A difícil escolha

Ronaldo Dimas e Wanderlei Barbosa vão precisar de um vice com prestígio político para ajudar a decidir a eleição

Os pré-candidatos a governador Ronaldo Dimas (PL) e Wanderlei Barbosa (Republicanos) vão precisar de um candidato a vice com algumas qualidades que vão além da tradicional composição partidária e geográfica, talvez com capital político capaz de ajudar a decidir a eleição. No caso, que ajude a desequilibrar um nível de disputa que promete ser potencialmente equilibrado. Em eleições muito disputadas, e toda eleição há sempre essa possibilidade, a escolha do vice passa a ser uma decisão estratégica.

Os outros pré-candidatos ao governo – Laurez Moreira (PDT), Paulo Mourão (PT) e Osires Damaso (PSC)- também devem precisar de um vice com estas características, mas não com o mesmo nível de exigência e importância de Dimas e Wanderlei que lideram a corrida até aqui e precisam de reforço para legitimar suas pretensões. Contudo esta é uma eleição muito importante para todos os pré-candidatos que disputam o cargo pela primeira vez. Condição que revela que possivelmente não são tão conhecidos da massa dos eleitores. O vice pode ajudar a romper essas barreiras.

O acirramento entre Wanderlei e Dimas promete ser tão intenso que quem tiver o vice mais adequado para confronto pode vencer as eleições. Quer dizer, tem maiores possibilidade de vencer. Por isso que a indicação do vice para eles tem maior peso, quase decisivo. Esse confronto lembra um caso de disputa em Goiás em que a escolha do vice praticamente decidiu a eleição.

Em 1986 a disputa acirrada entre Mauro Borges e Henrique Santillo pelo comando do Palácio das Esmeraldas transformou a escolha do vice em fator decisivo. Mauro Borges escolheu o seu Joaquim primeiro, como se dizia na época, já que o Santillo também escolheu um Joaquim para compor chapa. Mauro escolheu o ex-prefeito de Araguaína Joaquim de Lima Quinta. Gestor competente que iniciou o processo de organização urbana da maior cidade do norte de Goiás. A preferência por um vice do norte era estratégica para Mauro diminuir o impacto da sua posição contrária ao Estado do Tocantins, assumida publicamente. Na prática, Mauro gastou sua indicação do vice para resolver um problema político derivado de sua postura como senador. Sem necessariamente agregar valor eleitoral.

Henrique Santillo sabendo da posição contrária de Mauro Borges em relação à criação do Tocantins que vivia um momento de efervescência, assume um compromisso político com os líderes do momento autonomista de que se fosse eleito seu governo não faria oposição ao projeto. Já era uma conquista importante para os nortistas não terem um governador trabalhando contra a criação do Estado.

Santillo não tinha nenhum problema político com o norte como Mauro, daí ter ficado à vontade para não indicar também o vice do norte o que se tornaria uma vantagem, pois poderia usar essa indicação para corrigir uma outra fragilidade da sua campanha. E foi o que ele fez.

Desobrigado de indicar um nome do norte para compor chapa já que sua posição valia mais que a indicação de um nome, ficou com liberdade para atacar outras questões de competividade da campanha. Decidiu buscar o vice do entorno de Brasília, o maior colégio eleitoral do Estado. Foi assim que buscou o deputado federal Joaquim Roriz e com essa escolha, priorizando uma região com densidade eleitoral ganhou pontos na composição da chapa e venceu as eleições depois de praticamente perdida.

O exemplo deixa claro que pode haver coincidência nas eleições, mas não milagres. Toda conquista é resultado de trabalho, planejamento, análise dos pontos fortes e fatores negativos e a capacidade de tomar decisões para ampliar o potencial eleitoral e diminuir a rejeição. A composição da chapa majoritária atende a ideia de equilíbrio do poder, atendendo ao maior número de fatores.

Pode não parecer mas Dimas e Wanderlei estão à procura do vice que atenda às necessidades específicas desta disputa. Os dois já tem nomes em vista, mas mantém a busca pelo nome que consideram ideal. A pré-campanha avança e vai clareando a necessidade do perfil apropriado para a guerra eleitoral que se avizinha.

Dimas precisa de um nome político já que seu perfil é de gestor técnico, de preferência mulher e que tenha apelo eleitoral nas regiões, centro, sul e sudeste, onde o ex-prefeito é menos conhecido. Perfil que se enquadra direitinho na deputada federal Dorinha Seabra Rezende (UB). O problema é que a deputada não abre mão de disputar o Senado. Sente que tem chances reais de vencer as eleições. Nos bastidores conta-se que teria havido uma crise entre a deputada e ex-prefeito por conta desta proposta de vice. A proposta parece que não foi bem recebida por ela.

Wanderlei precisa de um nome técnico, já que o seu perfil é de político com pouca experiência em gestão, de preferência da região norte ou Bico do Papagaio. Quem acredita que tem este perfil desejado pelo governista é o empresário Edison Tabocão, filado ao PSD do senador Irajá Abreu, que já chegou a se oferecer como vice. Tabocão é um nome dentre outros, ocupa talvez a segunda ou terceira posição já que a vaga parece reservado ao ex-prefeito de Gurupi, que ainda encena candidatura ao governo, exercício necessário para aceitar compor com o candidato governista.

Dimas precisa de um vice do centro-sul. Isso porque o ex-prefeito de Araguaína é um fenômeno administrativo no norte do Estado, mas um ilustre desconhecido no sul e sudeste do Estado. Vai precisar de um nome de Palmas, Gurupi, Paraíso ou Porto Nacional para penetrar nestas regiões onde não é tão conhecido. Dimas sonhou com o ex-prefeito de Gurupi, Laurez Moreira para esta função. Chegaram a desenhar um acordo prévio de saírem juntos. Laurez se irritou com o colega que já o tratava como vice automático, quando o acordo previa uma definição de quem seria cabeça de chapa mediante pesquisa. Em resumo Dimas procura um vice com a representatividade e a força política de um Laurez. Não está fácil encontrar.

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