“Enquanto político, sempre defendi duas bandeiras: geração de emprego e o municipalismo”

O senador Irajá Silvestre Filho (PSD/TO) se posicionou contra o adiamento das eleições deste ano por acreditar que isso causaria um “desiquilíbrio” eleitoral

Irajá Silvestre Filho é um político de carreira meteórica. Filho da senadora e ex-ministra da agricultura Kátia Abreu (Progressistas), com apenas 27 anos foi eleito deputado federal, em 2010. Já em 2014, foi reeleito com expressiva votação. Nas eleições de 2018 foi alçado ao cargo de senador da República pelo Tocantins após obter impressionantes 214.355 votos.

O senador Irajá é goianiense, graduado em Publicidade e Propaganda. É empresário e produtor rural pertencente a tradicional família política no Tocantins. Seu mandato está focado no municipalismo e, em âmbito estadual, preside o PSD no Estado do Tocantins.

Em relação ao adiamento das eleições – proposta originária do senado – como o Sr. se posicionou e porque?

A votação no senado foi majoritariamente favorável a mudança da data da eleição, sendo o primeiro turno em 15/11 e o segundo, nos locais onde houver, no dia 29/11. Particularmente, fui voto vencido, uma vez que votei pela manutenção das datas previstas na constituição.

Primeiro, porque não havia expectativa de surgimento de vacinas ou medicamentos capazes de minimizar o risco de contágio nesses 42 dias de adiamento; Segundo, porque em razão do grande volume de recursos que tem chegado às prefeituras – em virtude da pandemia – alguns gestores que já estão no cargo podem ser beneficiados. Não estou dizendo que, necessariamente vão ocorrer atos ilegais ou desvio de recursos públicos, mas é um risco. A doação de cestas básicas, contratação de pessoas, etc, favorece as gestões, isso é inegável. Tal fator causa desequilíbrio ao processo eleitoral; Terceiro, porque “esticar em 42 dias” a campanha eleitoral, onera os custos financeiros para todos os envolvidos. Por essas três razões – mesmo sendo voto vencido – me posicionei contrário a mudança da data do pleito. 

Na condição de presidente estadual do PSD, já há um posicionamento em relação a candidaturas em Palmas?

Ainda não. Não teremos candidatura própria, mas estamos avaliando o cenário, analisando alguns projetos e perfis de pré-candidatos. Mais adiante nos posicionaremos porque, logicamente, temos interesse em contribuir e participar de um projeto sério e desenvolvimentista, como também que priorize a geração de emprego e renda, etc. 

Ainda não temos esse nome, que seja capaz de compartilhar as mesmas ideologias, aglutinar as lideranças do PSD e contemplar os mesmos objetivos que o partido planejou para a capital. 

Ainda sobre a pandemia decorrente da Covid-19, o Sr. tem dito em seus discursos que nem 50% dos recursos destinados aos governos estaduais e municipais, ainda não foram utilizados. Poderia explicar melhor como funciona?

O cidadão comum, à vezes, não compreende como funciona a tramitação. Uma coisa é aprovar uma rubrica e a destinação dos recursos; outra é a execução financeira, o repasse das verbas e a realização das ações.

Quando o congresso vai aprovando essa série de medidas, como o auxílio emergencial, ajuda aos trabalhadores, mitigação de risco das empresas brasileiras, etc., a execução da parte financeira obedece um cronograma. Até o momento, foi executado apenas 50% do que foi destinado. Portanto, cabe aos parlamentares cobrar do governo federal a célere aplicação dos recursos para que os benefícios cheguem aos municípios e aos cidadãos que mais precisam. 

O Sr. foi o relator da MP nº 927. Como foi a tramitação e como ela vai influenciar na vida dos trabalhadores? 

Antes de entrar para a vida pública, fui menor aprendiz, trabalhei em escritório de advocacia e fui celetista. Senti na pele, sei das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores brasileiros, suas angústias e aflições. 

