“Ajuste nas contas do Estado é necessário, mas precisa ter cuidado para escolher quais áreas devem sofrer cortes”

Depois de vários mandatos como vereador, Ivory chega à Assembleia Legislativa e manterá foco na região central do Estado | Foto: Divulgação

Protagonista de uma rica carreira política no Tocantins, Ivory de Lira é o único agente político que foi vereador na capital provisória, Miracema, e na capital definitiva, Palmas.  Ele também é o único, até o momento, que conseguiu retornar ao parlamento palmense após ter perdido uma eleição.

Elegeu-se vereador em Palmas por quatro mandatos consecutivos entre 1997 e 2012 e foi presidente da Câmara no último biênio, além de presidir a União dos Vereadores do Tocantins entre 1999 e 2000. Se em 2012, Ivory – ainda no PT – não foi reeleito, já em 2016, no PPL, obteve êxito pela quinta vez, elegendo-se vereador em Palmas. Em 2018, obteve o seu primeiro mandato como Deputado Estadual, após obter 7.300 votos.

Partidário da máxima que os eleitos devem ser sempre melhores do que aqueles que ocuparam o cargo anteriormente, o parlamentar concedeu entrevista ao Jornal Opção, enfatizando que sua atuação será comprometida com o bem estar do povo. O objetivo é fazer o melhor mandato legislativo de sua carreira.

O que o sr. destaca em sua trajetória de 20 anos na política, desde que foi vereador em Miracema?

Tenho orgulho de dizer que fiz parte do início político do Estado do Tocantins. A cidade de Miracema foi escolhida para ser a capital provisória e eu era vereador naquele município. Na condição de legislador, fui o relator e ajudei a elaborar, em 1989, a Lei Orgânica municipal, além de outras normas importantes. Posteriormente migrei para Palmas, após a transferência da capital. Fiz uma sequência de mandatos e participei da história da cidade, porque ajudei a elaborar, praticamente, todas as leis de diretrizes, de ordenamentos, elaboração e revisão do Plano Diretor ou mesmo aprovação de planos de cargos, carreiras e salários das mais diversas categorias. Conheço Palmas com muita propriedade, todas as suas particularidades, como também o que precisa ser aprimorado.

Se fôssemos fazer uma radiografia da nossa capital, os vazios urbanos estariam em destaque. Qual seria a solução?

No início de Palmas houve um descuido, por parte dos governantes, e a cidade cresceu de forma desordenada. Hoje, no sentido Norte-Sul, do Bairro Sonho Meu até o Jardim Taquari, são 28 km de extensão. Nesse espaço, seria possível viver 2,5 milhões de pessoas, mas temos pouco mais de 200 mil habitantes. Começamos a mudar essa realidade ainda em 2006, quando criamos o Plano Diretor da cidade e elaboramos mecanismos que foram capazes de conter a expansão e o crescimento desordenado. Despertou-se, na mesma época, a verticalização da cidade e, por consequência, o adensamento.

Em 2018 foi feita a revisão das diretrizes e dos limites do entorno de Palmas, visando regulamentar, de vez, algumas áreas rurais – que foram loteadas ilegalmente. Esses condomínios estavam, praticamente, dentro da cidade, mas não seguiam obrigatoriamente os critérios e as regras previstas no Plano Diretor e, nem tampouco, pagavam IPTU. Criou-se, portanto, instrumentos e mecanismos que evitam ocupações irregulares em torno da cidade.

Em relação ao projeto da prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB), que retroagiu os valores do IPTU ao ano de 2012 e apenas o corrigiu monetariamente, anulando os malabarismos políticos que supervalorizaram os imóveis em 2017, qual a sua percepção?

Louvável, digno de parabéns. A prefeita foi sensata. A realidade do país não permite a prática de valores exorbitantes em relação a impostos. A planta de valores de 2012 é bem realista quanto aos valores venais dos imóveis. O mercado imobiliário – não apenas em Palmas, como em todo país – deu uma retraída, isso é fato incontestável. Evidentemente, os valores dos impostos devem seguir a mesma lógica, porque não tem sentido pagar IPTU sobre um imóvel supervalorizado, quando todos sabem que, talvez, ele não valha nem a metade daquele valor. Outra questão de crucial importância foi o regramento do imposto progressivo. Votei favorável e aprovamos o projeto do executivo que prevê que só serão sobretaxados os imóveis, sem construção ou benfeitorias, acima de 5.000 m². É que toda família tem direito de fazer um investimento. Ora, se o avô ou o pai quer comprar um lote de 360 m², para seu filho ou neto, mas por enquanto não quer construir, é justo penalizá-lo por isso, cobrando impostos estratosféricos? Penso que não.

