“A voz das ruas indicam que há um sentimento de renovação e mudança”

O vice-prefeito da Porto Nacional demonstra insatisfação com a gestão de Joaquim Maia, e pode se tornar o maior adversário de seu ex-aliado nas eleições 2020

Ronivon Maciel Gama foi vereador na cidade de Porto Nacional entre 2012 e 2016, eleito pelo PT. Em 2016 foi eleito vice-prefeito na chapa de Joaquim Maia, cargo que ocupa até a presente data. Insatisfeito com a gestão do município é, por enquanto, o principal adversário do seu ex-aliado nas eleições de 2020, na medida em que é o pré-candidato a prefeito, agora filiado ao PSD. 

Maciel foi empresário no ramo de material de construção, é graduado em história pela Unitins e pós graduado em gestão pública.  

Em 2018 o Sr. foi candidato a deputado estadual. Qual sua avaliação daquele pleito?

Fui candidato pelo PROS e obtive significativa votação: 7.742 votos, obtendo a terceira suplência da chapa. Destes mais de sete mil votos, consegui 5.342 votos apenas em Porto Nacional, a minha cidade natal. Isso significou aproximadamente 20% dos votos válidos no âmbito do município. Fui o candidato mais votado na cidade e isso me orgulha muito. Foi o reconhecimento de um trabalho prestado, a certeza que estou no caminho certo em relação às minhas condutas e posturas. 

E por quais razões o Sr. migrou para o PSD na janela de transferências?

Havíamos realizado um trabalho conjunto com o senador Irajá Abreu na campanha de 2018. Ele me fez o convite para migração e eu aceitei, uma vez que entendi que as possibilidades e oportunidades seriam melhores na nova sigla. 

Na condição de vice-prefeito, mas concorrente ao cargo prefeito, por quais razões o Sr. rompeu com o atual gestor, Joaquim Maia?

Quando meu nome foi indicado pelo grupo político para compor a chapa, entendi que era preciso enfrentar o desafio, mesmo porque havia também um clamor popular para que eu aceitasse ser vice. Compreendi a importância do meu engajamento para o processo eleitoral. Ganhamos a eleição, cumpri meu papel. Não fui um vice decorativo, fiz interlocuções junto às Secretarias, na medida em que meu gabinete sempre esteve aberto para receber e tentar resolver as demandas dos munícipes. 

Todavia, a partir de um certo período, passei a verificar que o sentimento da população era de insatisfação com a gestão. Por isso, digo que não houve “rompimento”, mas sim um “afastamento”, da minha parte, do atual prefeito. Não há uma desavença ou intriga entre nós – ao contrário, há um respeito mútuo. Estamos afastados porque, no momento, temos pensamentos e interesses divergentes. 

O eleitorado tem manifestado apoio ao meu nome para concorrer ao cargo e, havendo essa mesma vontade por parte do meu grupo político, sou pré-candidato a prefeito de Porto Nacional. Esse sentimento do povo tornou-se muito forte e sinto que há apoio popular. Por isso, a minha decisão está tomada: vou concorrer. 

Em relação a essa questão do grupo político, comandado pelo deputado estadual Ricardo Ayres, nota-se que ele também se afastou do prefeito. Quais foram as razões?

Em 2016, o deputado Ayres renunciou ao seu desejo de concorrer à prefeitura de Porto Nacional para apoiar o projeto do Joaquim Maia. Houve uma confluência de forças e conseguimos obter êxito.

Mas como disse, há um sentimento de insatisfação nas ruas com a gestão do atual prefeito. O deputado também percebeu isso e acertamos para eu que fosse o candidato desse grupo e, por consequência, ele também se afastou da gestão municipal. 

Quais partidos compõem essa frente?

Seria leviano se eu apontasse isso antes das convenções partidárias. Há siglas e seus pré-candidatos que tem interesses comuns aos nossos e que podem compor a nossa chapa, mas isso ainda não está completamente definido. 

Poderia especificar quem seria essas pessoas ou partidos?

