“A corrupção no Tocantins virou um câncer”

Candidato do Pros ao governo, senador diz que, se eleito, pretende dar reajuste aos servidores da educação, saúde e segurança pública

Gilson Cavalcante

Gilson Cavalcante

Gilson Cavalcante

Guindado à condição de senador, com a morte de João Ribeiro (PR), Ataídes Oliveira, candidato a governador pelo Pros, pretende administrar o Tocantins para combater a corrupção e estancar a sangria do dinheiro público. Pelos seus cálculos, o índice de corrupção no Estado chega ao patamar de 30%. Constam ainda de seus planos, caso seja eleito, a concessão de reajuste de 15% aos servidores da educação, saúde e segurança pública, até julho de 2015, e incentivar o desenvolvimento com incentivos fiscais. “Outra ação que pretendemos implantar é a redução da tarifa de energia elétrica em 10%, retirados da alíquota do ICMS. Vamos também reduzir o preço dos combustíveis (gasolina e álcool) em 10 pontos porcentuais”, sustenta o candidato.

Nos seus pronunciamentos o sr. tem falado com veemência em combater a corrupção. Caso seja eleito, que tipo de ação vai implementar nesse sentido?
A corrupção no Tocantins virou um câncer, em estado de metástase. A corrupção nesse Estado tem, inclusive, porcentual determinado, lamentavelmente.

Que porcentual é esse?
Esse porcentual que a gente escuta no mercado por aí é algo em torno de 30%.

E sobre propostas, concretamente?
Quando assumirmos o governo, em 2015, vamos implantar, já em março, o passe livre para os estudantes universitários e para os alunos de cursos profissionalizantes. Outra ação que pretendemos implantar é a redução da tarifa de energia elétrica em 10%, retirados da alíquota do ICMS. Vamos também reduzir o preço dos combustíveis (gasolina e álcool) em 10 pontos porcentuais. A partir de julho de 2015, vamos conceder um aumento de 15% nos vencimentos dos servidores da educação, saúde e segurança pública. E aí me perguntam: “de onde você vai tirar esse dinheiro?”. E eu respondo: vou tirar da corrupção. O dinheiro da corrupção dá para para cobrir tudo isso e ainda vai sobrar.

O ex-governador Siqueira Campos chegou propalar durante sua campanha eleitoral, em 2010 que “se não roubar dá pra fazer”, deixando implícito que o governo na época era corrupto. Siqueira fez alguma coisa, conseguiu combater a corrupção?
O povo já respondeu. Não fizeram nada. E se não fizeram nada, presume-se que alguma coisa aconteceu de errado. Então, essa proposta nossa registrada em cartório, nos 30 primeiros dias de governo nosso, vamos estancar a sangria do dinheiro público, essa danosa corrupção. Ainda no primeiro mês de nossa administração, vamos equilibrar as contas públicas, que estão uma verdadeira balbúrdia. Ou seja, fazendo essas duas coisas, vai sobrar também muito dinheiro para a saúde, para investir na segurança e na educação, essas três áreas prioritárias.

Qual a capacidade de endividamento do Estado? O sr. acredita que dá para realizar todos esses investimentos com poucos recursos?
O Tocantins, segundo o Ibope, é o vigésimo terceiro Estado hoje em transparência. Ou seja, aqui ninguém sabe nada. Quer dizer, não há transparência, mas nas minhas contabilidades, o Estado está devendo hoje R$ 4 bilhões. Ou seja, sai de R$ 600 milhões desse governo e foi para R$ 4 bilhões. Com a receita estimada em mais de R$ 7 bilhões para este ano, evidentemente que esse endividamento compromete sim, mas o Tocantins é muito rico. Então, vem aí o terceiro ponto de nossas propostas, que é alavancar a economia do Estado. Nós vamos trazer investidores para cá.

Mas isso implica investimentos também em logística…
Sim, mas quando se acabar com a corrupção e equilibrar as contas públicas, vai sobrar dinheiro, inclusive, para qualificar a nossa mão de obra. Temos que ter uma política fiscal séria, investir em infraestrutura, saneamento básico. Temos que construir em centro de convenções para que os empresários venham realizar seus congressos e seminários, quando a gente terá a oportunidade de apresentar as potencialidades do Tocantins. Nossas riquezas, tanto nos negócios, quanto no turismo ecológico e religioso.

Alavancar a economia e o desenvolvimento do Estado significa oferecer incentivos fiscais a possíveis investidores?
Evidentemente que sim. Temos que fazer o nosso dever de casa e ter atrativos para chamar esses investidores, até porque o Tocantins tem muito a oferecer a eles, principalmente no agronegócio, segmento que vamos explorar veementemente, porque esse é carro-chefe da nossa economia, junto com a pecuária, a produção de energia elétrica e a exploração de minérios. Portanto, essa redução de impostos tem que acontecer, porque do contrário, vamos continuar refém do governo federal, apesar de todas essas nossas riquezas.

