“A missão mais desafiadora será reconstruir a capital no período pós-pandemia”

A prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro, fala sobre os 32 anos da cidade, completados no último 20/05, e faz também uma avaliação de sua gestão

Prefeita da capital do Tocantins desde abril de 2018, Cinthia Ribeiro (PSDB) foi reeleita nas eleições de 2020, após obter 36,24% dos votos, no último pleito sem o segundo turno no município. A prefeita de Palmas é graduada em fonoaudiologia e ocupa lugar de destaque, no que concerne ao cenário nacional, dentro da sua sigla.

Nesta entrevista ao Jornal Opção/Tocantins, a prefeita da capital fala sobre os 32 anos da cidade, completados no último 20/05, como também avalia sua gestão, enfrentamento à pandemia, conquistas, avanços e analisa, até mesmo, as possíveis dificuldades que enfrentará no período pós-pandemia.

A capital do Tocantins completou 32 anos no último dia 20 de maio. Qual é a sua mensagem para a população da cidade que lhe reelegeu ao cargo de prefeita em 2020?
É uma mensagem do fundo do coração: que eles continuem sendo fortes, guerreiros e acreditando, com muita fé, principalmente no porvir. Gente forte e fé no porvir, exatamente o que a gente canta no nosso hino, com muito orgulho, pois essa cidade foi construída sobre esses desígnios. Mais do que isso, é repleta de um povo trabalhador, leal e otimista, que tem história viva na nossa capital, na pessoa do seu criador, Siqueira Campos. A ele, todo nosso carinho e reconhecimento também, assim como reconhecimento que a gente tem a toda população que constrói, em Palmas, um tempo novo, a capital de todos os tocantinenses. 

O que dizer ao povo de Palmas, que enfrentou a pandemia com muita luta e que precisa desse alento para continuar na batalha?
Quero dizer que devem continuar olhando para essa cidade com a mesma esperança que trouxe todos nós até aqui um dia. Palmas é o resultado dos sonhos de muita gente, nós sonhamos essa capital juntos. São pessoas que saíram dos lugares dos mais diversos do Brasil e, também, do mundo e construíram tudo que está aí. 

Minha maior a maior vontade agora é que Palmas volte a ter o formato que nós tínhamos antes da pandemia, repleta de obras e construção civil, de dinamismo da nossa economia, de ver as pessoas nas ruas fomentando o comércio, frequentando os nossos parques, as nossas praias, as nossas praças, etc. 

Hoje posso dizer que as medidas mais rígidas foram necessárias, uma vez que a capital tem a menor taxa de letalidade/mortalidade da doença, mas ela ainda não passou. É preciso devolver a esperança e a expectativa para tantas pessoas que depositaram aqui os seus sonhos. Essa vai ser a missão mais desafiadora de todas as outras: reconstruir uma capital no pós-pandemia. 

Acredito que isso vai demandar esforços concentrados de todo mundo e, acima de tudo, colocar os nossos projetos pessoais dentro da “gavetinha” e não colocar isso à frente de nada. Trata-se de um projeto suprapartidário mesmo, que envolve união de esforços entre o Governo do Estado, a Câmara de Vereadores e a Prefeitura, com a finalidade de ver esse “tempo novo” acontecer realmente em Palmas. Essa é a vontade que está no coração de todos nós. 

Ao contrário de anos anteriores, em razão da pandemia, foi impossível proporcionar festas e comemorações para a população da cidade…
Infelizmente não foi possível, temos que ter responsabilidade. Mas o grande presente, vamos levar para as pessoas: um pacotão de obras que envolve R$ 200 milhões de reais. Estamos entregando para as pessoas do Setor Santo Amaro os seus contratos para que seus imóveis sejam legalizados e, no dia do aniversário da cidade, um representante do Ministério do Desenvolvimento Regional veio fazer a entrega das chaves das casas. Então, acho que o presente maior é esse, proporcionar cidadania para quem de fato merece. 

E quanto à retomada das obras na capital – financiadas pela CAF (Cooperativa Andina de Fomento) – após o período chuvoso?
Entregamos nesta semana a Quadra 508 Norte – um resgate com o pessoal que morava no povoado Canela – vi a felicidade estampada no rosto de cada um deles. Pessoas que aguardaram durante tanto tempo a conclusão daquela obra, que já está com mais de 70% pronta, faltando apenas acabamento. A parte pesada de drenagem, pavimentação asfáltica e iluminação já foram feitas. Agora só falta a parte de acabamento, como calçadas, rampas de acesso, etc. Neste mesmo estágio também se encontra a Quadra 408 Norte. 

