“Dianópolis será de novo a Princesinha do Sudeste”

“Padre Prefeito” afirma que entrou na política para “fazer o bem à comunidade” e elenca avanços nos primeiros 8 meses de seu mandato

Natural de Dianópolis, Gleibson Moreira disputou a eleição à prefeitura da cidade em 2016, pelo PSB, sendo eleito com mais de 65% dos votos válidos. Ele cursou seminário em Porto Nacional. É graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Goiás e Teologia pelo Seminário Interdiocesano do Divino Espírito Santo, de Palmas. Atuou como pároco na cidade de Almas, sendo posteriormente ordenado padre, quando assumiu a mesma paróquia. Após um ano e meio, foi designado para dirigir a paróquia de Dianópolis, onde permaneceu por seis anos.

Nesta entrevista, ele expõe sua trajetória, seus princípios e valores, as perspectivas para o mandato 2017/2020, bem como as realizações ocorridas nos oito primeiros meses de gestão.

Na eleição o sr. enfrentou um grupo político fortíssimo — que exerceu o poder por muitos anos em Dianópolis —, na pessoa do ex-prefeito José Salomão (PT). A sua votação foi expressiva, ultrapassando os 65% dos votos. Como avalia essa aceitação ao seu nome e vitória nas urnas?
Na realidade, minha decisão de disputar um cargo público partiu de um clamor popular. Senti que a comunidade queria algo novo e, considerando o trabalho social e comunitário que eu desenvolvia há seis anos, na condição de religioso, creio que isso teve grande peso na escolha do meu nome para ocupar o cargo de prefeito. Vi de maneira muito positiva a expressiva votação, e considero que foi uma prova de confiança da população em meu trabalho. Quanto à campanha em si, não parti para embates pessoais, brigas ou rivalidades. Eviden­temente houve situações de disputas, como em todo pleito, o que é absolutamente normal, contudo, a linha adotada foi a necessidade de mudança, de fazer algo novo para o município.

Quais são os entraves que os padres enfrentam no seio da Igreja Católica, quando decidem trilhar os caminhos da política?
O Papa Francisco é muito aberto para os novos tempos. Ele preceitua que temos que fortalecer uma igreja de portas abertas, voltada para missões, com cheiro de povo. Uma igreja, enfim, de poeira no chão ou lama nos pés. Mesmo entrando para a vida política, com autorização da igreja para tanto, a essência do ministério prevalece, tanto que sou conhecido como “Prefeito Padre” ou “Padre Prefeito”, ou seja, está implícito. No momento, com a finalidade de não criar nenhum tipo de rivalidade política, visto que a igreja preza a unidade, não administro nenhuma paróquia. Participo das celebrações ministradas pelo bispo e nas demais atividades religiosas, participo como cidadão comum.

Há algum tempo, internamente, me manifestei no sentido de que a política é o grande meio, quando visamos praticar o bem comum, parafraseando o grande filósofo Aristóteles. O nosso grande Mestre Jesus Cristo, quando fala da Lei do Amor, visa também, essencialmente, o bem comum. Então, minha decisão de entrar para a vida política nada mais é do que a vontade de colocar em prática esse preceito, beneficiando toda comunidade.

Considerando que o sr. nunca havia se filiado a qualquer sigla partidária, quais razões o levaram escolher o PSB?
Minha ida para o PSB tem consonância com a linha histórica do partido, que vai muito além dos preceitos socialistas. As atividades partidárias dos conselhos, o modelo de gestão pautado pela eficiência, a luta por uma sociedade mais justa e mais igualitária e, também, os projetos sociais – características marcantes do partido – sempre chamaram minha atenção. Então, de forma muito livre, escolhi essa sigla e me senti muito acolhido, além de ter identificações pessoais com o número do partido e suas cores, e tudo isso foi encaixando gradativamente.

