Com quem Amastha poderá contar?

Prefeito de Palmas envia ofício à Câmara de Vereadores comunicando que sairá em abril para fazer campanha

Prefeito Carlos Amastha: candidatura sem volta ao governo no pleito de outubro próximo

Está decidido: o prefeito da capital, Carlos Amas­tha (PSB), vai dis­putar o governo do To­cantins e não há retrocesso. Na ter­ça-feira, 6, ele enviou ofício à Câ­mara Municipal de Palmas, em que solicita que aceitem sua re­nún­cia, a ser homologada no dia 3 de abril, e deem posse à vice-prefeita Cinthia Ribeiro. No mesmo ex­pediente, ele também pede que a sede do Poder Legislativo seja trans­ferida para o Espaço Cultural de Palmas, visto que pretende apre­sentar um balanço e uma pres­tação de contas dos cinco anos de governo.

O documento foi lido na Câ­ma­ra de Vereadores para um plenário va­zio, na quarta-feira, 7. Ape­nas 10 ve­readores de um total de 19 estiveram presentes: Moise­mar Ma­ri­nho (PSD), Vanda Mon­teiro (PSL), Jú­nior Geo (Pros), Etinho Nor­des­te (PTB), Major Negreiros (PSB), Rogério Freitas (MDB), Vandim Oli­veira (PSDC) Filipe Fernandes (PSDC), Jucelino Rodrigues (PTC) e Léo Barbosa (SD), que presidiu a sessão.

A oposição comemorou o co­mu­nicado. Léo Barbosa, um dos mais ferrenhos opositores do prefeito, sussurrou um “oh, Glória!”. Já Felipe Fernandes, em tom jocoso, enfatizou: “Só para comentar da minha alegria e satisfação. Eu nem vou voltar para casa, mas es­pe­rar a sessão aqui na Câmara pa­ra apreciar este requerimento da re­núncia do maravilhoso prefeito Amastha. Tchau!”.

É sabido que há uma insatisfação declarada de grande parte dos vereadores com a pessoa do prefeito, é inegável, mas não se esperava co­memorações tão entusiasmadas.

O senador Ataídes Oliveira (PSDB), pré-candidato ao governo do Estado, também se manifestou sobre a decisão do prefeito da Palmas, dizendo que será um “prazer” disputar o cargo com ele e provocou: “Terei a oportunidade de mostrar ao Amastha quem é o novo, o competente, o honesto e o tocantinense”. O parlamentar afir­mou ainda ao Jornal Opção no de­correr da semana que, ao contrário da eleição de 2014, quando dis­putou o governo pelo Pros e an­gariou poucos votos, desta vez vai ser tudo muito diferente.

Marlon Reis: disputa o governo ou se alia a Amastha?

Ataídes lembra que, além de ter direcionado muitas emendas par­lamentares para os mais diversos municípios tocantinenses, sua can­didatura em 2018 será pelo PSDB, um partido consolidado na­cionalmente – que terá candidato forte à Presidência da Repú­bli­ca –, e que está sob sua direção no Estado do Tocantins. Ele ressaltou que conta com 25 prefeitos fi­liados, que lhe servem de base de sustentação, além da expectativa de filiar mais 17 até o final de mar­ço de 2018.

Voltando à candidatura do po­lê­mico prefeito de Palmas, há uma cu­riosidade em todas as rodas de con­versas dos palmenses: qual é o gru­po de Amastha? Ele não consegue agregar aliados, porque agride e afasta todos os “parceiros”, quer seja com seu “dedo nervoso” no Twitter, quer seja com o microfone aberto. Sem gru­po é muito complicado, que o di­ga o prefeito de Araguaína, Ro­nal­do Dimas (PR), que também não tem conseguido, pelo menos na pré-campanha, formar uma aliança forte, capaz de lhe propiciar chances efetivas de ganhar a eleição.

Cogita-se – e isso são apenas bas­tidores – que na batida do mar­telo, o pré-candidato Marlon Reis (Rede) seria lançado candidato a senador na chapa de Carlos Amas­tha. Vários são os indicadores que essa espécie de união /pac­to existe, mas Reis caminha so­zinho, por enquanto, para consolidar seu nome junto ao eleitorado, propenso a lhe prestigiar com um voto ideológico. Se não lo­grar êxito, na hora “H”, o candidato da Rede faria a composição com o PSB e traria a lisura do idea­lizador da Lei da Ficha Limpa pa­ra a chapa encabeçada pelo prefeito da capital.

A hipótese não é absurda. Há ele­mentos, que por enquanto não po­dem ser divulgados, que remetem para esse cenário, contudo, co­mo já dito inúmeras vezes, é pos­sível que a língua ferina de Amas­tha também afaste esse pretenso aliado. Até as convenções par­tidárias, muitos acontecimentos poderão confirmar ou descartar essa possibilidade. É aguardar. Tratando-se de Amas­tha, tudo é possível.

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