“Até adversários admitem que faço uma administração eficiente”

O prefeito de Araguatins afirma que, apesar da escassez de recursos, tem feito obras para melhorar a qualidade de vida do povo do município

Claudio Carneiro Santana, prefeito de Araguatins: “No pleito deste ano, ao menos até agora, estou neutro”

Sob a ótica de Claudio Carneiro Santana, a cidade de Araguatins experimenta os melhores dias das últimas duas décadas. Segundo o gestor, houve um salto na qualidade de vida dos habitantes, pois as políticas públicas voltadas para a educação, saúde e lazer se tornaram prioritárias para a prefeitura.

Homem de perfil simples, de origem humilde, tom de voz alto e vibrante, o administrador Claudio Santana é prefeito da cidade na qual nasceu, o maior município da região do Bico do Papagaio: a hospitaleira Araguatins — localizada às margens do Rio Araguaia. Eleito pelo PMDB em 2016, com 37,64% dos votos, já havia exercido o cargo de vereador por quatro mandatos — presidente da Câmara duas vezes — após regressar, ainda na década de 80, do Estado do Pará, onde se arriscara em busca do metal mais precioso: ouro.

Se a aventura pelo garimpo lhe rendeu dotes, a maldição do ouro também se fez presente. Claudio Santana perdeu, praticamente, toda a riqueza amealhada nas jazidas do Pará, quando se arriscou pelos caminhos da política, chegando a perder várias eleições para vereador, prefeito e, em 2002, para deputado estadual.

O sr. saiu vitorioso na eleição de 2016, após sofrer decepções em pleitos anteriores. O que considera como relevante para obtenção de tal êxito?

Foi uma vitória sofrida. A força do poder econômico sempre influi no resultado das eleições, e em Araguatins não foi diferente. Quase perdi a eleição nos últimos dias de campanha, em razão deste fator. Contudo, quando os votos da população da zona rural foram contabilizados, minha margem de folga aumentou para mais de 300 votos. Dos votos apurados do perímetro urbano, a diferença foi pouco mais que 50 votos.

Quais são as características marcantes do seu mandato?

Mudamos totalmente a “cara” da cidade. Antes era esburacada, abandonada e suja. Agora, é muito diferente. Organizamos as finanças de forma tal que tapamos os buracos, zelamos pela coleta do lixo, transformando-a. Posso dizer que após dois anos e meio já há um certo reconhecimento, inclusive dos adversários, em relação à maneira como gerimos a coisa pública.

Estamos vivendo a maior e melhor temporada de praia da história da cidade. Construímos uma megaestrutura de energia elétrica, palco, som e tendas na Praia da Ponta, que, na verdade, é uma ilha de frente para a cidade. Realizamos três shows de grande porte nos primeiros finais de semana do mês de férias, o que trouxe um número incalculável de turistas. Isto, evidentemente, estimula o comércio local, que já aumentou 40%, em média, suas vendas. Essa população circulante trouxe recursos para cidade e não há vagas em hotéis ou pousadas. Todos os leitos existentes estão lotados.

Em que pese o turismo ser sazonal, seria possível fazer com que rendesse frutos o ano todo?

Além da temporada de praia, temos tradições festivas no réveillon, carnaval e aniversário da cidade, que hoje é uma das festas mais bonitas da região, mesmo porque envolve toda a comunidade. Quanto ao carnaval, em que pese ter tradição na região, tornou-se uma festa dispendiosa e que, infelizmente, não consegue gerar benefícios de grandes proporções para a cidade, razão pela qual, durante a minha gestão, não será tão incentivado.

Esses turistas que aportaram na cidade são de cidades circunvizinhas?

Certamente que sim, uma comitiva de pessoas de São Bento, Augustinópolis, Axixá. Mas também há um grande número de pessoas oriundas das cidades do interior do Pará e do Maranhão, muito próximas daqui, como também de Goiânia e Brasília. Nosso balneário é famoso e, com a construção de infraestrutura e realização de eventos artísticos, os turistas se animam.

No que se refere a obras, qual é o legado da gestão?