O Sr. representa a região central do Estado do Tocantins e foi eleito por ela, para exercer o cargo de deputado estadual em 2018. Que tipo de representatividade esses munícipes podem esperar do Sr. no parlamento?

A região central do Tocantins foi a mola propulsora que me alçou à Assembleia Legislativa. Conseguimos, ao longo do tempo, reunir vários amigos e correligionários nessa região. A expressividade dos votos concentrou-se muito em Miracema e Palmas, como já era esperado, em razão do elo com as duas cidades. Há alguns outros municípios, como Miranorte, Araguacema e Lizarda, dos quais sou o representante legítimo. Isso me traz uma grande responsabilidade, pois cabe a mim lutar por benefícios e pelo desenvolvimento daquelas cidades.

E quanto a Miracema, sua cidade-natal?

Com Miracema, nosso compromisso é ainda maior. Precisamos rediscutir a vida da cidade, que passou por fases sazonais. Foi inflada e esvaziada quando se tornou capital provisória; quando foi sede e abrigou os funcionários da usina hidroelétrica do Luiz Eduardo Magalhães e, posteriormente, em razão da construção da ponte sobre o Rio Tocantins, em Lajeado. Tudo isso trouxe impactos sociais para a cidade. Há altíssimas taxas de desemprego e o desenvolvimento socioeconômico daquela comunidade deve ser repensado. Vejo Miracema hoje com um enorme potencial logístico, próxima à ferrovia Norte-Sul, ligada à capital por boa malha viária, sem utilização de balsas para atravessar o Rio Tocantins. A cidade tem vocação para a exploração de seixo, como também agrícola, porém, esses potenciais não tem sido explorados como deveriam. Porque não viabilizarmos incentivos fiscais para instalação de indústrias na área de artefatos, gerando emprego e movimentando a economia da cidade? Precisamos rediscutir tudo isso com a população, associação comercial e representantes da sociedade civil organizada.

Qual será o carro-chefe desse seu novo mandato como deputado estadual?

Na minha concepção o Estado do Tocantins é muito privilegiado, localizado logisticamente no coração do Brasil, com uma malha viária em bom estado de conservação que lhe interliga aos Estados do Pará, Mato Grosso, Maranhão, Piauí, Bahia e Goiás. Temos condições de produzir e exportar para qualquer lugar do mundo ou mesmo ser o corredor de exportação dos produtos dos outros Estados da federação. Além disso, nosso potencial hídrico é algo extraordinário, que também é pouco explorado. Precisamos tornar nossas promissoras potencialidades viáveis, como também agregar valor às nossas commodities. Vamos, portanto, abrir essas discussões na Assembleia Legislativa, porque se temos localização privilegiada e estratégica, solo fértil e recursos hídricos em abundância, é inadmissível não figurarmos entre os dez Estados mais ricos do país. Além disso, o foco será fomentar políticas públicas que beneficiem os tocantinenses, além de cuidar das pessoas e discutir a melhor forma de fazer com que nossas riquezas beneficiem nossos habitantes.

O governador Carlesse iniciou uma série de ações visando a redução de gastos em 2019, inclusive com corte de servidores. Qual sua opinião acerca do tema?

O ajuste é necessário, não há dúvidas, caso contrário será impossível viabilizar economicamente o Estado. Contudo, é necessário um certo cuidado quando o tema é saúde, educação e segurança, porque há profissionais nestas áreas que são essenciais para o funcionamento da máquina administrativa. Seus desligamentos sem critérios causam caos e prejudicam a população.

No que concerne ao partidarismo e as reformas recentemente implantadas pela legislação eleitoral, verifica-se que seu atual partido (PPL) esbarrou na cláusula de barreira e, ao que tudo indica, vai se fundir com o PC do B. Como o sr. avalia isso?

O PPL é um partido relativamente novo, mas que possui comissão provisória em alguns municípios tocantinenses. Sou presidente do Diretório Metropolitano de Palmas e o presidente regional é o Abrão Lima. Entretanto, o número de políticos eleitos no último pleito não foi suficiente para transpor a cláusula de barreira. Já há uma “carta de intenção” para fazer uma fusão com o PC do B, que é histórico no Brasil e possui muitos filiados por todo o país. Tenho simpatia por esta fusão, mesmo porque sou um político de centro-esquerda. Já fui filiado ao PPS, PDT, MDB e até mesmo ao PT. Creio que nos próximos cinco meses, prazo para cumprimento dos protocolos estabelecidos pelo TSE, essa fusão seja concretizada.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.