Amastha pode disputar governo do Tocantins, mas tem pouca viabilidade

Prefeito só teria permeabilidade em um dos cinco colégios eleitorais que definem eleições no Estado

Prefeito Carlos Amastha: terá muita dificuldade em 2018 | Foto: Aline Batista

A denominada “PEC do Amastha”, que impede estrangeiros de se candidatarem ao cargo de governador e senador, não poderá mais ser aplicada nas eleições de 2018. É que o artigo 16 da Constituição Federal diz expressamente: “A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”.

Nestas circunstâncias, considerando que a eleição de 2018 ocorrerá no dia 7 de outubro, o prazo previsto na Carta Magna está compulsoriamente esgotado.

Hipoteticamente, alguns juristas levantam a hipótese de questionar o referido dispositivo legal, uma vez que, caso fosse aprovada a proibição, seria por intermédio de uma Emenda Constitucional e não uma Lei Ordinária.

Conjecturas jurídicas à parte, o certo é que – até segunda ordem ou novos fatos – o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), poderá sim ser candidato a governador do Tocantins ou a uma das vagas do Senado Federal, na medida em que estará em disputa dois terços das vagas daquela Casa Legislativa.

Entretanto, há muitas variáveis nesta história toda. A primeira delas é: Amastha teria mesmo coragem de renunciar ao cargo de Prefeito de Palmas, uma capital com orçamento de mais R$ 1,3 bilhão anuais e com uma base de vereadores à sua disposição para “aprovar ou desaprovar” suas vontades e condutas, para disputar o governo do Tocantins que, inobstante passar por sérias dificuldades financeiras, ainda é obrigado a lidar incessantemente com a fogueira de vaidades, que é a Assembleia Legislativa!? É uma incógnita.

A segunda análise é ainda mais desanimadora – para aqueles que torcem para tal enfrentamento. O Estado do Tocantins possui cerca de 700 mil eleitores e, logicamente, é necessário obter cerca de 300 mil votos para se tornar governador. Este é o histórico dos últimos pleitos e contra números, não há argumentos. Onde estariam esses 300 mil votos de Amastha?!?

Se partíssemos para um exercício de “imaginologia”, poderíamos considerar que o prefeito poderia angariar 60% dos eleitores da capital, o que lhe renderia cerca de 100 mil votos, uma vez que a cidade de Palmas possui cerca de 170 mil eleitores. Nesta linha de raciocínio, onde estariam os outros 200 mil votos, já que além da natural candidatura de Marcelo Miranda à reeleição, ainda há possibilidade de ocorrer uma terceira candidatura, encabeçada por Kátia Abreu?

No norte do Estado, especificamente em Araguaína, Amastha encontraria sérias dificuldades de penetração, uma vez que teria que minar um território cujos “proprietários” são Valderez Castelo Branco, Lázaro Botelho (PP) e Ronaldo Dimas (PR), este último, também, alinhado com o atual governador, após o presidente do seu partido, Senador Vicentinho (PR), se tornar líder da bancada federal e se aproximar do Palácio Araguaia.

O que dizer de Gurupi? Seu grau de influência neste colégio eleitoral também é quase irrisório após o prefeito Laurez Moreira ter saído do PSB há pouco tempo, por divergências políticas com o próprio Amastha.

Em Paraíso também não há perspectivas de ser diferente, uma vez que o cacique político daquela cidade e região é o prefeito Moisés Avelino, peemedebista roxo, que certamente vai dificultar o avanço de Amastha por aquelas bandas.

Já em Porto Nacional, a situação se repete: os líderes da cidade são o senador Vicentinho e o prefeito Joaquim Maia. Este último, enquanto vereador de Palmas, foi oposição ao colombiano durante todo o mandato, transformando-se num ferrenho adversário.

Não resta quaisquer dúvidas que a obtenção de êxito numa eleição para governador depende da formação de uma base e um grupo forte. Dentre os cinco colégios eleitorais do Tocantins, capazes de definir uma eleição – Palmas, Araguaína, Gurupi, Paraíso e Porto Nacional – Amastha abriria vantagem apenas no primeiro, o que, definitivamente, não seria suficiente para ganhar o pleito, conforme demonstrado acima.

Nos outros municípios de menor porte, nos quais o PSB conseguiu eleger alguns prefeitos, a ampla maioria deles se filiou recentemente ao PSDB, abandonando o partido de Amastha e, consequentemente, fechando as portas para ele naqueles redutos eleitorais.

Inobstante a isso, há ainda uma terceira questão: a formação da legenda. Quais seriam os três nomes de peso que fariam composição com o prefeito de Palmas para formar a chapa, ocupando os cargos de vice-governador e dois senadores? O grupo político do prefeito, hoje, não tem esses nomes. Insta enfatizar que Amastha não se relaciona bem com nenhum dos oito deputados federais nem tampouco com os três senadores da República. Ele também não se bica com pelo menos 20 dos 24 deputados estaduais.

Eis que surge a pergunta que não calar: “Onde estariam os outros 200 mil votos?” Muitas variantes poderiam ser expostas, contudo, uma análise profunda apenas destas três hipóteses já seria suficiente para barrar Amastha e, pelo menos a princípio, seu natimorto projeto “#RumoaoPalácio”.

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