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“Temos de diminuir impostos para atrair investidores. o Tocantins tem muito a oferecer a eles, principalmente no agronegócio, que é o carro-chefe da nossa economia, junto com a pecuária, a produção de energia elétrica e a exploração de minérios”

Adversários seus têm dito que a sua candidatura é mais para o sr. ganhar mais visibilidade política, pensando em 2018, e que o sr. não tem nada a perder nestas eleições. Com avalia essa crítica em tom irônico?
Essa é uma crítica extremamente vazia, porque, na verdade, eu não sou político, eu estou político. Eu tenho um mandato de senador até janeiro de 2019. Eu não sei se vou fazer carreira política ou não. Portanto, é um argumento extremamente falso. São dois os meus objetivos de estar hoje na política. Primeiro, a indignação com a forma que esses velhos políticos vêm tratando o nosso povo; o segundo é que esse Estado é a minha raiz, eu fui criado aqui no cabo da enxada e da foice. Hoje, eu estou sendo movido por esses maus políticos que aí estão e já mostraram que não têm compromisso nenhum com esse Estado. Portanto, eu quero fazer parte dessa ruptura, eu quero quebrar essa corrente do mal, que está aqui judiando no nosso Estado aos longos desses 25 anos. Então, se eu tivesse pretensão de fazer carreira política, você acha que eu ia gastar os meus milhões numa campanha eleitoral se eu tenho quatro anos de mandato pela frente? E eu sou arrojado. Em 60 dias eu mandei mais de R$ 60 milhões para o Estado, estou resolvendo o problema fundiário, urbano e rural; em 60 dias, conseguimos manter aquele traçado da duplicação da BR-153, dentro de Gurupi, e agora no PAC a presidente Dilma me prometeu que a BR-010 será asfaltada, que será colocada no PAC 3, que a BR, o mesmo com a BR-245, além da duplicação da rodovia Paraí­so/Palmas também vai ser colocada no PAC 3. Ou seja, mais quatro anos de Senado, um em­presário como eu, será que não seria tempo suficiente para eu fazer uma base política para o futuro? Futuro esse que nem tenho pensado nele.

O sr. chegou a mandar um recado para o governador Sandoval Cardoso que competência e honestidade não se compram em farmácia. Esmiúça isso para o leitor.
Esse moço que está aí, lamentavelmente colocado pelo governo anterior, por intermédio de um plano tão danoso, não sabe nem o que ele está fazendo. Ele (Sandoval) não sabe nem o que é ser governador de Estado. Essas obras que o governo está fazendo agora têm duas finalidades: a primeira é enganar o povo, segundo, fazer caixa para a campanha eleitoral. Está falando em construir 800 leitos nos hospitais só agora. Por que não fez antes, quando fazia parte do governo? Vai fazer agora? Vai fazer caixa, isso é para enganar o eleitor. Esse moço (Sandoval) não sabe a responsabilidade que está sobre as costas dele. Ele nem estudou, um moço rico que nem curso superior tem. Há poucos dias, ele mesmo disse que está procurando conhecer os problemas do Estado.

O sr. acredita que os governos anteriores têm trabalhado empiricamente, sem dados científicos para elaborar um planejamento das ações?
Não, eles planejaram bem. Todos eles, planejaram extraordinariamente bem como acabar com o Estado. Isso eles planejaram muito bem. Nisso, a gente tem que dar parabéns a eles, porque souberam fazer.

O sr. não pensa em aproveitar o pouco espaço de tempo que tem na TV (quase dois minutos) para fomentar o debate e provocar os adversários?
Sim, sim. Agora, as mazelas deste Estado todo mundo sabe. A gente, às vezes, fica indignado com tudo isso e acaba até falando. Mas o nosso propósito não é difamar quem quer que seja, nem falar da má gestão e da irresponsabilidade administrativa. O nosso negócio é falar do nosso projeto. O Tocantins tem jeito? Tem. Viabilizar a economia deste Estado é a coisa mais fácil do mundo. Basta ser competente, ser honesto, ter coragem e ter o espírito de servir e não ser servido. Com um administrador competente, é possível tirar o Tocantins do 22º lugar da economia e trazê-lo para o 10º lugar.

O sr. fala muito em investir no agronegócio. Acredita que é possível conciliar esse segmento com o desenvolvimento sustentável, preservando o meio ambiente?
Evidentemente. Com responsabilidade, pode-se fazer de tudo na vida. Estou e referindo às coisas lícitas. Quando se fala em agronegócio, eu falo em explorar a terra da forma correta. Temos no Tocantins, por exemplo, 15 milhões de hectares prontos para o plantio, desses 15 milhões, em 5 milhões não precisa derrubar uma árvore sequer. Ou seja, nós temos um vasto campo para trabalhar. Agora, faltam competência, honestidade e vontade de fazer.

Uma resposta para ““A corrupção no Tocantins virou um câncer””

  1. Avatar Carlos Robertobatista Menezes disse:

    Bom parece que a lava jato esta dando em cima, dos corruptos, com a prisão do Ex presidente Michel Temer hoje pela manha, deixou muito político com a pulga atrás da orelha e pelo que vejo o sr. Marcelo Bretas vai em cima dos corruptos pelo Brasil a dentro, agora que estiver errado que si acerte com o Juiz do Rio de Janeiro uma Boa Noite Brasil..

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