Retomamos os canteiros de obras e as máquinas voltaram a trabalhar. Alguns pensavam que as obras eram eleitoreiras, mas provamos agora que elas foram paralisadas apenas em razão do período chuvoso mesmo. Aliás, as intensas chuvas serviram como teste de resistência, porque a drenagem resistiu bem, foi bem executada e não houve alagamento em lugar nenhum.

E no que concerne às obras da Avenida Norte-Sul 10, um grande corredor que, uma vez pronta, vai desafogar o transito na Avenida Teotônio Segurado?
Algumas partes estão prontas, mas outras ainda precisam de drenagem, principalmente ali perto da reserva florestal do Parque Cesamar. O objetivo é evitar alagamentos como ocorria na Teotônio Segurado e trazer segurança para todos que nela transitam. Trata-se de uma obra imensa, que corta a cidade de norte a sul. Aliado a isso, o governo do Estado está finalizando a Avenida Leste-Oeste 15, que vai funcionar como anel viário de Palmas, desafogando o trânsito e os veículos pesados do plano diretor da cidade. 

Essas obras ainda são referentes à 1ª etapa do referido financiamento, mas como estão os projetos para a 2ª etapa?
Sim, toda essa retomada que eu disse, ainda dizem respeito à primeira etapa. Agora estamos com o processo de licitação em tramitação para a segunda etapa das obras a serem financiadas pela CAF. Os envelopes serão abertos no próximo dia 28 de Maio e as propostas das empresas que participaram do segundo lote da Caixa já vão ser analisadas. Nesta etapa de serviços serão contemplados os Setores Santa Fé, Morada do Sol e Morada do Sol III, que vão beneficiar pessoas estão aguardando benefícios há muito tempo. 

Em relação ao enfretamento da pandemia, essa questão do novo coronavírus que causou vários transtornos, a Sra. editou – recentemente – decreto permitindo a abertura parcial do comércio, visando o seu fortalecimento, como também a geração de emprego e renda. Seria interessante que expusesse suas convicções acerca desse tema…
Sobre a retomada da economia, estou cumprindo um plano de descontingenciamento que havíamos traçado ainda no ano passado, Infelizmente, formos surpreendidos por uma segunda onda, muito mais hostil, porque o vírus se comportou de uma forma muito mais agressiva do que foi na primeira. Prova disso é que nos primeiros cinco meses de 2021, tivemos muito mais casos do que o ano passado inteiro. 

Esse novo comportamento do vírus nos obrigou a replanejamento e um reequipamento, tanto por parte do município, quanto pelo Estado do Tocantins, o que culminou com o dobro de capacidade de atendimento que tínhamos no passado. Isso prova que nos preparamos para isso. Mas ainda assim, graças a Deus em Palmas, ninguém ficou sem atendimento. Chegamos na primeira semana de março com números muito preocupantes e isso nos obrigou a tomar medidas ainda mais restritivas.

Tenho ciência que tudo isso gera um impacto gigantesco na sociedade. É uma crise na saúde, lidando com um inimigo invisível, que se comporta cada hora de uma forma, desafiando a ciência, desafiando os profissionais de saúde. Nos cabe, enquanto poder público, fazer todo esse preparo e cuidar da vida das pessoas. 

Claro que isso – como em todo o Brasil – gerou outros reflexos, como prejuízos sociais, econômicos, financeiros. Mas para viabilizarmos uma retomada de forma consciente, obviamente o poder público tem que ser um grande parceiro da iniciativa privada, tem que olhar com carinho todos os segmentos da sociedade e, antes de mais nada, temos que estar vivos. Isso tem sido um desafio constante para todos nós e, por mais que a gente ache que hoje vivemos um período de estabilidade, a pandemia não passou.  

Mas o percentual de pessoas vacinadas não altera nada esse contexto?
Por mais que nós já tenhamos avançado muito no que diz respeito à vacinação, continuamos na proteção e adoção de medidas de seguranças em vários lugares, na contratação e preparação de toda a nossa rede de saúde, e isso ainda demanda um cuidado muito grande. Pela adoção de todos esses cuidados é que estamos podendo fazer essa reabertura agora, de forma escalonada, tanto do comércio, como de bares e restaurantes para funcionamento noturno. Enfatizo a necessidade do regramento de 50% da capacidade, obedecendo protocolos construídos dentro da Vigilância Sanitária, com a nossa fiscalização em conjunto com o Governo do Estado. Assim, é preciso dizer que retomada, neste momento, só é possível em razão das medidas bastante rigorosas e necessárias. Os números comprovaram isso. Tivemos 2.200 na primeira semana de março e 637 casos na primeira semana de maio. Isso comprova que fizemos o que era necessário ser feito, no momento certo.

