O ex-candidato derrotado ao governador Ronaldo Dimas (PL) ainda é considerado o maior nome das oposições no Tocantins, à frente dos senadores Eduardo Gomes (PL) e Irajá Abreu (PSD), do ex-deputado e ex-candidato a governador Paulo Mourão (PT) e dos ex-governadores Marcelo Miranda (MDB) e Mauro Carlesse (Agir). Mesmo assim, isso parece não ser muito, haja vista a pouca representatividade da oposição no momento no Estado – que quase não existe, ou existe mas não cumpre o seu papel. O governo conta com o apoio de dois dos três senadores, dos oito deputados federais e dos 24 deputados estaduais. Mas não é unanimidade.

Se não pela capacidade de incomodar o governo, Dimas ainda é um nome temido para 2026. Um nome experiente que pode se tornar a bola da vez. Mas, para se manter viável para 2026, Dimas precisa mostrar prestígio em 2024, principalmente em Araguaia, a cidade que o projetou para o Estado como um dos melhores prefeitos de sua geração, senão o melhor. Dimas foi eleito em 2012, reeleito em 2016 e em 2020 elegeu o sucessor, Wagner Rodrigues (SD), o único das grandes cidades do Estado a alcançar este prestígio.

Dimas, indiscutivelmente, fez uma excelente gestão em Araguaína. Corrigiu os gargalos de infraestrutura, resultado de crescimento desordenado, projetou longas avenidas permitindo um fluxo melhor do trânsito e dotou o município de serviços de qualidade, combinados com obras de recuperação de espaços verdes, praças e revitalização de logradouros públicos que estavam abandonados. O resultado é que Araguaína ganhou cara de cidade moderna, funcional, com cartões portais que antes não se viam, a exemplo da Via Lago, da revitalização da Feirinha e da revitalização das Praça das Nações, dentre outros.   

Wagner realiza uma boa gestão à frente da Prefeitura, até aqui. Segue o padrão montado por Dimas, que tem dados ótimos resultados. Tem uma equipe técnica competente, que estuda os problemas da cidade e que tem apresentado soluções exequíveis, o que a faz ser bem aceita pela população. Wagner tem todas as condições de disputar a reeleição com chances reais de ser reeleito.

Mas há um problema de incompatibilidade entre sua pretensão de buscar a reeleição e a relação de apadrinhado de Dimas. Wagner está tentado a aceitar convite para compor a base do governo. Portanto, pode ser candidato a reeleição na base do governador, o que o afasta obrigatoriamente de Dimas. O prefeito recentemente recebeu convite dos deputados federais Vicentinho Júnior e Lázaro Botelho para o trocar o Solidariedade pelo Progressistas (pP). Uma eventual troca de partido distanciaria Wagner de seu criador.

Nesse caso, Ronaldo Dimas lançaria outro candidato a prefeito de Araguaína ou tentaria voltar ao comando do município pela terceira vez. Se decidir voltar ao comando da prefeitura, terá eleição certa, mas estará fora da disputa de 2026. Por outro lado, sem um prefeito aliado em sua cidade, Dimas reduz bastante sua chance de disputar novamente o governo do Estado em 2026. Os governistas sabem bem disso. Portanto, derrotá-lo em 2024 em Araguaína é estratégico para enfraquecê-lo e até inviabilizá-lo para 2026.

Sem aliados fortes em Araguaína, Dimas estará mais vulnerável a aderir ao governo, como defendem algumas lideranças que trabalham nos bastidores para uma aproximação do senador Eduardo Gomes, o líder que bancou Dimas numa estratégia eleitoral que fazia conexão com o Palácio do Planalto. Dizem esses governistas que Gomes já está bem próximo do Palácio Araguaia e comporia chapa com o governador Wanderlei Barbosa para o Senado. Nas contas desses governistas, sobraria a vaga de vice para Dimas, que comporia chapa com Laurez Moreira (PDT).

Deve-se ressaltar que a movimentação do prefeito Wagner rumo à base do governo não garante que terá prioridade na disputa. O Palácio Araguaia tem preferência e até compromisso com o deputado Jorge Frederico (Republicanos). Pelo que se projeta, a disputa será entre o prefeito Wagner, que tem nas mãos a máquina municipal, e o deputado em terceiro mandato, com o apoio da máquina do Estado.

Outros nomes devem aparecer, mas não com a força desses dois mencionados. O ex-deputado Issam Saado (Solidariedade) é um nome que também integra a base do governo, da mesma forma que o também ex-deputado Elenil da Penha (MDB), atual secretário da Juventude e Esporte. O ex-deputado federal Célio Moura (PT) é um nome que também aparece bem nas bolsas de apostas, bem como o deputado e ex-vice-prefeito Marcus Marcelo (PL), que pode ser uma segunda opção de Dimas nessa disputa.

Pelo que se vê a eleição de 2024 em Araguaína será a disputa entre o prestígio político do ex-candidato a governador Ronaldo Dimas (PL) e a força da máquina partidária comandada pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), numa extensão da disputa pelo Palácio Araguaia em 2022 e que tem muito a ver com a disputa de 2026. É difícil prever o desfecho. De qualquer forma, 2024 será decisivo para Dimas continuar alimentando a pretensão de conquistar o Palácio Araguaia. Ou mostra que tem força ou terá de compor com o adversário, tendo de ficar com aquilo que lhe será oferecido.