Amastha perde apoio de lideranças do MDB

Carlos Amastha (PSB), candidato a governador, perde apoio de peso

Tudo tem seu preço. A vida é semelhante a um bumerangue: tudo que vai, volta. O ex-prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), tem vivido essa máxima na pele. Suas palavras causaram impactos e seus efeitos transformaram-se numa carga pesada.

É comum ouvir: “Ah, mas a im­pren­sa pega demais no pé do A­mastha”. Quem dera fosse perseguição. Longe disso. A verdade é que, quando comandava a prefeitura de Palmas e acreditava não precisar de ninguém, Amastha falou o que quis. Hoje, ouve o que não quer. Além disso, atualmente, é rejeitado por muitos e ouvido por pouco. Isso, naturalmente, traz reflexos e tal fato deve ser noticiado e repercutido. A avalanche de notícias jornalísticas, artigos e comentários acerca dos retrocessos do ex-prefeito é bastante comum na imprensa tocantinense.

Muitos possíveis aliados, que, a princípio, iriam garantir votos a ele pelo interior estão se distanciando. O deputado estadual pelo Stalin Bucar (PR), por exemplo, manteve sua fidelidade ao senador e candidato à reeleição Vicentinho Alves (PR), mas rejeitou de pronto Amastha. “O candidato lança uma candidatura em uma convenção e dias depois renuncia. Qual a confiança que teremos num elemento deste? Nenhuma. Essas coisas que ele fez político sério não faz. Perdeu totalmente a credibilidade no meu ponto de vista. E eu não seria irresponsável a ajudar a eleger um governador que, de repente, poderia abandonar o Estado”, justificou Bucar.

Já os parlamentares Luana Ri­bei­ro e Olyntho Neto, ambos do PSDB, mantiveram seus compromissos com senador e candidato a reeleição Ataídes Oliveira (PSDB), mas excomungaram Amastha, candidato a governador escolhido pela coligação do partido. A classificação de todos os políticos tocantinenses como “vagabundos” ainda não desceu goela abaixo dos referidos de­putados e nem de outros políticos.

O grupo do ex-prefeito de Nazaré Clayton Paulo (PTB), apoiou Amastha na eleição suplementar, mas decidiu trabalhar pela reeleição do governador Mauro Carlesse (PHS). A pequena cidade, diga-se de passagem, deu a maior vitória proporcional para Amastha na suplementar. Segundo Clayton Paulo, os últimos acontecimentos envolvendo o ex-prefeito de Palmas dificultaram o apoio do grupo.

“Ele tem afastado muita gente dele, inclusive do nosso grupo. Tínhamos vereadores que o apoiaria, mas, depois de sábado [18], criou uma resistência muito grande pelas atitudes do Amastha, pela forma com que ele vem conduzindo esta campanha. Pesou muito isso”, disse Clayton Paulo, em uma referência ao fato do governadoriável do PSB ter se recusado a subir no palanque em Sítio Novo em razão da presença do ex-governador Marcelo Miranda (MDB).

Para ele, a forma como Amastha vem conduzindo sua campanha demonstra “incoerência”. “Com essa alternância de pensamento, do tipo ‘hoje sou candidato, amanhã não sou’, ‘quero o MDB, mas não quero o Marcelo Miranda’, fica muito difícil. É incoerente. Algumas pessoas citaram isso na reunião”, lembrou.

Outros prefeitos, como Itair Martins (PSB), de Rio Sono, Renan Cer­queira (PR), de Porto Alegre, Miranda Taguatinga (PV), Tagua­tin­ga e Suelene Lustosa Matos (PSD), de Lizarda, já desembarcaram do navio colombiano para se juntar à frente liderada pelo governador Carlesse.

O fato de Amastha, pela conveniência política, ter aceitado o MDB na coligação, mas não querer posar ao lado de Marcelo Miranda e Dulce Miranda no comício de Sítio Novo, e também no Bico do Papagaio, trouxe reviravoltas dentro do seio emedebista. Um dos mais revoltados e incisivos foi o suplente de deputado federal, atualmente em exercício, Freire Junior.

A revolta no partido foi tamanha que a Executiva Estadual do MDB se reuniu na quarta-feira, 22, para discutir o imbróglio e resolveu, por fim, liberar os candidatos do partido a levar o apoio a quem quiser e não mais exclusivamente a Amastha.

O prefeito de Paraíso, Moisés Avelino (MDB), foi enfático: “Eu expliquei a razão, já que ele me perguntou o porquê. Eu disse que era em função das declarações dele durante essa caminhada de muito tempo para cá, em que postou nas redes sociais que, dos políticos velhos do MDB e do Tocantins, ninguém prestava, que tinha que renovar tudo. Eu disse a ele que me incluía dentro desses políticos velhos. Portanto, reafirmei ao Amastha que eu não tinha condições de apoiá-lo”.

Já o presidente estadual da sigla, Derval de Paiva, segue a mesma linha de raciocínio e, em troca, a deliberação do partido foi a indicação o próprio Derval como suplente do senador Ataídes Oliveira (PSDB), ocupando um espaço que, anteriormente, o MDB não havia feito questão de ocupar. Justamente por esta razão, os prefeitos emedebistas das cidades de Almas e Bernardo Sayão, Wagner Nepo­muceno Carvalho e Maria Benta de Mello Azevedo, respectivamente, já optaram por abandonar Amastha e apoiar Mauro Carlesse.

Por sua vez, o ex-governador Marcelo Miranda e a ex-primeira-dama e deputada federal Dulce Miranda participaram da reunião e se mostraram indignados com a postura de Amastha, deixando claro que não aceitam mais apoiar a candidatura do ex-prefeito de Palmas.

Dessa forma, Amastha está ilhado e sem apoios de peso. Não será surpresa, portanto, se sua votação, em outubro, for inexpressiva. O maior adversário do pessebista é ele mesmo. l

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