Neste contexto e, sabendo das dificuldades dos contribuintes, o decreto prorrogando o prazo para pagamento do IPTU já foi publicado?
É minha obrigação pensar na cidade como um todo. Tudo isso causa impacta as receitas das famílias e, também, as receitas do município. Então, estamos readequando tudo isso para que as pessoas possam se programar em relação às suas contas e às suas despesas mensais, trazendo um pouquinho mais de refrigério para todos. A área social tem que ser assistida, a alimentação das pessoas e, agora, o cartão da família. É a primeira a única cidade no Tocantins que tem um auxílio emergencial próprio, com receitas do município, que investe cerca de R$10 milhões na economia da nossa cidade. Com certeza isso traz bastante conforto, não só para as próprias famílias, como também para o comércio, que aguarda tanto por estes investimentos para se recuperar.

Ainda no que concerne à pandemia, alguns Estados e Municípios – através de consórcios – pretendem adquirir imunizantes, visando imunizar sua própria população, com recursos próprios. Qual é o estágio desse processo?
Sim, estão reservados cerca de R$ 15 milhões para aquisição de vacinas. Vai depender muito de qual vacina será adquirida, a variação do dólar, entre outras circunstâncias. Ainda assim, é preciso ressaltar que a regra é que apenas metade do que adquirirmos poderá ser utilizada no município, pois temos – obrigatoriamente – que ceder parte para o governo federal. 

Esse é uma verba que temos que manter resguardada, porque somente com a vacina vamos ter a expectativa de ter de volta de um novo normal, garantindo a imunização das pessoas que não estão em nenhum grupo prioritário. Obviamente, existe um Plano Nacional de imunização e, trata-se de responsabilidade do Governo Federal, a aquisição dessas doses. 

Ainda assim, o Consórcio “conectar”, do qual sou a 2ª vice-presidente, é composto por aproximadamente duas mil prefeituras, que tiveram seus projetos de lei aprovados, permitindo que essa compra direta de insumos, medicamentos e, também, das vacinas, pudesse ser realizado. 

Até agora tínhamos tratativas bastante avançadas com a fabricante da Sputnik, como também o consórcio de governadores, que caminhava na mesma direção. Entretanto, a Anvisa não aprovou, por enquanto, o imunizante. Temos que considerar ainda que as relações diplomáticas com a China também dificultaram bastante, em função do próprio posicionamento do governo federal. Enfim, quero continuar insistindo e acreditando que vamos conseguir, que vai ser possível e que a vacinação para todas as pessoas se torne uma realidade no âmbito do nosso município. 

Em relação a uma demanda recorrente, que é a volta às aulas de forma  híbrida, seria muito pertinente que a Sra. fizesse uma exposição das suas decisões em relação ao tema…
É importante que as pessoas entendam porque adotamos esse formato no retorno das aulas. Não seria justo utilizar dois pesos e duas medidas. Nós estamos voltando às aulas do ensino infantil e do ensino fundamental, tanto nas escolas públicas quanto nas privadas. O formato no modelo híbrido é para termos a segurança de voltar, com 50% da nossa comunidade escolar – os quais muitos de nossos servidores já foram vacinados, porque estavam afastados por comorbidades – como também para a comunidade estudantil. Obviamente, espero que esse retorno ocorra de forma escalonada, juntamente com planejamento do Governo do Estado, que tem a mesma perspectiva. 

Contudo, também cabe aos pais essa mesma análise, ou seja, o formato híbrido é exatamente para dar segurança às famílias.  Aqueles pais que não se sentirem seguros a deixarem seus filhos voltarem ao seio escolar – ate mesmo porque alguns tem comorbidades – mesmo que as escolas tenham obedecido todos os protocolos de segurança, que assistam aulas de forma virtual e com a mesma qualidade de ensino do modelo não presencial. Essa garantia para as famílias, nós precisamos fornecer neste momento. 

Reitero que o Plano Nacional de Imunização prevê a vacinação dos professores a partir do início de junho, conforme cronograma do Ministério da Saúde. Seria o ideal que esperássemos que os que os professores fossem vacinados para que retomássemos as aulas, contudo, essa é apenas uma expectativa do Governo Federal que pode não se concretizar. Já experimentamos atrasos na entrega de doses, falta de IFA e, por tal razão, não tenho convicção que o planejamento do Ministério se concretize. 

A título exemplificativo, temos a questão dos motoristas do transporte coletivo que também não foram imunizados e estão no final da lista de prioridades, mas infelizmente, são obrigados a continuar no trabalho. Nosso compromisso é fazer um esforço concentrado para que os nossos professores sejam imunizados o mais rápido possível, porém, não podemos inverter o calendário, em desacordo com as recomendações do MS e orientações do PNI. Essa conduta pode trazer sérios prejuízos na aplicação das segundas doses, como também, já foi vedado recentemente pelo STF, após decisão do ministro Lewandowski.

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