“É possível fazer mais 140 leitos, além de aumentar 23 de UTI para 60 no HGP”

Novo secretário estadual de Saúde faz elogios ao antigo titular da pasta, mas assume cargo com o discurso de que mudanças pontuais serão feitas para adequar funcionamento da pasta ao que considera necessário

Depois de dirigir o Hospital Geral Público de Palmas, Edgar Tollini assume pasta da Saúde no Estado | Foto: Koró Rocha/Assembleia do Tocantins

O governador Mauro Carlesse (DEM) convocou o médico Edgar Tollini para conduzir a Secretaria Estadual de Saúde. Tollini assumiu o cargo em maio de 2019. O titular da pasta havia sido nomeado subsecretário em abril de 2018. Contudo, em janeiro de 2019 recebeu nova missão do Palácio Araguaia: gerir e responder cumulativamente pela direção do Hospital Geral Público de Palmas (HGPP).

O currículo de Luiz Edgar Leão Tollini é apropriado para as funções designadas pelo chefe do Executivo. Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 1989, exerceu cargos de gestão em tecnologia, administração e saúde entre 2004 e 2010 no governo do Estado de Goiás. Entre 2012 e 2013 serviu ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) no Rio de Janeiro. A partir de 2016, assumiu a direção do DAHU [Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência] do Ministério da Saúde em Brasília (DF). Já em 2017, voltou a Goiás para exercer as funções de secretário da Saúde de Aparecida de Goiânia.

No início de 2019, o sr. assumiu, ao mesmo tempo, o cargo de secretário Executivo da Secretaria Estadual de Saúde, as funções de diretor geral do HGP. Qual o balanço que faz desses cinco meses à frente na unidade hospitalar?
O HGP teve poucas mídias negativas nesse período. Um árduo trabalho, uma vez que – em razão de ser referência para os Estados do Tocantins, do Pará e do Maranhão – o hospital continua com taxa de ocupação acima de 100%. Forçoso reconhecer que ainda há uma lotação de corredor, fruto do atendimento subsequente do pronto atendimento das UPAs. Há também os atendimentos de emergência que o próprio HGP faz no seu pronto-socorro. Face ao volume de serviços e por questões de segurança médica, alguns pacientes ficam internados a título de observação. Em média, são dispensados em três ou quatro dias. Inobstante a isso, realizamos mais de 900 cirurgias por mês, o que, verdadeiramente, é um número significante.

No período em que fiquei à frente da gestão do hospital, em virtude das dificuldades do governo e pela contenção de gastos, acumulei os cargos de diretor geral, diretor técnico e a diretoria adjunta, que assessorava a parte administrativa da unidade. Enfrentamos problemas com os médicos e outros servidores em razão da implantação da Portaria nº 247, uma solicitação do Ministério Público Federal, homologada pela Justiça Federal.

Resolvemos vários problemas. Contudo, ainda há muitos outros que precisam de solução. O importante, cabe ressaltar, é que hoje tanto o sindicato dos médicos quanto o próprio Conselho Regional de Medicina têm respeito pela gestão, porque entenderam que o intuito era resolver os problemas e não criar outros. Deixei em boas mãos, nomeei diretores comprometidos com o HGP e creio que, a médio e a longo prazo, poderemos apresentar mais resultados positivos.

E quanto ao aporte financeiro de verbas que foram anteriormente bloqueadas por ordem judicial e que, agora, serão destinadas à ampliação do HGP?
São mais de R$ 32 milhões. Vamos retomar essas obras, porque é possível, dentro da estrutura e espaço disponível, fazer mais 140 leitos, além de aumentar de 23 leitos de UTI para 60. Já os centros cirúrgicos estão em fase de finalização e, possivelmente, entregues em 60 dias. Finalizaremos, em pouco tempo, 16 centros cirúrgicos e 540 leitos no HGP, o que representa, sem dúvidas, avanços para a saúde do Tocantins.

E quanto ao convite para se tornar secretário estadual da Saúde, veio diretamente do Palácio Araguaia?
Sim. Diretamente do governador Carlesse. Fizemos uma transição tranquila e harmônica com o dr. Renato Jayme, o antigo gestor que, diga-se de passagem, fez um bom trabalho à frente da pasta. Deve ser considerado o fato de ele ter assumido suas funções, junto com o governador, de forma abrupta, ante à cassação do ex-gestor, Marcelo Miranda. As circunstâncias em que eles assumiram o governo não permitiram que houvesse um planejamento mais adequado e, por tais circunstâncias, muitas ações não tiveram continuidade.

Farei, naturalmente, mudanças pontuais e características do meu jeito de gerir a pasta, trazendo profissionais que estão capacitados para o exercício dos cargos, mas que, por razões circunstanciais, estão desempenhando outras funções fora da Secretaria. Na minha visão, os cargos devem ser ocupados por pessoas que possuam capacidade, conhecimento e comprometimento. Sou adepto da meritocracia na gestão pública.

O sr. compareceu à Assembleia Legislativa para um audiência sobre saúde pública, promovida pela Comissão de Finanças, Tributação, Fiscalização e Controle. Quais foram as suas impressões?
Já havia comparecido àquela Casa Legislativa para prestar contas do 1º quadrimestre de 2019, ainda na condição de subsecretário. Apresentei a situação real da saúde no Estado do Tocantins, sem maquiagens. Me mantive aberto aos eventuais questionamentos e respondi sobre cirurgias eletivas, situações pontuais sobre centros cirúrgicos, redimensionamento da rede, desabastecimento de fármacos, ocorridos em razão da transição governamental, mas que controlaremos nos próximos 30 ou 45 dias.

