“Cinthia Ribeiro é a favorita e é a candidata a ser batida”

Vereador Lucio Campelo diz que faz campanha durante todo o mandato e que, por causa de seu trabalho, não terá dificuldade de ser reeleito

Lucio Campelo, vereador de Palmas | Foto: Aline Batista

Lucio Campelo, atualmente sem partido, diz que não é homem de “picuinhas” e visa o bem coletivo, em detrimento de intrigas pessoais ou desavenças políticas. Vereador atuante em Palmas, foi extremamente combativo aos atos de gestão do ex-prefeito Carlos Amastha (PSB). Atualmente está na base da prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB) e declara-se candidato à reeleição.

Campelo é brasiliense, pioneiro em Palmas e reside na região sul desde a criação da capital. Graduado em Gestão Pública pela Universidade Luterana do Brasil, filiou-se ao Partido da República (PR) em 2006, hoje PL e foi eleito vereador em 2008 e reeleito em 2012 e 2016. Em 2010, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa, obtendo 7.781 votos, dos quais mais de seis mil apenas em Palmas, ficando como segundo suplente de deputado estadual.

Naturalmente o sr. é pré-candidato a reeleição, pelas suas ações parlamentares ao longo dos últimos anos. Como o sr. tem lidado com essas questões acerca do pleito de 2020?
As perspectivas são ótimas, já estou em pré-campanha. Mas o que precisa ser dito é que na condição de “ser político”, faço campanha durante todo o meu mandato e não apenas no período eleitoral. É necessário estar perto da base, saber das suas demandas e necessidades. Dessa forma, os projetos e requerimentos – visando beneficiar a população – trazem resultados mais positivos. Tenho feito meu trabalho e não vejo dificuldade, sem falsa modéstia, para a minha reeleição. Sei que agi de forma correta, desempenhei com seriedade minhas funções parlamentes durante os meus mandatos e isso, por si só, me credencia.

Mas e em relação à filiação partidária?
Estamos no período de definição. É o tempo da janela de transferências. Conversei com a presidente estadual do DEM, a deputada federal Professora Dorinha Seabra, assim como com o senador Eduardo Gomes, um dos líderes do MDB. Tenho compromissos políticos com ele e, por isso, é necessário que conversemos de forma mais profunda. Outra possibilidade seria o PSDB, já que a Prefeita Cinthia Ribeiro agora comanda o partido no Tocantins.

Além disso, outras siglas me fizeram convites, me senti lisonjeado. Estou avaliando tudo, entretanto esta decisão ainda está em fase de articulação. Não está definido, por enquanto, em qual partido me filiarei.

Mesmo que não houvesse aquele “convite para se retirar” do PL, por parte do deputado federal Vicentinho JR, de qualquer forma o sr. sairia daquela sigla?
Penso que sim. O presidente estadual, deputado Vicentinho JR, optou por se aproximar do ex-prefeito Carlos Amastha e, naturalmente, isso não me agradou. Não tenho nada pessoal contra o ex-prefeito, apenas argui os atos de gestão dele – lesivos à sociedade, diga-se de passagem – e, por consequência, minha postura oposicionista teve destaque. O tempo provou que eu estava certo: as contas dele foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas.

Visando garantir a proximidade com Amastha, penso que o deputado Vicentinho JR foi, no mínimo, infantil. Não quero ofendê-lo, por isso vou usar esse adjetivo. Veja: ele antecipou uma etapa no processo político, se queimou desnecessariamente, visto que poucos dias depois a janela de transferências partidárias se abriria. Hoje, os pretensos pré-candidatos a vereadores estão correndo do grupo formado por Vicentinho/Amastha, porque lá na frente, se forem detentores de mandato poderão ser expulsos também.

Isso lá é atitude de presidente estadual de partido? Depois, quis consertar dizendo que ainda é meu amigo… “Ah, para! Quem tem um amigo igual ele, não precisa de inimigos!” Porque não chamou para conversar, expor sua posição e articularmos um acerto amigável para minha saída? Aquela exclusão “por ofício” – impondo desnecessariamente sua autoridade como presidente da sigla – foi de uma pequenez muito poucas vezes vista. Mas ele é menino novo, ainda tem muito a aprender nos meandros da política, não é mesmo?

No que concerne às suas ações parlamentares, o que teria mais destaque nesse mandato que está se encerrando?
Avalio de forma extremamente positiva. Neste mandato pode se destacar a participação protagonista e efetiva na aprovação do empréstimo de U$ 60 milhões de dólares junto à CAF – Cooperativa Andina de Fomento, que vai mudar a cara dessa cidade, ante a tantas obras importantes e necessárias; Consegui, individualmente, perante à justiça, evitar a majoração estratosférica de 400% no IPTU, que aumentaria R$ 120 milhões aos cofres públicos municipais, mas saqueava e sangrava o bolso do contribuinte palmense; contribui efetivamente com os estudos e aprovações dos orçamentos municipais – que proporcionaram, por exemplo, novos CMEIS e recapeamento asfáltico, de forma tal que os recursos pudessem ser aplicados sem atrasos; articulei junto à bancada federal para que recursos fossem alocados em nossa capital, entre outros avanços.