Neste momento excepcional, em razão da pandemia, precisamos ter bom senso. Essa MP oriunda do executivo, veio da Câmara para o Senado num momento muito ruim para o trabalhador. É uma das minhas bandeiras a defesa da geração de emprego e dos direitos trabalhistas. Minha conduta prova isso, pois neste particular, fui contra na reforma da previdência. 

Pois bem, após a matéria chegar ao senado, fui nomeado relator, mas devo dizer que o texto não estava adequado. Empreendi um diálogo aberto com as centrais sindicais e partidos de oposição, conseguindo construir um entendimento entre empresas e trabalhadores. O relatório está pronto, muito mais equilibrado, mais responsável, fazendo com que os efeitos da Medida Provisória ficasse dentro do marco temporal da calamidade causada pela pandemia, ou seja, 31/12. Logicamente, se estendesse além disso se tornaria uma reforma trabalhista e esse não era o objetivo. 

Tive todo esse cuidado, modificamos o texto, criamos uma nova redação, suprimimos o artigo 28 que suspendia acordos judiciais já constituídos, etc. O certo é que nenhuma dessas medidas excepcionais estarão em vigor após o dia 31/12.

Pautar a votação da matéria, no entanto, depende do presidente do senado, do governo federal e dos líderes partidários. Minha consciência está tranquila, cumpri meu papel e elaborei um bom relatório, que atende trabalhadores e empregadores. Vamos aguardar a votação.

O prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas, assim como outros gestores, tem exaltado sua atuação parlamentar e seus esforços para obtenção de recursos para os municípios. Na campanha eleitoral de 2020 o Sr. estará no mesmo grupo e palanque do prefeito Dimas?

Duas bandeiras que defendo desde o primeiro mandato como deputado federal, e agora no senado, sempre foram a geração de emprego, na defesa dos trabalhadores, como também o municipalismo, que a defesa das cidades. Sempre atuei nessa linha, viabilizando recursos e obras para os municípios. Já consegui levar benefícios para os 139 municípios do Tocantins. Cada um deles tem, pelo menos, uma obra que foi viabilizada pelo meu mandato, uma praça, uma rodoviária, um ginásio ou outro benefício qualquer. Algumas cidades tem mais de uma, naturalmente. Considero isso muito importante, uma demonstração de defesa do municipalismo. 

Araguaína não é diferente. A cidade tem a sorte de contar com um prefeito competente e trabalhador, que tem uma ótima aprovação popular, o que não é fácil, principalmente no segundo mandato. Isso é o resultado de um trabalho sério. Fizemos ótimas parcerias, destinei várias emendas e conseguimos executar muitas obras. Só de minha autoria já foram mais de R$ 20 milhões de 2019 para cá. Fui bem votado na cidade e, não é mais do que minha obrigação zelar pelos munícipes, afinal fui eleito para isso.  

Devo considerar que também há vários outros prefeitos do mesmo nível no Tocantins, não tenho dúvidas, mas como o questionamento é sobre Araguaína, estou fornecendo mais detalhes desse engajamento. 

Quanto a estar no mesmo palanque nas eleições, vamos caminhar sim com o prefeito e o candidato que o grupo dele escolher. Creio que o Dimas tem muita habilidade política para definir quem será o candidato do grupo e, aquele que for escolhido, contará com nosso irrestrito apoio.

Além disso, além da reeleição do vereador Terciliano Gomes – meu suplente no senado e membro do PSD – pretendemos eleger mais dois vereadores na cidade, com a força do nosso grupo, formando uma bancada expressiva no parlamento municipal. 

No tocante à sua atuação parlamentar, o Sr. sempre defendeu o fortalecimento da agricultura, sendo um dos “pais do MATOPIBA”. Qual a sua relação com a ministra da Pasta, a deputada federal Tereza Cristina?

O agro está na minha vida, passei minha infância na fazenda, sempre gostei disso tudo. Hoje concilio minhas atividades e obrigações de senador ao agronegócio, em algumas propriedades. A ministra foi minha colega na Câmara Federal e nossa amizade é duradoura e está fortalecida. Tenho respeito e admiração pelo trabalho que ela vem desenvolvendo no Ministério, é muito competente. Tenho procurado apoiá-la nos projetos que tramitam no Congresso – principalmente no Senado – os quais ela tem interesse. Temos obtidos bons resultados.

