Ataídes Oliveira joga para ter Cinthia Ribeiro refém

Senador quer controlar vice-prefeita, que pode assumir Prefeitura de Palmas em 2018

Senador Ataídes Oliveira movimento as peças em seu partido para deixar a vice-prefeita Cinthia Ribeiro sem articulação quanado e se ela assumira a prefeitura | Fotos: André Correa, da Agência Senado; Aline Batista, Prefeitura de Palmas

É sabido e notório que Cinthia Ribeiro (PSDB) — que nunca havia exercido qualquer cargo ou disputado qualquer eleição – foi candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada por Carlos Amastha (PSB) após negociações políticas entre os dois partidos. O senador Ataídes Oliveira (PSDB) é o presidente da sigla no Tocantins, e, numa espécie de “gratidão” pelo mandato que herdou do senador João Ribeiro após seu falecimento, indicou a viúva do falecido como candidata a vice-prefeita nas eleições de 2016.

Amastha foi vitorioso nas referidas eleições, e como não poderia deixar, naturalmente, se aproximou de Cinthia. Um elo de confiança nasceu, a ponto de o prefeito elogiá-la, sempre que tem oportunidade.

Ataídes havia permitido que sua correligionária comandasse provisoriamente o diretório metropolitano do partido, contudo, sem assinatura em documentos oficiais. Sentindo o afastamento de Cinthia e sua aproximação de Amastha, o senador percebeu que o controle sobre ela não era absoluto, e resolveu contra-atacar pela via transversa — leia-se ex-deputado estadual Carlão da Saneatins —, retirando-lhe os “poderes” sobre o diretório municipal.

Indignada, a vice-prefeita foi à Justiça, onde foi alertada pelo magistrado Lauro Maia que “não há qualquer documento que indique que a senhora Cinthia Alves Caetano Ribeiro tenha sido ‘nomeada’ como presidente do órgão que alega”, numa referência à presidência da comissão provisória do PSDB. “Aliás, para presidir um órgão necessitava antes ser eleita, não nomeada, pelo menos em princípio, salvo casos especiais de intervenção do órgão hierarquicamente superior”, disse o juiz.

O mais incauto leitor se perguntaria mas porque diabos Ataídes quer brigar com Cinthia Ribeiro agora, se há real possibilidade da prefeitura de Palmas cair em seu colo, em meados de 2018, se Amastha renunciar para se candidatar ao Palácio Araguaia?

A princípio pode parecer um tanto quanto “sem pé, nem cabeça” tal atitude, mas numa análise mais profunda, o que o senador quer, na verdade, é que Cinthia não tenha qualquer autonomia dentro do partido, nem tampouco tenha condições de promover política interna, caso se torne presidente metropolitana. Sem voz dentro da sigla, se Cinthia, por acaso, assumir o comando do Paço Municipal, terá que pedir bênçãos para o presidente estadual da sigla – o próprio Ataídes – caso queira ter o mínimo de governabilidade.

Simples assim. O jogo político é feito à espreita dos desinformados e dos neófitos.

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