Eleitores de Bolsonaro criticam apoio de Vicentinho Alves e seu filho ao presidenciável

Senador e deputado seguiram posição de um dos líderes de seu partido em apoio a candidato do PSL

Apoiadores do presidenciável Jair Bolsonaro chamam Vicentinho Alves e Vicentinho Junior de “oportunistas” e “caroneiros” | Foto: Divulgação

O Partido da República (PR), por intermédio do líder da legenda na Câmara Federal, o deputado baiano José Rocha, liberou a bancada para declarar apoio no segundo turno da eleição presidencial. “O Partido da República decidiu liberar toda a bancada para que tome a decisão que achar melhor em cada estado. Os deputados estão liberados para seguir ou com Bolsonaro ou com Haddad”, disse Rocha.

Os líderes da sigla no Tocantins, Senador Vicentinho Alves, derrotado nas eleições do último domingo, 7, quando pretendia ser reeleito, bem como seu filho, o deputado federal reeleito Vicentinho Junior, seguiram a posição de um dos líderes do partido no âmbito nacional, o senador Magno Malta (ES), que, à propósito, também foi derrotado no último domingo. Todos eles vão apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL).

Malta chegou a vir ao Tocantins, na quarta-feira, 11, com a finalidade de conclamar os simpatizantes da candidatura a iniciar ações coesas em prol da eleição do presidenciável do PSL. O evento, evidentemente, foi organizado pelo PR em um grande auditório da capital tocantinense. Todavia, os dirigentes do partido se esqueceram de combinar com a militância, que aceitou Malta como legítimo representante de Bolsonaro, mas refutou os “caroneiros”, termo utilizado pelos militantes, Vicentinho Alves e Vicentinho Junior. Ao receberem a notícia que seriam vaiados caso comparecessem ao encontro político, os parlamentares tocantinenses recuaram e sequer foram ao evento, que foi organizado por eles mesmos.

Muito mais interessado nos votos da militância do que em polêmicas desnecessárias, de forma inteligente e racional, o senador capixaba discursou, sendo ovacionado pela plateia: “Quero dizer uma coisa a vocês, em nome de Jair Bolsonaro: o PSL do Tocantins ficará na mão daqueles que começaram o PSL aqui. Essa prática acabou e não tem mais essa história de deputado federal e senador tomar partido pequeno nos Estados. O partido do Bolsonaro, o PSL, vai permanecer na mão das pessoas que fizeram o partido”.

Já o deputado federal reeleito Carlos Gaguim (DEM), também interessado em colher os possíveis louros da provável vitória de Bolsonaro, antes mesmo da referida reunião, se posicionou defendendo que a coordenação de campanha do presidenciável Jair Bolsonaro no Tocantins ficasse a cargo da vereadora de Palmas e deputada estadual eleita Vanda Monteiro (PSL). Gaguim criticou a vinda do senador Magno Malta a Palmas: “Veio na campanha para chamar os políticos tocantinenses de vagabundos e é um derrotado, porque perdeu a reeleição em seu Estado”, observou, cheio de mágoa, o parlamentar tocantinense.

Enfim, todos querem tirar uma casquinha num eventual governo comandado por Bolsonaro. Entre­tanto, um organizador de um grupo de Bolsonaristas marcaram território e declararam: “Nossa avaliação é que esse apoio a 19 dias das eleições é somente oportunismo. Não aceitamos pessoas que até ontem não agregavam em nada em nossa luta, sejam coordenadores de campanha, pois quem coordena a campanha de Jair Bolsonaro no Estado do Tocantins é o povo, é a militância”.

Pelo que se percebe, não apenas pequeno Estado nortista, o Tocantins, como em todo o Brasil, se Bolsonaro realmente for eleito, será pelas mãos da sociedade, que anseia por mudanças, e não por conchavos políticos, como sempre ocorreu. Essa independência é dicotômica. Ele não terá que cumprir compromissos eleitorais, mas, mesmo respaldado pela força do voto, talvez não consiga obter maioria no Congresso Nacional, o que pode engessar e abortar seus planos de mudanças. É aguardar para ver.

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