“Como senador, vou buscar diálogo com o próximo governador, independentemente de quem se eleger”

O deputado federal pelo PSD postula uma vaga no Senado com um discurso municipalista e garante que, se eleito, sua cargo será de toda a população tocantinense

Irajá Abreu, deputado federal e candidato ao Senado | Foto: Reprodução

Eleito deputado federal pela primeira vez em 2010, Irajá Abreu se reelegeu à Câmara dos Deputados em 2014 pelo PSD com relativa facilidade, após obter mais de 62 mil votos. Foi considerado, por diversos institutos, como um dos parlamentares mais atuantes do Congresso Nacional e preside – com dinamismo – seu partido no Estado do Tocantins.

Em 2018, após consolidar forte base parlamentar, resolveu alçar voos mais altos e, ao invés de tentar mais uma reeleição, optou por se candidatar a uma cadeira do senado. A luta é árdua, uma vez que nunca houve um pleito tão disputado para esse cargo no Tocantins, com seis nomes de peso brigando por apenas duas vagas.

Irajá é goianiense e graduado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda. Pertence a tradicional família política no Tocantins – é filho da senadora e ex-ministra da agricultura Kátia Abreu, cujo mandato vai até 2022, e que, atualmente, disputa a vice-presidência da República na chapa encabeçada por Ciro Gomes, também do PDT.

Analisando o seu retrospecto político, pode-se afirmar que o sr. se reelegeria ao cargo de deputado federal com tranquilidade. Contudo, optou por concorrer a uma cadeira no Senado. Por qual razão resolveu correr tal risco, considerando que esta eleição será a mais disputada de todos os tempos?
Sou movido por grandes desafios. Foi por isso que ingressei na política em 2010, quando tive a honra de ser eleito aos 27 anos o deputado federal mais jovem da história do Tocantins. A minha história é como de tantos tocantinenses, construída com muito trabalho, e me orgulha muito ter construído esta história aqui no Tocantins, Estado que acolheu a minha família, onde cresci, e que aprendi a amar. Por isso que aceitei o desafio de representar o Tocantins no Senado.

Caso seja eleito senador e sua mãe não seja eleita vice-presidente da República, os srs. ocuparão dois terços das vagas do Tocantins no Senado. Como o sr. rebate as críticas de que sua eleição estaria contribuindo para uma espécie de familiocracia?
Este tipo de pensamento atrasado não me preocupa porque acredito que são os eleitores que devem julgar as pessoas que merecem ser eleitas. E eu confio muito no meu trabalho. A minha história de vida prova que eu entrei na política para fazer a diferença. A minha mãe foi uma pessoa muito importante para a minha criação. Aprendi importantes valores com ela como respeitar as pessoas, ser responsável e ter compromisso, mas, acima de tudo, aprendi que o cargo público é do povo do Tocantins, e não do político.

No exercício do cargo de deputado federal, honrei a confiança que o Tocantins depositou em mim, trabalhei e votei sempre respeitando a vontade da nossa população. Como senador, vou continuar trabalhando dessa forma porque a vaga no Senado não é minha nem de nenhum outro político. A vaga do Senado é do Estado do Tocantins.

Nas eleições municipais de 2016, o PSD elegeu vários prefeitos e assumiu um certo protagonismo no cenário regional. Na condição de presidente estadual do partido, o sr. poderia explicar por que a sigla não se mostrou tão forte nas eleições suplementares e, também, nas ordinárias de 2018, principalmente no tocante ao apoio de lideranças municipais?
O PSD, aqui no Tocantins, tem buscado se consolidar como um partido municipalista. Por isso a importância de ampliarmos nossa participação em Prefeituras e Câmaras de Vereadores. É por isso que minha candidatura tem o apoio de aproximadamente 150 prefeitos e ex-prefeitos e quase 750 vereadores. Com o sucesso de nossa candidatura, como também dos nossos deputados federais e estaduais, tenho certeza que chegaremos em 2020 ainda mais fortes e consolidados como partido em todos os municípios do Tocantins.

Sob sua ótica, essa postura ideológica de centro-esquerda adotada pelo PSD tem relevância para o eleitorado? Atualmente o eleitor vota no candidato, independente de partido?
A política é feita nos partidos. É onde pessoas com ideias semelhantes se organizam e buscam trabalhar para a melhoria da nossa sociedade. É um espaço para debates e negociações com um único fim: termos um futuro melhor. O voto é no candidato, mas é o partido que garante que o candidato tenha em mente uma proposta clara para o Estado. Eu tenho certeza que o eleitor que optar por qualquer candidato do nosso partido não se decepcionará, pois estamos alinhados às demandas dos tocantinenses de todos os cantos do nosso território.

O sr. é favorável a implantação do imposto único no Brasil? Em caso positivo, de que forma isso poderia contribuir com o desenvolvimento do País e, mais, por que o sistema atual não funciona?
É preciso desburocratizar nosso país. Perdemos muito tempo com burocracia, que custa caro e acaba reduzindo as vagas de emprego no País, como também no Tocantins. Por isso, sou a favor do imposto único e tenho trabalhado para sua implementação, assim como outras novas políticas que proporcionarão oportunidades a nossa população, como o PL [Projeto de Lei] do primeiro emprego.

