com o apoio do presidente Michel Temer na medida em que esse acordo foi firmado quando ele assumiu o governo federal após o impeachment. Ainda não foi definido o nome, mas temos figuras exponenciais dentro da sigla, como João Dória, Geraldo Alckmin, Tasso Jeiressati, Marconi Perillo e o próprio José Serra se conseguir viabilizar uma candidatura.

Em nome do Jornal Opção, desejo-lhe sucesso no restante do mandato, como também na condução do seu partido no Estado do Tocantins, deixando-lhe as portas deste veículo de comunicação sempre abertas para suas ponderações e repercussões das suas ações parlamentares.

A nossa imprensa – falo sem demagogia – é extraordinária. Fabulosa mesmo. Vocês têm contribuído muito e tem um papel fantástico na reestruturação do nosso País. Estarei sempre à disposição de vocês para quaisquer esclarecimentos.

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