Há poucos dias, o PSB sofreu um revés, quando vários prefeitos migraram para o PSDB, enfraquecendo logicamente a sigla no Estado. Como o sr. viu essas baixas e qual o posicionamento do partido?
Não me sinto no direito de fazer qualquer julgamento. Vejo as trocas com muita naturalidade, sem espanto, e que podem ocorrer com qualquer político. Os gestores que deixaram a sigla são companheiros queridos que contribuíram, ao seu modo, com o crescimento do PSB no Tocantins.

Independentemente de questões partidárias, prezo muito a amizade de todos eles, entre os quais, Laurez Moreira, prefeito de Gurupi, Miyuki Hyashida, gestora de Brejinho de Nazaré, e Cleiton Batatinha, administrador da cidade de Cristalândia. Me relaciono com muita tranquilidade com políticos detentores de mandato e filiados em outras agremiações partidárias. Registro que muitos deles, entres os quais deputados e senadores, têm ajudado muito o nosso município com emendas parlamentares, sem exigência de contrapartidas.

“Acredito na força do turismo. as pessoas vão para dianópolis, se hospedam lá e giram a economia da nossa cidade”

E quanto à bancada na Câmara de Vereadores, o sr. conseguiu eleger uma base de sustentação?
Elegemos 5 vereadores de um total de 11 membros. Logo após a posse, um deles manifestou apoio à nossa gestão, quando passamos a ter maioria absoluta. Os demais têm adotado uma linha mais oposicionista, entretanto, vêm se mostrado dispostos a votar matérias que possam beneficiar a cidade. Vejo o parlamento municipal muito prestativo e não tenho nada a reclamar da atuação dos vereadores, uma vez que não há uma oposição ferrenha ou irracional.

No tocante às suas movimentações políticas com os parlamentares estaduais e federais, é satisfatório?
Levei o convite hoje (17) à Assembleia Legislativa para que os parlamentares participem da festa de aniversário da cidade e fui muito bem recebido. Por se tratar de uma cidade histórica, a receptividade foi além das expectativas e muitos deles colocaram os gabinetes à disposição para contribuir e ajudar o município.

No que concerne à bancada federal, também tenho bom contato com todos, exceto o deputado Lázaro Botelho (PP), porque acredito que ele esteja mais ligado à região que representa: o Norte e o Bico do Papagaio. Com os demais, Dulce Miranda (PMDB), Josi Nunes (PMDB), Gaguim (Podemos), Vicentinho Jr. (PR) e Professora Dorinha (DEM), o contato é estreito e eles, também, têm direcionado várias emendas para a nossa cidade.

No dia 26 de agosto a cidade completará 133 anos de emancipação política. Quais são as perspectivas?
Vai ser uma semana de festa, de 21 a 26 de agosto, a maior festa da história, sem dúvidas. Além de momentos culturais, esportivos e religiosos, vamos ter vários shows com artistas locais e nacionais, como Juraíldes de Cruz, Calcinha Preta e Chicabana no encerramento da festa, no dia 26. Enfatizo, desde já, que todos os tocantinenses estão convidados a celebrar conosco esse grande momento.

É necessário ressaltar a importância da cidade de Dianópolis para a região Sudeste, mesmo porque somos uma referência para municípios vizinhos. Além dos eventos festivos, haverá inauguração de obras, como reforma de escola, asfalto, Unidade Básica de Saúde, além do momento de Ação Social que faremos em conjunto com Defensoria Pública, órgãos do Estado, Sebrae, Unitins e Unirg.

A cidade é famosa, também, pelo carnaval fora de época. Qual é a importância do turismo para região?
O momento econômico é muito delicado. Nestas horas, surge o desemprego e as dificuldades. Acredito na força do turismo, porque as pessoas que viajam para lá, se hospedam, se alimentam, consomem enfim, girando a economia da nossa cidade.

