“Cultura da soja gera emprego e renda e dá força à economia de Fátima”

Prefeito da pequena cidade da região de Palmas enumera conquistas, mas reclama de fechamento da agência do Banco do Brasil no município

Foto: reprodução

Tocantinense da cidade de Fátima, graduado em Direito pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Gurupi (Fafich), hoje incorporada pela UNIRG, Washington Vasconcelos foi eleito prefeito em 2016, com 39,97% dos votos válidos.

Nesta entrevista, o prefeito relata suas conquistas após um ano no comando do Paço Municipal, seus esforços administrativos, os avanços da gestão sob o seu comando e a retomada do crescimento econômico da cidade, cuja população não chega a 4 mil pessoas e IDH de 0,697.

É sabido que os prefeitos brasileiros em todos os Estados enfrentam problemas financeiros sérios. Como o sr. recebeu a notícia que o empréstimo contraído pelo governo estadual, na ordem de R$ 500 milhões, vai beneficiar todos os municípios com R$ 1 milhão para cada um deles?

Essas verbas são carimbadas para serem investidas em infraestrutura. No nosso caso, faremos pavimentação asfáltica de alguns bairros, como também, parte do centro da cidade. Ao final da empreitada, aproximadamente 80% da cidade estará pavimentada.

O seu município tem cumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)?

Sim, esta é uma das nossas prioridades e tenho procurando cumprir todos os itens e exigências. Temos investido mais 32% em educação, 18% em saúde e controlamos, rigorosamente, o índice de despesas com pessoal. Então, preenchemos os requisitos da LRF de forma tal que tenhamos nossas contas aprovadas pelo poder legislativo e órgãos de controle e cumprir a legislação.

Falando em Legislativo Municipal, como é o seu relacionamento com os vereadores?

Conseguimos eleger quatro dos nove vereadores, contudo, a ampla maioria dos nossos projetos tem sido aprovados pelo parlamento. Posso garantir que 80% das votações das nossas propostas são chanceladas com nove votos.

Fizemos uma grande discussão na Câmara, sobre a criação do Fundo de Previdência Municipal, de forma tal que nossos servidores passassem a ter mais garantias, através de um regime próprio de previdência. Conseguimos demonstrar para os vereadores a supremacia do interesse público, não apenas em razão dos interesses dos servidores – no caso de auxílios e aposentadorias – como também, do próprio município, que passou a economizar, uma vez que o porcentual do INSS é 20%, enquanto nosso índice não chega a 14%. O Instituto Previdenciário Municipal tem se consolidado e, em pouco tempo de funcionamento, já possui mais de R$ 200 mil em caixa.

Quando se fala em Fátima, somos remetidos à imagem de uma cidade que nasceu e se desenvolveu as margens da BR-153, e nestas circunstâncias, tornou-se apenas uma espécie de passagem de viajantes. Qual é a base da economia local?

Aproveitamos o máximo essa rota de passagem, uma vez que nossa cidade é a bifurcação para o Norte, para o Sul, Leste e Oeste. O trevo que dá acesso à capital, Palmas, também se localiza em nosso território e isso, naturalmente, é muito explorado pelo comércio local.

Além disso, a cultura da soja tem se expandido em nosso município, transformando a realidade do comércio local, gerando emprego e renda, alavancando o setor de prestação de serviços, além da valorização das áreas rurais.

Se antes tudo girava em torno dos salários dos servidores públicos estaduais e municipais residentes na cidade, hoje essa realidade foi totalmente modificada.

Na época da seca, o seu município é muito afetado pela falta de água tratada?

Sim, infelizmente. Os mananciais – mais de cinco córregos – antes caudalosos, hoje encontram-se esgotados e nossas reservas advém de poços artesianos. A antiga empresa pública, Saneatins, concessionária responsável pelo saneamento, assumiu o patrimônio da Saneago, em 1988, e nunca aprimorou ou fez quaisquer melhorias no sistema, apenas o utilizou. Sua substituta, BRK Ambiental, manteve a mesma postura e, atualmente, em razão do sistema estar ultrapassado e precário, passamos por muitas dificuldades com a falta de água tratada.

O sr. enfrenta outro problema: o fechamento da única agência do Banco do Brasil na cidade, que atendia também as cidades circunvizinhas. Quais são as providências adotadas pela gestão para solucionar o problema?

Realmente, esse acontecimento tem nos trazido grandes desgastes. Essa agência atendia, também, as cidades de Oliveira, Santa Rita, Nova Rosalândia, além dos transeuntes que passam diariamente pela nossa cidade. Em razão de assaltos, a superintendência da instituição financeira decidiu fechar as agências bancárias de Fátima, Brejinho de Nazaré, Natividade e Filadélfia, entre outras.

Isso nos causa, obviamente, uma evasão de divisas para esses municípios, na medida em que os usuários viajam para outras cidades para utilizarem os serviços e terminais do banco e, muitas vezes, gastam o dinheiro por lá mesmo.

Houve uma intervenção dos senadores Vicentinho e Ataídes Oliveira, junto à Superintendência do Banco do Brasil na Capital Federal, mas até o momento, não há perspectivas de reabertura da agência que, diga-se de passagem, era superavitária. Os números internos da instituição demonstram que nossa sucursal apresentou resultados mais positivos que a agência de Paraíso do Tocantins, por exemplo, visto que há um grande número de inadimplentes naquela praça – e não estou falando de forma proporcional e sim de números reais.