Por quais razões o sr. foi contra a reforma da Previdência, se há notórios estudos que indicam que, caso o sistema não seja reformulado e revitalizado, em poucos anos não será possível pagar as aposentadorias dos trabalhadores brasileiros?
Fui contra o formato que queriam aprovar, que pune o trabalhador brasileiro, principalmente os mais humildes e os aposentados. A reforma deve acontecer, mas de forma justa. É preciso que estudos mais aprofundados sejam feitos de forma tal que possamos garantir que a reforma da Previdência não venha punir a população e só mantenha privilégios para poucos.

O sr. fez um trabalho interessante como deputado federal, destinando vários recursos, por meio de emendas, aos municípios tocantinenses. Elegendo-se senador, de que forma o sr. poderia contribuir ainda mais com o Estado do Tocantins?
É preciso trabalhar muito por nosso Estado lá em Brasília. Se eleito senador, vou me dedicar a pautas nacionais que geram impactos claros em nossa população, como, por exemplo, a questão da segurança. Fazemos fronteiras com diversos Estados e não podemos aceitar que o Tocantins sofra os reflexos da violência e tráfico originados em nos Estados vizinhos. É preciso investir em inteligência, com repasses de recursos para nossas polícias e maior atenção da PRF [Polícia Rodoviária Federal] e da PF [Polícia Federal]. Também vou trabalhar muito para que mais recursos sejam destinados pelo governo federal para o Tocantins. Não podemos aceitar que nosso Estado seja visto de forma pouco prioritário. O Tocantins precisa ser tratado de forma igual a qualquer outro Estado brasileiro.

Em sua propaganda partidária, o sr. tem dito que, nos oito anos de seus mandatos, destinou recursos para construção de postos de saúde, novas estradas, melhorias em hospitais, novas feiras de exposição, entre outras obras entregues em mais de 100 cidades do Tocantins. Quais são, na sua visão, os destaques e os repasses mais importantes que, efetivamente, contribuíram com crescimento econômico do Estado?
Todo recurso repassado tem sua importância porque beneficia um cidadão em algum dos 139 municípios de nosso Estado. Eu me orgulho muito das diversas obras entregues por conta de repasses do meu mandato. Uma obra sendo feita numa região gera emprego e gira a economia do município. Mas tão importante quanto isso é o benefício que essas obras trouxeram para as pessoas que vivem em nossas cidades e, por isso, que não descansei enquanto as obras não foram entregues. Penso que recurso bom é aquele que sai do papel e se transforma em benefício para a população.

Considerando que o sr. seja eleito senador, como será sua relação com Mauro Carlesse [PHS] ou Carlos Amastha [PSB], os dois melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto? O fato de militar na oposição a ambos não atrapalha a destinação de recursos e o desenvolvimento do Tocantins?
Trabalhamos por um Tocantins melhor e mais justo para todos. Como já disse, o cargo de senador não é meu, nem de nenhum outro político. O cargo é do povo do nosso Estado. E, como senador, vou buscar o diálogo com o nosso próximo governador, seja ele o Marlon Reis [candidato da Rede], Mauro Carlesse ou Carlos Amastha.

Sob seu comando, a Comissão da Agricultura no Congresso Nacional destinou milhões de reais para a construção da BR-235, ligando o Piauí ao Tocantins, visando escoar os grãos produzidos no Matopiba até a Ferrovia Norte-Sul e, por fim, exportando a produção pelo porto de Itaqui, no Maranhão. Mas a obra praticamente não saiu do papel. Qual foi o entrave que não permitiu a sua conclusão?
O projeto do Matopiba está parado por determinação do presidente Michel Temer [MDB]. É importante dizer que um deputado destina a obra, mas são os ministérios que liberam os recursos financeiros. Neste momento de crise no País, essa verba ficou travada em Brasília. Espero que, após a mudança de governo, esse projeto tão importante retorne à pauta e traga grandes obras para o Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia. Enquanto senador, terei ainda mais condições para brigar por essa e outras pautas.

Especificamente na área da saúde, na condição de deputado federal, o sr. destinou R$ 16 milhões para a construção e equipagem do Hospital de Amor em Palmas, antigo Hospital do Câncer. Qual é o atual estágio dessa obra e também a importância dela para o povo do Tocantins e do norte do Brasil?
A pergunta é muito pertinente para o período que estamos vivendo. O Outubro Rosa é uma campanha de conscientização para o câncer de mama, doença que atinge tantas brasileiras e tocantinenses. Sobre o Hospital de Amor, a população do Tocantins tem acompanhado de perto todo esse processo. O hospital está com as obras em andamento. A fundação e a parte estrutural, por exemplo, já estão prontas. O Hospital de Amor ajudará muitos tocantinenses e moradores da região Norte do Brasil, além de trazer dignidade aos pacientes que tratam de uma doença tão difícil e que hoje ainda são obrigados a viajar mais de 2.000 quilômetros para se tratarem em Barretos, no Estado de São Paulo. Eleito senador, a prioridade para este hospital será absoluta porque a prevenção e combate ao câncer são causas que merecem o engajamento de toda a classe política.

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