Alguns deles nem sequer têm consciência que são servidores do legislativo estadual

Deputado Nilton Franco: “No gabinete não cabem nem 5 servidores, imagine 65. Eles trabalham fora”
Deputado Nilton Franco: “No gabinete não cabem nem 5 servidores, imagine 65. Eles trabalham fora” | Foto: Assembléia/TO

Investigação de veículos da comunicação do Grupo Jaime Câmara (GJC) apurou que o deputado Nilton Franco (PMDB) paga os funcionários de sua propriedade rural em Pium (TO), com verba de gabinete. Alguns deles nem sequer têm consciência que são servidores do legislativo estadual. Um deles é vaqueiro em uma fazenda do parlamentar. Outros sabem que têm contrato, mas não exercem atividades para a Assembleia Legislativa.

Conforme reportagem publicada no portal G1 Tocantins, um destes funcionários é Orlando da Cruz dos Santos. Ele tem um bar no município e disse que não trabalha em outro lugar, mas confirmou ter uma espécie de “contrato” na Assembleia Legislativa. De acordo com o Portal da Transparência, Santos é assessor parlamentar e deveria cumprir expediente de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas. O salário dele é de R$ 800,00, mas ele reclamou que recebe bem menos.

Outro assessor parlamentar que não trabalha na Assembleia Legislativa é Frank Elson Ribeiro Macedo. Ele também reside em Pium, mas sobrevive fazendo consertos de geladeiras na região. Questionado, ele disse que se o deputado precisar, ele estaria pronto para ajudar. Ainda em Pium, na fazenda Buritirana II, que é de propriedade de Nilton Franco, há outro assessor parlamentar, o vaqueiro da fazenda, Raimundo Ferreira dos Santos, que foi nomeado em fevereiro deste ano. O salário que ele recebe para aquela atividade, R$1.500,00 é o mesmo valor que consta no Portal da Transparência da Assembleia Legislativa.

Questionado porque os servidores não batem ponto, Nilton Franco disse que se baseia em um decreto da AL. “Não necessariamente eles têm que estar dentro do gabinete. Esse gabinete só tem uma sala, não dá para acomodar nem 5 servidores, imagine 65. Eles estão nos municípios prestando o trabalho deles.”

Em resposta à reportagem do GJC, em nota, a Assembleia Legislativa disse que “conforme decreto administrativo Nº 88/2006, são dispensados da assinatura de pontos os servidores vinculados aos gabinetes parlamentares, já que estes poderão desenvolver atividades na capital e no interior, especialmente nas bases de cada parlamentar.” O decreto diz também que os assessores devem trabalhar junto à comunidade levantando demandas para possíveis projetos de lei.