Há pouco tempo o governo federal duplicou a BR-153 no perímetro urbano de Fátima. Isso melhorou, de alguma forma, o desenvolvimento da cidade?

Por mais incrível que possa parecer, não teve o impacto que esperávamos. A ausência de audiências públicas que discutissem o tema resultou na falta de acessibilidade. A cidade é cortada pela rodovia, grande vitrine comercial, mas que isolou, em demasia, o lado esquerdo do lado direito, como também, as comunidades. As passarelas foram construídas em locais inapropriados, assim como o retorno para os veículos de passeio ou de carga. Por isso, temos feito intervenções contínuas junto ao DNIT [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes], na tentativa de minimizar tais dificuldades.

Recentemente o sr. foi convidado pelo Sebrae para participar do “Fomenta Nacional”. Como foi essa experiência?

Foi uma verdadeira aula acerca da Lei Complementar nº. 147/2014, que estabelece diretrizes para valorização do microempreendedor e empresas de pequeno porte. Essa parceria/consultoria com Sebrae é excelente uma vez que hoje os maiores clientes desses pequenos empresários são os poderes públicos, municipal, estadual e federal.

O Fomenta Nacional tem objetivo de aproximar os pequenos negócios de compradores públicos. O evento é realizado a cada dois anos e traz em sua programação uma série de palestras, painéis, oficinas, seminários temáticos e internacionais, apresentações de casos de sucesso, além do encontro de oportunidades realizado entre pequenos negócios fornecedores e gestores públicos.

A proposta do Sebrae é criar um efeito multiplicador dos resultados obtidos em virtude das discussões acerca do tema Compras Governamentais.

E por qual razão o sr. foi um dos convidados do Sebrae para participar do encontro?

Segundo o Sebrae, são 20 municípios no Estado do Tocantins que estão cumprindo, plenamente, os preceitos da Lei Complementar nº. 147/2014, entre os quais Fátima, especialmente no campo da agricultura familiar, compras diretas, geração de renda, etc.

Esse convite demonstra que nosso trabalho está sendo reconhecido, a partir do incentivo aos pequenos negócios e da consolidação da Lei Geral em Fátima.

O sr. é filiado ao PSD. Quais são suas afinidades partidárias e convicções ideológicas?

Estou filiado há mais de oitos anos, desde a criação da sigla pelo Gilberto Kassab, por acreditar na linha ideológica do partido. Tenho um bom contato com o presidente estadual do partido, deputado Irajá Abreu, o qual tem me dado respaldo com emendas parlamentares para nosso município. Creio que ele tem feito o que está ao seu alcance, mesmo porque, a representatividade dele se estende a várias cidades.

E quais são os deputados estaduais que têm representatividade na sua região geopolítica?

Posso dizer que os deputados Nilton Franco, Eduardo Bonagura, Toinho Andrade e até mesmo, o deputado Paulo Mourão que, em que pese ser irmão do adversário político Luiz Mourão, tem destinado emendas parlamentares para nosso município. Minha relação com os deputados estaduais é institucional, contudo, com esses que foram relacionados é bem próxima.

Na eleição de 2016, o sr. obteve êxito superando um grupo político tradicional da cidade, liderado pela família Mourão. A diferença mínima, de 16 votos, demonstra que a disputa foi acirrada. Qual a sua avaliação do sufrágio?

Uma eleição muito mais do que disputada, uma vez que obtive 1.028 votos e o adversário 1.012. Foram apenas 16 votos de diferença. Costumo brincar que aumentei em 100% a diferença, porque na outra vez que ganhei uma eleição no município, havia sido por oito votos de frente (risos).

Governei a cidade entre 2005 e 2008. Tentei a reeleição, mas perdi. Em 2012, apresentei meu nome às urnas, entretanto, não obtive êxito novamente, perdendo por pouco mais que 150 votos.

Na verdade, há três grupos políticos na cidade: o que eu participo, Mourão e Mascarenhas. Ora os grupos se unem, ora se afastam… Em 2004, por exemplo, ganhei a eleição aliado ao grupo Mourão. Quando disputei em 2008, os grupos adversários se uniram e me derrotaram. Em 2012, a parceria deles se repetiu e, novamente, perdi a eleição. Por fim, em 2016, aproveitando o racha entre eles, me aliei ao grupo do Mascarenhas e ganhei a eleição contra o candidato Luiz Mourão.

Os grupos políticos tradicionais são os deles. Na realidade, eu que sou o intruso e ganhei esse espaço, após muita luta e dedicação.

Quebramos, na última eleição, um paradigma: o mito que os Mourão não perdiam em Fátima. Referido grupo sempre estava no poder, quer seja por ter ganhado a eleição, quer seja pelo fato de ter se aliado ao vencedor. Desta vez, reescrevemos a história.

A que fator o sr. atribui essa vitória?

Além do reconhecimento da comunidade ao nosso trabalho – no exercício do cargo de prefeito ou não – a junção de forças, que resultou na aliança a um forte grupo político, como já havia dito.

Uma resposta para ““Cultura da soja gera emprego e renda e dá força à economia de Fátima””

  1. Avatar peter teodor popov disse:

    onde chega a soja a agua vai embora

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