“Campanha de Cleoman pode ter tido lavagem de dinheiro”

Tucano que perdeu a eleição em Itacajá contesta argumentos do adversário e diz que a Justiça Eleitoral precisa investigar as contas do vencedor

Manoel Pinheiro

A todo argumento corresponde um contra-argumento. Nesse sentido, nada mais justo que o ex-prefeito Manoel Pinheiro (PSDB), de Itacajá, candidato derrotado na eleição suplementar realizada naquela cidade no dia 3 de dezembro passado, tenha espaço para se manifestar, uma vez que foi citado, por várias vezes, pelo prefeito eleito, Cleoman Costa (PR), na entrevista pu-blicada por este veículo na edição anterior, do dia 10 de dezembro de 2017.
Natural de Itacajá, com formação em técnico em telecomunicações, Manoel de Souza Pinheiro é agropecuarista e ex-prefeito da cidade, tendo governado entre 2005 e 2012.

Poderia nos explicar, primeiramente, o fato de o sr. ter sido vencedor nas eleições de 2016, mas não ter assumido o cargo?

Deixei a prefeitura no final de 2012 e minhas contas de 2010 só foram apreciadas em 2013, por um grupo político que, naquele momento, era todo oposicionista. O débito financeiro-orçamentário de 2010 não era um vício insanável, uma vez que foi corrigido ainda no meu governo, em 2011. A inelegibilidade só poderia ter sido aplicada se houvesse a improbidade administrativa, além do enriquecimento ilícito. Não houve nada disso e, a maior prova é que não houve aplicações de sanções pecuniárias à minha pessoa, pelo Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO).

Por tal razão, interpus os recursos jurídicos para registrar novamente a candidatura, mesmo porque o julgamento das contas do exercício 2010 estava repleta de vícios, não apenas por ter sido um julgamento político, ao invés de contábil, mas também, porque não foi utilizado o Regimento da Câmara em vigor na época dos fatos (2010) e sim com base no novo Regimento, aprovado em outubro de 2013, já pelos novos parlamentares.

O certo é que, apesar de ter obtido êxito judicialmente, o adversário arguiu e bateu firme no discurso que havia insegurança jurídica na minha candidatura e que, se eu ganhasse a eleição, não tomaria posse – como ocorreu em 2016 –, o que não é verdade. Além disso, por eu ter aceitado o apoio do vereador Rinaldo (PSC) e do prefeito interino, Wesley Barros (PSD), que eram do grupo político deles nas eleições de 2016, e aquele gestor estar desgastado e ter enfrentado vários problemas de ordem financeira, o candidato oposicionista passou a vinculá-lo a mim e dizer que o meu governo seria a continuidade do dele, com atrasos salariais e outros problemas que a atual gestão vem tentando administrar.

Imagens que, segundo o ex-prefeito Manoel Pineiro, comprometem seu adversário (da esquerda para a direita): Família recebe cesta básica, população indígena ganha carne de bovinos e índio posa com dinheiro, ao lado de Cleoman Costa

Essa situação, neste caso, é fruto de uma má gestão do prefeito interino…

Não necessariamente. Está muito mais relacionada à herança da ex-prefeita Maria Aparecida (PSD). Exemplificativamente, ao final do mandato dela, em dezembro de 2016, o tesouro municipal recebeu mais R$ 700 mil da repatriação de recursos do exterior, além de R$ 48 mil devolvidos pela Câmara Municipal e mais de R$ 500 mil referente ao ISS da rodovia que liga Santa Maria a Recursolândia. Resumindo: se essas quantias não houvessem sido creditadas, a ex-prefeita teria dado o maior calote da história da cidade, porque nem metade dessa quantia estava em caixa em 1º de janeiro de 2017.

E quanto ao slogan da campanha adversária, “o tostão contra o milhão”, o sr. fez valer a força do poder econômico nesta eleição?

A diferença patrimonial entre os dois candidatos realmente existia, contudo, apesar dele dizer que seu patrimônio não passa de R$ 50 mil, pelos meus conhecimentos em política e pela estrutura da campanha eleitoral, ele não gastou menos que R$ 600 mil neste pleito. Para se ter uma ideia, foi distribuído nas aldeias indígenas carne de mais de 50 vacas; foram entregues mais de 500 cestas básicas; havia um moderno palco de LED e mais de 20 carros rodando dia e noite fazendo política, além de mais de 100 pessoas contratadas.

Logicamente, há um patrocinador nessa história toda, talvez até mesmo uma lavagem de dinheiro, que eu acredito firmemente que seja um certo primo dele, recentemente envolvido na Operação Marcapasso da Polícia Federal. Mas isso é uma questão para a polícia, Ministério Público e a Justiça Eleitoral investigarem e apurarem os fatos.

No meu caso, possuo sim um razoável patrimônio, mas não sou perdulário nem inconsequente, a ponto de vender bens ou gastar recursos que garantem o sustento da minha família, para ganhar política. Além disso, deve-se considerar o fato de eu ter disputado uma eleição no ano imediatamente anterior, e por consequência, estar descapitalizado, mesmo porque foram vários os gastos com honorários advocatícios e outras despesas do gênero. Essa história da força do poder econômico, portanto, é uma falácia.

Diante de tantas irregularidades, o sr. não vai tomar providências?

Sim, vou interpor uma ação judicial contra a expedição do diploma, porque além de vídeos e fotografias que comprovam essa distribuição de cestas básicas, dinheiro e quartos de bovinos aos indígenas, há também provas testemunhais dessa compra de votos. Mesmo que o resultado judicial demore um ano ou mais, vou lutar pela minha cidade, por aquela comunidade, com a finalidade de evitar um desastre maior ainda do que já experimentamos, em termos de gestão pública.

Como foi a votação dos indígenas?

Em razão de haver urnas nas aldeias, é possível contabilizar os votos deles separadamente. Nas eleições anteriores, o então vereador Cleoman, por três mandatos, nunca teve quaisquer votos na área indígena. Desta vez, ele teve 133 votos a mais do que eu naquelas comunidades. Esse eleitorado, sem sombra de dúvidas, foi aliciado de alguma forma e a Justiça Eleitoral precisa agir nos rigores da lei.

2 respostas para ““Campanha de Cleoman pode ter tido lavagem de dinheiro””

  1. Avatar Jair Bolsonaro disse:

    Manoel Pinheiro não aceita a derrota e tenta a todo custo buscar una justificativa para tal… Esse senhor é o mal de nosso povo, de nosso município.

    Falando em lavagem de dinheiro, veja quem era MP antes da vida pública e depois, compare os bens antes e depois.

  2. Avatar #mito disse:

    comentário que lir logo abaixo de um esquerdista de araque que mama na teta da prefeitura e com certeza um puxa saco, MP veio de uma família bem sucedida em itacajá, sempre teve sem patrimônio, casa, fazenda e gado digo porque conheço a procedência de sua família dentro da cidade, conheço MP quando Itacajá estava só o buraco quando o povo se contentava com butijão de gás e contas de água e luz pagas pelo gestão na época, Itacajá era uma calamidade naquele tempo…. MP chegou e mostrou que sabe trabalhar, inaugurou muitas obras. Agora me perguntou o que o cleoman está fazendo para o nosso municipio um prefeito que ganhou arrastado por outros com a renda declarada de 45 mil e gastou mais de 1 milhão na politica, onde a prefeitura e coordenada por outros que o ajudaram na época que voz esse prefeito tem? isso sim é a voz da verdade e em 2020 Itacajá vai tomar um rumo diferente…

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