Hoje, tanto o PSL, quanto o PDT, o CIDADANIA, o REPUBLICANOS, o PODEMOS, por exemplo, tem pré-candidatos ou nomes representativos. Não é difícil para mim e nem para nenhum deles abrir o diálogo e fazermos uma composição em prol deste projeto. 

Há uma predisposição para que algum deles indique o candidato a vice na nossa chapa, porque é público e notório que esses grupos tem dificuldade de caminhar com nossos opositores. Portanto, é uma questão de sentarmos, conversarmos e definirmos, evidentemente, no momento certo. 

Como o Sr. avalia os candidatos opositores, que provavelmente vai enfrentar nas eleições?

Tanto Joaquim Maia como também o ex-prefeito Otoniel Andrade, tem o meu respeito e uma lista de serviços prestados. Acertaram em alguns pontos, se equivocaram em outros. Isso é normal em gestões públicas, mas não vou ficar aqui apontando erros ou falando mal das gestões e, nem tampouco, desqualificá-las. 

Ocorre que o momento é outro. O quê eu vejo é um clamor popular no sentido de que nem a gestão anterior e nem a atual, é bem avaliada ou aprovada. Tenho convivência efetiva com a comunidade e sinto que há um sentimento de mudança. 

Penso que é necessário gerir com transparência e otimização dos recursos públicos. Minha plataforma baseia-se nisso e vejo a população com o mesmo sentimento. Tenho experiência como empresário, vereador e vice-prefeito. Por isso, me sinto preparado para ser prefeito de Porto Nacional e obter muito mais êxitos.   

Quais são os grandes gargalos a serem solucionados? 

Há uma carência em nosso município que é a falta de oportunidades. É necessário ligar o fio condutor do desenvolvimento, incentivando e fomentando nossos potenciais produtivos. Precisamos revitalizar nosso parque industrial, atraindo novas empresas e investimentos, como também estruturar as estradas vicinais da nossa zona rural. Tudo isso colabora com o desenvolvimento e agrega para a geração de emprego e renda para o nosso povo.

Também é necessário zelar pela infraestrutura da cidade, através de novas obras e não apenas aquelas de manutenção. Essa é uma reclamação constante das comunidades.

Esses são, na minha visão, os grandes gargalos de Porto Nacional. 

E quanto ao distrito de Luzimangues, distante 70km da cidade sede? Como melhorar a vida daquela população?

Tenho um compromisso muito forte com aquela comunidade. É preciso ampará-los, ter um olhar especial, como também ações efetivas para melhorar a vida daquela gente. Há uma forte contribuição de impostos, uma vez que o comércio é pujante. 

Creio que o distrito precisa de um orçamento próprio, sem muita dependência do município sede. Se eleito, vou propor isso ao parlamento, uma vez que dessa forma ficará mais fácil gerir e enfrentar os problemas de Luzimangues. 

Quero modernizar e unir forças, juntamente com a iniciativa privada e o setor imobiliário, para que finalizemos a parte infraestrutural do distrito, como também a regularização fundiária de alguns loteamentos. 

É necessário também rever o valor dos impostos cobrados, diminuindo a inadimplência. Essas ações vão melhorar a vida do povo, mas simultaneamente, vão gerar riquezas para o município, uma vez que aumentará arrecadação, que serão revertidas e aplicadas no próprio distrito. 

Enfim, porque o Sr. quer ser prefeito de Porto Nacional?

Acredito nos desígnios de Deus e que temos missões durante nossa passagem pela terra. Fui convidado e convocado para entrar na vida pública em 2012. Tenho aplicado os princípios da lealdade, dedicação, boa vontade, prontidão, trabalho e responsabilidade. Isso norteou minha vida pública. 

Tenho ganhado espaço político e a admiração e confiança da população portuense. Sou filho dessa terra, quero administrar a minha cidade, dos meus pais e familiares, como também do meu povo, honrando-os. 

Muito foi feito pelas gestões anteriores, mas ainda há muito para fazer e inovar. É uma missão e acredito que estou preparado para o desafio e, por isso, creio que o povo me alçará ao cargo nas próximas eleições.   

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