Ao desativar setores da polícia para fazer economia, governo puxa para si problemas que não eram seus

Operações policiais vão continuar, mas inquéritos podem ser fragmentados, o que atrasaria as investigações

Equipe da polícia Civil na apresentação de mais uma fase da operação, em dezembro de 2018 | Foto: SSP-TO

Em meio a vapores e contravapores, o certo é que a estratégia do Palácio Araguaia de “caçar confusão” com a Polícia Civil não foi a mais acertada. Após a operação policial que desbaratou a “quadrilha do lixo” em Araguaína, houve – coincidentemente – a exoneração dos delegados regionais, sob o argumento de que tal atitude traria economia para os cofres públicos. Houve revolta, manifestos e, surpreendentemente, entrega dos cargos por parte da cúpula da Secretaria de Segurança Pública, inclusive do próprio secretário, Fernando Ubaldo.

As operações policiais continuaram por intermédio do combate a fraude em licitações e ações de caça aos “servidores fantasmas” (Operação Catarse) da administração pública, iniciada no próprio Poder Executivo, especificamente na Secretaria de Ação Social, passando pela Câmara de Vereadores de Porto Nacional, finalizando na Assembleia Legislativa do Tocantins, numa primeira etapa, nos gabinetes dos deputados Valdemar Junior (MDB) e José Bonifácio (PR).

O governo ensaiou, sob a alegação de corte de gastos e readequação da máquina administrativa, a partir de 2019, extinguir a Delegacia de Repressão a Crimes de Maior Potencial contra a Administração Pública (Dracma). Isso não encerraria as investigações, contudo, fragmentaria os inquéritos, freando as ações policiais. Os contravapores vieram através da Operação Jogo Limpo, que investiga fraudes em convênios do governo estadual com entidades sociais e esportivas e, por último, uma nova fase da Operação Catarse, desta feita nos gabinetes do ex-presidente Osires Damaso (PSC), eleito deputado federal em 2018, e dos parlamentares Toinho Andrade (PHS) e Amélio Cayres (SD).

Tornou-se evidente que há uma queda de braço entre as forças políticas do Estado do Tocantins e a Polícia Civil, que se recusa a abortar ou mesmo “aliviar” as investigações contra os agentes políticos. A alegação é que devem ser investigados todos os crimes havidos, como também quem cometeu delitos, não importando a época. Os parlamentares classificam as Operações Policiais como “políticas, seletivas e direcionadas”, mas o certo é que a crise institucional está instalada, e disso não há quaisquer dúvidas. O que não precisava ter ocorrido era o Palácio Araguaia puxar para si, um problema que – inicialmente – não era seu. Resta saber até onde ou quem, o desfecho das investigações vai atingir. Ou não, se outras ocorrências se mostrarem mais influentes ou poderosas.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.