Bolsonaro, Lula e Ciro terão palanques fortes no Tocantins

Pré-candidatos ao governo do Estado com maiores chances de vencer as eleições são aliados dos que lideram a corrida presidencial

Lula, Jair Bolsonaro e Ciro Gomes têm palanque garantido no Tocantins | Foto: Reprodução

Dois grandes grupos políticos que disputam o governo do Estado – Wanderlei e Dimas – e que lideram a corrida pelo Palácio Araguaia já demonstraram que estão dispostos a abrir mão de suas diferenças políticas para subir no palanque do presidente Jair Bolsonaro (PL), não todos juntos e ao mesmo tempo, mas em estruturas de campanha separadas, conforme os interesses e as conveniências da disputa local. Os dois grupos disputam o prestígio do presidente, mas sobretudo, a força da máquina pública azeitada com os recursos generosos do orçamento secreto.

O ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas (PL), pré-candidato a governador pelo partido do presidente, é um aliado de última hora, que, apadrinhado pelo senador Eduardo Gomes (PL), líder do governo no Senado, busca aproximação com o presidente de olho no segmento conservador, que é a maioria do colégio eleitoral do Tocantins. Dimas, Gomes e a deputada federal Dorinha Seabra (UB), pré-candidata ao Senado, comandam o palanque bolsonarista de oposição no Tocantins, que conta ainda com o deputado federal Thiago Dimas (Podemos), o deputado estadual Jair Farias (PL) e a prefeita de Gurupi, Josi Nunes (UB), entre outros.

O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), pré-candidato a reeleição também é um bolsonarista de ocasião. Não que antes não fosse simpatizante do “mito”, mas sua adesão a um partido da base do presidente só se deu tardiamente, após assumir o governo e ganhar musculatura para disputar a reeleição. Antes, na condição de vice-governador e sem partido, Wanderlei fazia planos de se filiar ao PDT, ao qual já foi filiado. A escolha pelo Republicanos foi, segundo dizem aliados próximos, a tentativa de se manter distante da polarização direita versus esquerda, sem contudo deixar de acenar para o eleitor de Bolsonaro.

O governador, o deputado federal Vicentinho Júnior – que trocou o PP pelo PL, deixando bem claro que a troca de partido não alterava em nada seu alinhamento com presidente – e o presidente da Assembleia Legislativa e candidato a deputado federal, Toinho Andrade, que trocou o União Brasil pelo Republicanos, comandam o palanque bolsonarista governista. Esse tablado conta ainda com o ex-senador Vicentinho Alves (PL) e o ex-deputado César Halum (Republicanos), dentre outros.

Os dois grupos juntos somam quase a totalidade dos políticos com cargo eletivo no Estado, o que significa dizer que, no Tocantins, Bolsonaro reúne 2 senadores, 7 dos 8 deputados federais, 19 dos 24 deputados estaduais e a grande maioria dos prefeitos e vereadores. Se não o apoiam diretamente, serão levados a engrossar as fileiras bolsonaristas para reforçar o palanque do candidato a governador da sua preferência.

Não há dúvida de que no Tocantins Bolsonaro é o preferido dos políticos, o que não quer dizer necessariamente garantia de voto. Os que se empenharão de verdade nestas eleições são só os candidatos, seus cabos eleitorais e a militância dos partidos. Os candidatos estarão comprometidos com sua própria eleição, depois a eleição de aliados. Para se eleger os candidatos vão ter de extrapolar a bolha bolsonarista e, nesse caso, pensando na sobrevivência política, dificilmente vão tentar virar a cabeça de algum eleitor que declare simpatia pelo candidato a presidente apoiado pelo adversário, para não correr o risco de perder o voto. Tentar virar a cabeça de eleitor é função da militância, não de candidatos.

Na escala de líderes com maior capacidade de influenciar o eleitor, o prefeito ocupa a primeira posição. Como não são candidatos, os prefeitos não estarão tão empenhados na eleição de outros. No máximo vão recomendar os nomes de sua simpatia, mas mover sua rede de influência para eleger aliados só acontece com alguns líderes, não com todos. É preciso levar em consideração também o desgaste político em época de crise, questão que afeta mais os governistas.

Na última visita do presidente Bolsonaro ao Estado, em março, houve uma disputa acirrada entre Wanderlei e Dimas, cada um querendo mostrar mais prestígio e liderança. Mobilizaram grande número de líderes, que formaram caravanas para prestigiar a visita do presidente. Foi preciso montar uma agenda prevendo dois momentos distintos, um direcionado à região norte, para atender Ronaldo Dimas, e outro no centro, para atender o governador Wanderlei Barbosa.

O pré-candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também terá palanque forte, não em volume de políticos com cargos eletivos, mas em aceitação popular. O PT no Tocantins conta apenas com um deputado federal, Célio Moura, e dois deputados estaduais, Zé Roberto Lula e Amália Santana, mas é um partido orgânico que tem militância fiel, consciente e que realiza trabalho de formação política.

O presidente do partido, Zé Roberto Lula, diz que o PT conta com a melhor estrutura partidária desde a criação do Tocantins. Está presente em mais de 120 municípios. É a sigla com maior capilaridade na estrutura partidária do Estado. O partido conta com uma forte presença dos movimentos sociais, quilombolas, assentamentos, sindicatos, movimento estudantil, professores e intelectuais.

Para o pré-candidato a governador Paulo Mourão, a grande motivação do PT no Tocantins é a certeza de que o Estado vai poder contar com obras estruturantes, como rodovias, ferrovias, hidrelétricas, saneamento básico e, sobretudo, o combate à pobreza.

A desistência de Wanderlei Barbosa do PDT não deixou o partido sem candidato ao governo. O ex-prefeito de Gurupi Laurez Moreira trocou o Avante pelo PDT e assumiu a direção do partido com a condição de disputar o cargo que quiser. Laurez mantém agenda de pré-candidato ao governo, mas admite diálogo com o governador e não descarta entendimento futuro. Qualquer que for o entendimento o palanque de Ciro Gomes estará assegurado. O partido tem tradição no Estado e ganhou oxigenação com a filiação de Laurez.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) terá palanque duplo no Tocantins como peso da maioria das lideranças do Estado, de governador a vereador. Como vemos, Bolsonaro é o preferido dos políticos. O presidente Lula também tem palanque forte no Tocantins, não com tanto peso de líderes como o adversário, mas com apoio do povo. O candidato do partido ao governo Paulo Mourão corre por fora na terceira via, mas com chances de surpreender na medida que os candidatos mais bem postados entrem em confronto.

Na realidade, o palanque do Tocantins possivelmente não será usado pelos presidenciáveis. Com apenas 1 milhão de eleitores, o que equivale a menos de 1% do colégio eleitoral brasileiro de 147 milhões, o Tocantins tem pouco a oferecer aos candidatos. Bolsonaro veio a Araguaína e a Porto Nacional e já prestigiou seus aliados Wanderlei e Dimas. Lula virá em maio, a Palmas e ao Bico do Papagaio. Terá possibilidade de voltar, principalmente se a campanha do petista Paulo Mourão decolar. Ciro deverá vir ao Estado para o lançamento da candidatura Laurez Moreira. O desenrolar da campanha vai determinar se haverá ou não outras visitas ao Tocantins.

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