Além disso, em razão de aglomerar órgãos públicos federais e estaduais, como também grandes comércios e boa rede hoteleira, as populações das cidades vizinhas, como Rio da Conceição, Almas, Porto Alegre, Novo Jardim, entre outros, consomem em nossa cidade e isso movimenta a economia local. Em breve, voltaremos a fazer jus ao título de “Princesinha do Sudeste”, como a cidade foi conhecida por longos anos.

Em relação a concretização do campus da Unitins na cidade, há poucos dias, o sr. participou de uma reunião com a reitora daquela instituição. Qual foi o resultado deste encontro?
A Unitins já está instalada na cidade – em imóvel provisório cedido pelo município – e estão disponíveis os cursos de direito, administração de empresas e ciências contábeis. A luta agora é para construir o campus, porque o prefeito anterior já havia cedido um imóvel, contudo, essa cessão deve ser renovada pela Câmara de Vereadores. Os parlamentares municipais certamente estão muito interessados em atender a comunidade acadêmica. Após a regulamentação legal, iniciaremos os contatos políticos com o governador, senadores, deputados federais e estaduais para obtenção de recursos e emendas parlamentares que possam viabilizar a construção do campus.

Qual a real vantagem para o município implantar a nota fiscal eletrônica, como foi feito há poucos dias?
Havia uma grande evasão de receitas. Tivemos o cuidado de projetar e lançar a nota fiscal eletrônica que, se a princípio parece algo comum para o século XXI, até no dia 31 de julho deste ano não tínhamos essa ferramenta disponível. Por perceber a urgência desta transformação e o enquadramento nesse moderno processo de arrecadação, criamos o sistema. Estamos avançando no campo tecnológico e isso é de crucial importância para o ente municipal.

Conhecida por ser uma região que sofre com as secas anuais, qual sua visão acerca do Projeto “Barraginhas” (pequenas barragens), sob responsabilidade do governo estadual?
É válido e de extrema importância. O governo entregará, nos próximos dias, entre 180 e 200 “barraginhas” na nossa região. Ao contrário do que muitos pensam, essas pequenas barragens não têm a finalidade apenas de estocar água nos períodos de seca, mas também alimentar o lençol freático que, por conseqüência, fornece água para o poço artesiano ou cisterna que o pequeno agricultor utiliza durante todo ano.

Qual sua avaliação acerca da Comissão Especial de Estudos para o Novo Ordenamento, Econômico, Administrativo, Social e Político do Tocantins, denominado Cenovo, que o deputado Paulo Mourão (PT) levou até a sua cidade há poucos dias?
Uma louvável iniciativa do parlamento tocantinense. Esse novo ordenamento, essa estratégia e discussão das demandas em audiências públicas, é de crucial importância para o processo democrático. Às vezes, a solução é impossível naquele momento, contudo, o fato de discutir as possíveis saídas já é válido e contribui muito para o debate e elaboração de novos projetos.

Quais os avanços que o sr. considera como preponderantes nestes oito meses à frente da Prefeitura de Dianópolis?
No início da gestão, concedi o aumento relativo à data-base de 2016 dos servidores do quadro-geral e garantimos o piso salarial dos funcionários da educação. Conseguimos implantar – em parceria com o Estado do Tocantins – o Corpo de Bombeiros na cidade, cedendo o prédio municipal e arcando com despesas de água, energia e telefone.

Também pude implantar uma escola de ensino fundamental em um setor carente, com 250 vagas. Assumimos uma creche que era mantida por uma parceria do Estado com a maçonaria.
No que concerne às estradas vicinais, já recuperamos, em parceria com o Dertins, mais de 400 km de vias.

Nossa gestão preza, ainda, pela eficiência no transporte escolar, que é feito até o Instituto Federal localizado a mais de 8 km da cidade, como também priorizamos a limpeza e iluminação pública.

Adquirimos veículos para atender as demandas do gabinete e da saúde e, além disso, estamos nos organizando para comprar mais um automóvel para servir a educação. Posso garantir que foram oito meses de avanços.

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