“Defendemos as pessoas e os princípios cristãos. Somos contra a política de gênero nas escolas”

Vereador diz formação da Bancada da Família na Câmara de Palmas foi uma resposta a pedido da igreja para que parlamentares se posicionassem sobre o tema

Vereador Gerson Alves

Gerson Alves atualmente é empresário no ramo da terceirização de mão de obra e serviços. Contudo, o início do seu protagonismo se deu quando empreendeu na área de pequenos produtos importados. Daí surgiu o nome que foi para as urnas em 2012: “Gerson da Mil Coisas”. Ele garante querer voltar a exercer tais atividades, novamente, a partir de 2020.

Eleito em 2012 vereador em Palmas, foi reeleito em 2016, sempre pelo PSL. Nascido em São Domingos (MA), é pioneiro da capital do Tocantins e ajudou a construir o “sonho feliz de cidade” a partir de 1993, chegando a morar em barraco de lona na zona norte do município. Foi feirante e, após considerável esforço, graduou-se em administração de empresas na Faculdade Objetivo, com pós-graduação em gestão pública, pelo ITOP.

Como iniciou sua carreira política?
Após muita insistência da comunidade da Quadra 305 Norte, ainda em 2006, me tornei presidente da Associação dos Moradores. Antes deste episódio, achava que política não era para mim, em que pese eu prestar – sem sequer perceber – um trabalho comunitário, em função das atividades religiosas na igreja católica, como também em forma de pequenas doações aos mais necessitados e carentes, na condição de comerciante.

Incentivado por essa comunidade, tentei me candidatar em 2008 a vereador em Palmas. Entretanto, por questões partidárias e outros entraves, não consegui registrar a candidatura.

Me reorganizei e, em 2012, fui candidato a vereador em Palmas. Obtive êxito após angariar aproximadamente 1,7 mil votos. Já em 2016 fui reeleito, praticamente pela mesma base sem prometer empregos, regalias, nem tampouco “comprar” votos. Fiz campanhas simples, mas robustas, baseada na unidade da família e na minha atuação, quer seja como pessoa ou como detentor de cargo público.

No primeiro mandato o sr. chegou a assumir a Secretaria Municipal de Cultura e a presidência da Fundação Cultural, uma prova inequívoca dos seus laços com o ex-prefeito Carlos Amastha.
Eis uma verdade. Foi uma experiência ímpar que durou aproximadamente um ano e me proporcionou muito aprendizado. Ali pude atuar como gestor da coisa pública, fazendo as coisas acontecerem. Foi realmente gratificante.

É muito diferente do exercício do cargo no Legislativo, porque no parlamento elaboramos requerimentos e, se aprovados, entram na fila para serem executados. Como gestor é muito diferente, porque temos o poder da decisão e isso pode mudar diretamente a vida das pessoas.

O fato de ter permanecido na base do prefeito por quatro anos contribuiu para sua reeleição?
No meu singelo ponto de vista, Amastha assumiu em 2013 e herdou uma cidade bagunçada e cheia de problemas, como ruas esburacadas e até mesmo falta de coleta de lixo. Um verdadeiro absurdo.

Ele levou muitos benefícios para a Região Norte após minhas solicitações e requerimentos. Foram mais de 30 obras após o fim do primeiro mandato, como a construção e aparelhamento da Praia da Arnos, revitalização de avenidas e rotatórias, etc.

Havia também, até então, um descaso com a Região Norte. Aquela importante avenida, ao lado do Detran, ficou sem asfalto por 27 anos. Porém, foi pavimentada no governo do Amastha. Já a Quadra 405 Norte – num verdadeiro desrespeito com a comunidade – foi asfaltada pela metade, evitando-se pavimentar a parte que necessitava de drenagem.

Já a escola Pequeno Príncipe (407 Norte) era um obra inacabada há mais de dez anos. No governo do ex-prefeito, as obras foram concluídas. Isso são apenas alguns exemplos. Veja: as unidades de saúde funcionavam em prédios alugados e hoje são todos próprios.

Foram muitos avanços, não há como não reconhecer. Respondendo ao seu questionamento, penso que o fato de estar ligado a esta gestão contribuiu, sim, positivamente para minha reeleição.

Naturalmente, a população da Região Norte viu no sr. um poder de transformação e, por isso, lhe concedeu mais um mandato em 2016. Sua linha de atuação foi alterada para essa nova jornada?
Após o primeiro mandato, que foi repleto de aprendizado, me tornei mais experiente. Posso dizer que pude agir mais em relação ao secretariado, pois sabia como fazer e onde articular. Muitas demandas não se resolvem apenas com a aprovação do requerimento da Casa Legislativa. É preciso muito mais do que ação parlamentar para que elas sejam executadas.

Vou exemplificar: a prefeitura já se comprometeu a duplicar a via que divide as Quadras 305 e 405 Norte. Contudo, minha contrapartida foi uma emenda na ordem de R$ 200 mil para uma obra que vai custar cerca de R$ 400 mil. Logicamente que, podendo utilizar minha emenda para conclusão da obra, aumenta a possibilidade dela ser executada brevemente.