Há uma série de novos contratos — fruto de emendas parlamentares federais — para construção de três postos de saúde e reformas de outros, aquisição de ambulâncias, ônibus escolares, revitalização do Cais, manutenção de mais mil quilômetros de estradas vicinais, já que o município tem grande extensão. São mais de 100 assentamentos e mais de 40 povoados rurais. Quase metade da população reside na área rural e já nos transformamos num dos maiores produtores de melancia do Tocantins. Mantemos um hospital municipal de pequeno porte, com 60 leitos, 12 médicos, além de medicamentos em estoque. Tratamos a atenção básica da saúde com bastante zelo e, na medida das nossas possibilidades, cuidamos dos nossos próprios enfermos. No que se refere à educação básica, reformei a maior escola da cidade e construí outra na zona rural do município, com mantas térmicas no telhado, visando amenizar o calor que faz nessa região. Aguardo a liberação de outros recursos federais para construir uma unidade escolar noutro povoado, circunvizinho a vários assentamentos agrícolas.

Não há obras resultantes de emendas parlamentares estaduais?

Não. Infelizmente, não há obras com recursos oriundos de emendas estaduais. Um deputado da cidade [Rocha Miranda, do MDB] direcionou uma emenda parlamentar para Araguatins. Contudo, sob a alegação que não fazia mais parte do grupo do governador Marcelo Miranda (MDB), a verba não foi liberada até a presente data.

Como vai funcionar a Unidade Básica de Saúde Fluvial?

É um magnífico projeto direcionado para a região amazônica e limítrofes, que consiste em equipar uma embarcação, capaz de percorrer o leito dos rios e atender as populações ribeirinhas, em suas necessidades básicas de saúde, como vacinas e remédios mais comuns, bem como atendimento médico, odontológico e enfermagem. O projeto é grandioso. Estamos construindo esse barco, que está ancorado em nosso cais e, a partir da liberação dos recursos federais, o concluiremos para começar atender as comunidades.

O município consegue sobreviver apenas com o FPM ou há outras fontes de recursos?

Araguatins recebe 1,6%, em razão do número de habitantes. A maioria dos vizinhos — de pequeno porte — recebe apenas 0,6%. Essa verba federal é suficiente para quitar nossa folha de pagamento, que foi reduzida no início da gestão e se encontra sem quaisquer atrasos. Além disso, sobra um pequeno montante para outros investimentos. Contudo, não posso depender apenas deste repasse e, ao assumir o governo, judicializei todas as certidões de dívida ativa pendentes, resultantes de inadimplência de impostos como IPTU, ISS, ITBI. Foi uma medida drástica e impopular; entretanto, necessária. Resgatamos uma grande parte deste passivo que, atualmente, contribui muito para os investimentos na cidade sejam realizados, visto nossa receita, no momento, ser três vezes maior que a gestão anterior.

Qual é a perspectiva para esses dois anos de mandato que ainda restam?

Só preciso que Deus abençoe e permita a liberação das verbas já empenhadas pelos governos federal e estadual. Se isso acontecer, vamos fazer a melhor gestão de todos os tempos nessa cidade. O político que mais destinou verbas para Araguatins foi o senador Ataídes Oliveira (PSDB). Muitas emendas já foram pagas e há outras tantas para serem liberadas, como a drenagem da Avenida Araguaia, por exemplo, que na época das chuvas fica alagada. Nesta sequência de empenhos e liberação de recursos, em segundo lugar, vem a deputada Dulce Miranda (PMDB). Depois, a deputada Professora Dorinha Seabra (DEM), com o direcionamento de várias verbas. Não ficam atrás a senadora Kátia Abreu (PDT), o senador Vicentinho Alves e seu filho, deputado Vicentinho Junior, que também tem contribuído muito com o desenvolvimento do nosso município.

No contexto político, qual foi seu posicionamento na eleição suplementar para governador do Tocantins?

Não apenas pela recomendação do meu partido, como também por afinidades pessoais, apoiei o senador Vicentinho Alves, nos dois turnos da eleição. Sou amigo dele desde os tempos do garimpo no Pará. Eu era garimpeiro e Vicentinho, o piloto do avião que se arriscava a decolar e aterrissar nas pistas estreitas, trazendo alimentos e levando ouro. Hoje, estou neutro. Vou concentrar em administrar a cidade e exercer o cargo para o qual fui eleito. Não fechei acordo com nenhum grupo político para as eleições de outubro e nem sei ainda se o farei. Ainda vou estudar as propostas dos candidatos que forem homologados nas convenções.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.