Carlesse quer evitar erros do passado

Governador interino não vai decretar feriado que pode lhe prejudicar na eleição de 3 de junho

Governador interino Mauro Carlesse (acima) não quer ter o mesmo insucesso de Carlos Gaguim e Sandoval Cardoso na disputa suplementar

Os dois últimos e únicos governadores interinos – Carlos Gaguim (DEM) e Sando­val Cardoso (sem partido) – perderam as respectivas disputas pela reeleição, mas o atual inquilino do Palácio Araguaia, Mauro Carlesse (PHS), ao que deixa transparecer, não quer percorrer o mesmo caminho.

Carlesse tem aproveitado os acertos dos governos anteriores e ignorado os erros dos seus antecessores. Nas eleições de 2010, por exemplo, que ocorreriam no domingo, dia 3 de outubro, o ex-governador Carlos Gaguim creditou os salários dos servidores – grande parte do seu eleitorado – à zero hora e um minuto do dia 2, no sábado e, ato contínuo, decretou ponto facultativo na segunda-feira, dia 4, visto que na terça-feira, dia 5, seria feriado estadual, quando se comemora a criação do Tocantins.

Resultado: cerca de 25 mil servidores, com os bolsos cheios já no sábado pela manhã, e com folga decretada até quarta-feira às 8 horas, não ficaram em Palmas para depositar o “votinho de confiança” no governador em exercício. Gaguim perdeu por 7.163 votos, ou seja, 1,04%. Portanto, ele só precisaria que 3.583 servidores públicos não se abstivessem de votar e ficassem em Palmas para votar nele, já que esse nicho de eleitores rejeitava o adversário Siqueira Campos.

Naquele pleito, houve 175.262 abstenções, dentre as quais 21.679 ocorreram exatamente em Palmas – sede do Poder Executivo – em decorrência desse erro fatal cometido pelo então governador Gaguim.

Carlesse, por meio de nota à imprensa, já se antecipou: na sexta-feira, 1 de junho, pós-feriado de Corpus Christi, e antevéspera da eleição de do dia 3, não será ponto facultativo. E mais: apesar de o Estado possuir verbas para quitar pelo menos 60% da folha de pagamento, certamente os salários dos servidores será creditado apenas após as eleições suplementares.

É isso aí. Lição aprendida não precisa ser repetida.

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