Enfim, foi um mandato que era preciso ajudar a prefeita Cinthia Ribeiro. Ela recebeu a Prefeitura em situação delicada, em virtude dos desmandos do ex-prefeito Amastha, que deixou a cidade com quase R$ 80 milhões em dívidas. Fiz o meu trabalho, por fim, com o objetivo de ajudar e defender o nosso município. Todas as conquistas da atual gestão, portanto, tem a minha efetiva participação, como também da Câmara de Vereadores como um todo.

No que concerne à Rodoviária de Taquaralto – um requerimento de sua autoria – o deputado federal Vicentinho JR, presidente estadual do seu ex-partido, agora anuncia a destinação de recursos para a obra, se auto-declarando – basicamente – o pai do projeto. Como o sr. lida com essa questão?
Me porto como grande e civilizado quanto a esse tipo de discussão. Como vereador, é minha obrigação é consultar as bases e detectar suas necessidades. A rodoviária de Taquaralto – que atenderá o transporte interurbano e interestadual – é uma necessidade daquele povo, que juntos são mais de 100 mil habitantes. Por isso, sugeri a construção e elaborei o requerimento.

Se o deputado conseguiu aportar R$ 700 mil para o início das obras, eu parabenizo-o, mesmo porque faz parte do trabalho dele. Entretanto, não vou me apequenar discutindo “picuinhas” ou quem é o “pai da matéria”, em razão de diversidades políticas. Me interessa a obra pronta e funcionando à contento para a população.

Assim como outros vereadores, o sr. fez uma espécie de sacrifício, perdendo alguns benefícios como parlamentar, em razão da necessária readequação orçamentária da Câmara de Vereadores. Quais foram eles e quanto isso representa?
É sabido que o FPM da capital sofreu redução de 3,2% para 2,8%, uma queda vertiginosa para a própria Prefeitura de Palmas, que amargou reduções de cifras. Por consequência, o orçamento do parlamento também foi diminuído. Tivemos que abrir mão de alguns benefícios.

Considero isso como natural, a Câmara precisa ter saúde financeira para sobreviver e desempenhar suas funções, enquanto poder legislativo. Todos nós, vereadores, temos esse entendimento e, após alguns acertos, confluímos para que os ajustes fossem concretizados. Foi necessário se adequar à nova realidade, pois temos compromisso com o funcionamento da Casa Legislativa.

Cada um dos vereadores, por exemplo, utilizava dois carros, além do combustível que eles consumiam. Atualmente, temos apenas um veículo à disposição de cada parlamentar. Além disso, houve profundos cortes na CODAP – cota de despesa parlamentar, entre outros ajustes.

O sr. já enfrentou e ganhou três eleições para vereador, contudo, em 2020 a regra eleitoral é diferente, pois não há mais coligações para as eleições proporcionais. Qual é a sua expectativa sobre esse novo conceito eleitoral?
Acho interessante, em primeiro lugar. Os mais votados serão eleitos e isso é democrático. Creio que em Palmas será necessário algo em torno de mil e oitocentos a dois mil votos.

Agora os partidos precisam encontrar uma forma de se fortalecerem. Muitos partidos pequenos vão perder força em 2020, porque essa eleição será o teste/base para 2022. Aqueles que dizem que querem se filiar apenas em partidos que não possuem detentores de mandato, ficarão em partidos fracos, pequenos ou nanicos. Naturalmente, serão engolidos porque não conseguirão – em 2022 – número de votos para elegerem deputados.

Por isso, esse discurso de que partido com vereadores de mandato é ruim, não se sustenta. Essa blasfêmia dura apenas até o dia 04/04. Depois, as urnas dirão a verdade e a tendência dos nanicos é não sobreviver. Aqueles que porventura continuarem vivos, estarão fadados ao fracasso em 2022, porque sem musculatura política e sem parlamentares com mandato, irão desaparecer de vez.

Essa história de se eleger com votos de legenda ou nas costas de outras pessoas está no passado, graças a Deus. A ideia agora é a do fortalecimento partidário, preservando as siglas representativas e excluindo aquelas nanicas que só visam fundos eleitorais.

Para as eleições majoritárias, na sua visão qual é a chance de reeleição da prefeita Cinthia Ribeiro?
Candidata natural à reeleição, ela é a favorita nesse processo, sem dúvidas. É candidata a ser batida. Analisando todos os aspectos da administração, como ela encontrou a cidade e como ela está hoje, na minha forma de pensar é muito difícil ela perder a eleição.

Além de todos os avanços e conquistas, a oposição não se agrega e não se aglutina. É cada por si. Eles não conseguem se unir. Isso favorece, ainda mais, a atual gestora.

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