O que ainda há para ser proposto e feito neste restante de mandato que se encerra ao final de 2020?
Sinto uma certa dificuldade para falar das coisas que eu fiz, mas algumas delas devem ser ressaltadas: não roubei dinheiro público, não atrapalhei os projetos dos colegas e do executivo que beneficiavam a cidade e a população, como também nunca priorizei os projetos pessoais. Isso é muito importante, porque assim como o Congresso está travando o País neste momento, os legislativos municipais também podem travar as prefeituras.

Neste tempo de vereança, elaborei muitos requerimentos e fui atendido em vários deles. Ainda há muito a ser feito no período que resta, contudo, não pode ser colocado de lado a função mais importante de um vereador: fiscalizar o Poder Executivo na condução das políticas públicas e aplicação dos recursos.

O que posso dizer em relação ao ano e meio que ainda resta é que ele será pautado pelo compromisso com a cidade e seu povo. Estarei atento às demandas e necessidades da população. Isso basta.

O sr. se adaptou à modernidade e colocou um número de Whatsapp à disposição da população para receber queixas, denúncias demandas. Qual o resultado?
Surpreendente. O número é (63) 98464-1717. As pessoas ligam, registram sua reclamação ou necessidade e eu, na condição de parlamentar, tento resolver as questões junto ao poder público. Deu muito certo e esta ferramenta está anunciada em outdoors, busdoors e outros meios de comunicação. A ideia é fazer uma interação com a sociedade, trazendo meu gabinete para mais perto do povo.

A Câmara investigou, através de uma CPI, o rombo milionário ocorrido no PreviPalmas. O sr. foi escolhido um dos membros da Comissão, que concluiu os trabalhos no início do mês deste mês de julho. Qual a sua avaliação acerca do que foi, efetivamente, apurado?
Participei desde o início da CPI, quando ela era presidida pelo ex-vereador e hoje deputado Junior Geo. Participei ativamente da segunda etapa, conduzida pelo vereador Milton Neris. Levantamos dados e obtivemos depoimentos que demonstram, detalhadamente, como foram realizadas as aplicações financeiras.

Achei importante participar em razão do grande prejuízo que o Instituto Previdenciário experimentou. Era necessário investigar, colher dados e indicar os culpados. Aqueles que cometeram excessos devem ser punidos. Creio que a CPI cumpriu o seu papel, deu resposta para a sociedade e para os servidores públicos. Eles ansiavam por uma investigação séria e queriam ter, pelo menos, a chance de reaver os recursos indevidamente aplicados em fundos podres.

A outra polêmica, que fez parte da rotina da Câmara de Vereadores no primeiro semestre, foi a atuação da BRK Ambiental, concessionária responsável pelo fornecimento de água e esgoto. Qual a sua percepção sobre o posicionamento do parlamento em relação a esta empresa?
Na minha opinião, a BRK usa e abusa dos palmenses e, porque não(?), dos tocantinenses. Portanto, é necessário uma espécie de intervenção, que rediscuta as tarifas e os subsídios. Por exemplo, quando há 20 anos foi instalada a rede de esgoto na Região Norte de Palmas, a promessa era que nos primeiros cinco anos o custo seria 80% do valor da água, para cobrir os investimentos. Após esse decurso de tempo, o percentual seria reduzido gradativamente até chegar aos 30%. Entretanto, isso jamais ocorreu e, neste caso, a população foi lesada.

Assim sendo, minha opinião é que a Câmara de Palmas acertou ao revogar os aditivos número 2 e 3, obrigando a concessionária a se submeter à fiscalização da Agência Municipal de Regulação ao invés da Agência Estadual.

Além disso, assumimos o protagonismo desta luta ao reunirmos os presidentes de outros parlamentos municipais e discutirmos profundamente o tema. O subsídio cruzado prejudica os contribuintes e deve ser revisto.

O sr. encabeçou a formação da Bancada da Família na Câmara de Vereadores, da qual é presidente, composta por lideranças evangélicas e católicas. Qual a importância dessa Frente?
Defendemos as pessoas e os princípios cristãos. Somos contra a política de gênero nas escolas e fomos, inclusive, procurados por representantes das igrejas para que nos posicionássemos. Assim o fizemos e fomos totalmente contrários a implantação dessa política nas escolas municipais.

As igrejas são vitais, desempenham um papel importante na sociedade e oferecem, muitas vezes, mais políticas públicas que os próprios governos. Há um verdadeiro resgate de vidas e almas. Isso precisa e deve ser valorizado. 

O PSL, partido ao qual o sr. está filiado há mais de 10 anos, experimentou uma avalanche de filiações após o “fenômeno Bolsonaro”. Qual é a sua visão acerca da política partidária?
Vi de forma muito positiva. Me identifico com as ideias do presidente, não em sua totalidade, mas pelo menos 80% delas. Não concordo com a “farra das armas”, por exemplo, mas defendo que se o cidadão obedecer os critérios e preencher todos os requisitos, ele deve ter sim o direito de ter uma arma para se defender.

Acredito que as bases do governo Bolsonaro são boas e o melhor: foi eleito sem gastar grandes fortunas e sem fazer compromissos com os grandes caciques da política. O governo não foi loteado. Neste ponto, reside a possibilidade de mudar o País. Digo mais: se ele não conseguir, ninguém – que tenha rabo preso – também não conseguirá.

O partido recebeu vários filiados, se fortaleceu muito e isso foi muito importante para todos nós, que lutamos pela agremiação há muitos anos. Com toda certeza, estaremos muito mais solidificados nas eleições municipais de 2020.

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