Expliquei ainda, aos parlamentares, que há resultados para serem mostrados, tais como reabertura das cirurgias cardíacas no HGP, fechada desde março de 2018 e zero pacientes com aneurisma não roto, em casa, esperando cirurgia. Estamos realizando cirurgias ortopédicas e politraumas. Caminhamos, neste momento, para zerar essa fila.

Exibi, por fim, o balanço das ações realizadas na Saúde durante o ano de 2018, com destaques para a realização das cirurgias eletivas, mais de 5,7 mil procedimentos realizados, segundo dados do Sistema de Gerenciamento de Listas de Espera (Sigle), números superiores aos anos de 2016 e 2017.

Deixei claro que não faço nada sozinho, trabalho em equipe e dou autonomia para que os servidores decidam e resolvam. O nome da minha equipe é confiança. Digo sempre por onde passei: não me traga apenas problemas ou culpados! Eu também preciso que a equipe me apresente as possíveis soluções. Isso é gestão, na minha concepção.

Em razão da assunção ao cargo de secretário da pasta, as funções do sr. se estenderam para as outras cidades do Estado que também enfrentam problemas na saúde. O sr. tem em mente as ações que serão realizadas nos próximos meses?

Felizmente, recebi a notícia que em Araguaína conseguimos zerar os pacientes ortopédicos no corredor. É um avanço, sem dúvida, mas temos que manter essa regularidade, porque o HRA [Hospital Regional de Araguaína] é referência em ortopedia no Norte do Estado. Já a UTI Neonatal ainda está em fase de homologação, mas temos uma boa parceria com a prefeitura. Afinal é no hospital do município que são atendidos os bebês e também será instalada essa UTI. Quanto ao acelerador linear que tratará dos pacientes oncológicos, informo que já possui todas certificações, inclusive do CNEN. Estamos finalizando a contratualização da empresa prestadora de serviço. Meu intento é que esteja em funcionamento nos próximos 30 dias. A partir disso, os pacientes não precisarão mais se deslocar para Imperatriz (MA) para se submeterem ao tratamento químio e radioterápico.

Em Gurupi, as obras foram retomadas, mas é necessário melhorar os índices de internação. Trabalharemos para isso. Já em Augustinópolis, no Bico do Papagaio, fizemos ampliação do hospital e faremos abertura de dez leitos de UTI num curto prazo.

No Hospital Infantil e no Hospital Dona Regina [alta complexidade e gestação de alto risco], precisamos fazer adequações porque o primeiro atendimento infantil é atenção básica. Entendo que o município de Palmas precisa entrar nessa parceria e, com certeza, faremos as articulações para viabilizar convênios com o ente municipal.

Qual a avaliação do sr. sobre sua participação na reunião ocorrida recentemente no Bico do Papagaio, que discutiu a elaboração do PPA 2020-2023?
Acompanhei o governador Mauro Carlesse em Araguatins na consulta pública para a elaboração do Plano Plurianual. Representantes de municípios da região do Bico fizeram questionamentos a respeito da Saúde, aos quais respondi prontamente, a fim de subsidiá-los. Considerei, portanto, extremamente importante.

Logo que assumiu a gestão, o sr. participou da Hospitalar, considerada a maior feira de negócios e oportunidades do setor no Brasil. Qual a percepção do sr. acerca do evento?
Conversei com fornecedores no intuito de modernizar o parque de assistência, principalmente de produtos, equipamentos e insumos nos hospitais tocantinenses. Esta feira médico-hospitalar aconteceu em São Paulo e, na oportunidade, conheci o Ambulatório Médico de Especialidades Barradas (AME Barradas), unidade que recebe diariamente cerca de 700 pacientes. O principal objetivo foi atender o déficit da oferta de serviços de média e alta complexidade em regime ambulatorial, sendo referência regional de alta resolutividade.

E quanto à 9ª Conferência Estadual de Saúde ocorrida durante a semana que passou?
Muitas pessoas estiveram presentes porque esse assunto interessa a todos. Um sucesso de público. Considero de crucial importância a rediscussão do SUS como um todo, como também dos temas e problemas da saúde em datas pontuais. Essa rediscussão passa pela tratativa dos assuntos correlatos em todos os níveis de atenção, municipal, estadual e federal. Os profissionais precisam ser capacitados o máximo possível, afinal, somos responsáveis por vidas.

Essas conferências são importantes, pois trocam-se experiências que evitam repetição de erros, uma vez que sempre são apresentados “cases” de sucesso. Na última reunião do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), por exemplo, restou claro que os melhores sistemas de atenção de medicina de trânsito estão no Paraná e em Pernambuco. Temos de aprender com eles, naturalmente. Por exemplo, hoje no HGP 85% dos traumas são consequência de acidentes com motocicletas e ciclomotores.

Há algum assunto que o sr. considera importante abordar e que não perguntei?
Reitero que a gestão em saúde é focada em resultados e temos que apresentar para a população os avanços obtidos. Temos compromissos, mesmo porque são 18 unidades hospitalares espalhadas pelo nosso território, entre as quais, cinco de grande porte, o HGP, a maternidade Dona Regina e o Hospital Infantil em Palmas, além dos Regionais de Araguaína e Gurupi. Além disso, gerenciamos aproximadamente 13 mil servidores vinculados à Pasta e isto não é tarefa muito fácil. É uma máquina que, para funcionar, depende muito da capacidade e do comprometimento dos profissionais da saúde.  Conto com todos. Que Deus nos abençoe!

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