Em relação ao MATOPIBA ela é uma entusiasta. Sempre incentivou o projeto. Todas as demandas que tem sido encaminhadas a ela, nesse sentido, tem havido contrapartida e todo esforço para solucioná-las.   

Em relação à sua preocupação em levar internet de boa qualidade ao locais mais longínquos – através da fibra ótica – qual é o posicionamento do ministro das comunicações?

Esse projeto é um grande sonho. Há mais de quatro anos luto por isso, pois o sinal é precário na maioria das cidades do interior. Isso prejudica, por exemplo, o aprendizado dos alunos que são privados de assistir aulas pelo sistema “on line” ou mesmo assistir tutoriais que poderiam auxiliá-los de uma forma geral. A globalização é uma realidade, não há como negar. 

Esse programa do ministério da comunicação está atrelado a um satélite que já está na órbita da terra, faltando apenas liberar o sinal para as cidades. É uma questão burocrática que estou tentando solucionar com o ministro Fábio Faria, que é filiado do PSD. Ele se mostrou disposto a estudar a viabilidade da minha solicitação de levar para o Tocantins projetos de fibra ótica para atender órgãos municipais, escolas, postos de saúde, praças públicas, distritos e comunidades na zona rural, além de internet, via satélite, para os municípios mais distantes. ⁣ 

Nos anos que há eleição, o Sr. não promove edições do futebol solidário, para que não haja questionamentos sobre o caráter político do evento. Contudo, em razão da pandemia de 2020, o Sr. conseguiu arrecadar alimentos e doações, por intermédio dos mesmos parceiros. Qual foi o saldo positivo das ações?

É verdade… Nunca quis que confundissem a ação social do futebol com política, por isso não o promovo em anos eleitorais. Mas a excepcionalidade causada pela pandemia, me obrigou a “entrar em campo”. Os patrocinadores, apoiadores, convidados, artistas, celebridades sugeriram fazermos ações diferentes, com a campanha virtual de arrecadação de alimentos. Foi um sucesso, estou orgulhoso de termos arrecadado 14 toneladas de alimentos. Com isso, vamos minimizar os efeitos da fome pela capital e interior do Tocantins, ajudando os mais necessitados, desempregados ou doentes, a superarem um período tão complicado para todos nós. 

É possível fazer um balanço deste ano e meio de mandato no senado federal?

Achei que já tinha visto quase de tudo, após oito anos em Brasília. Vários pedidos de impeachment presidenciais, com um deles se concretizando, um ex-presidente da republica e um presidente da Câmara Federal foram presos, veio a onda Bolsonaro e muitas outras ocorrências. Não mais que de repente, vem uma pandemia e pega todos nós de surpresa, sem sabermos como lidar com tudo isso. 

Há lições a serem retiradas de todas essas intercorrências, como crise econômica, desemprego em massa, etc. O home-office – algo distante – foi fortalecido e as pessoas se adaptaram. A telemedicina também evoluiu e o que parecia ser algo futurístico, hoje é uma realidade. O ensino à distância também se fortaleceu para o segundo e primeiro grau, o que era uma realidade apenas para graduações e pós-graduações. Enfim, o isolamento nos fez mais solidários, mais humanos e contato com nossos próprios familiares se estreitou. Esse foi o lado bom da pandemia, se é que se pode dizer assim. 

No tocante ao senado, fiz ótimos relacionamentos, aprendi muito como funciona os trâmites e tenho conseguido vitórias. Só no ano passado direcionei – e foram, inclusive, pagos – mais de R$ 70 milhões aos municípios do Estado do Tocantins. Para 2020, já são mais de R$ 90 milhões em volume de recursos a serem direcionados as nossas cidades. Ainda haverão várias outras boas novidades, até o final do ano, para o nosso povo. 

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