“61% dos tocantinenses rejeitaram os grupos políticos e eu serei uma nova opção”

Ex-secretário de Segurança Pública é o pré-candidato do partido de Jair Bolsonaro ao governo estadual e promete, se eleito, uma gestão com a máxima de “não roubar e não deixar roubar”

Conhecido pelo pulso forte, austeridade, como também por ser extremamente íntegro – sem quaisquer manchas em seu currículo – César Simoni se filiou ao PSL em abril passado. É pré-candidato ao governo do Tocantins nas eleições ordinárias de outubro, cuja pretensão é chancelada pelo correligionário e líder das pesquisas eleitorais para Presidência da República, deputado federal Jair Bolsonaro.

Gaúcho de Bagé (RS) e bacharel em direito, César Roberto Simoni de Freitas exerceu o cargo de agente da Polícia Federal em Brasília, promotor de Justiça do Tocantins por 25 anos e secretário de Segurança Pública do Estado do Tocantins entre 2015 e 2018.

Quando secretário estadual de Segurança Pública, o sr. foi convidado a falar sobre o Estatuto do Desarmamento em Brasília. Seu discurso ensejou convites para o sr. ingressar na política?

De fato, há algum tempo fui convidado para um simpósio na Câmara dos Deputados em Bra­sília, em que participariam alguns mi­­nistros, vários secretários de Segurança Pública do País, além de outras autoridades. Me convidaram para discursar, mesmo fora da programação. Eu sequer sabia que estava sendo transmitido ao vivo pela TV Câmara, mas então falei o que sempre disse no plenário do Tribunal do Júri: sou contra o Estatuto do Desarmamento, porque o cidadão de bem está desprotegido, desarmado, e o bandido nem sequer precisa de porte e isto in­centiva, sobremaneira, o latrocínio.

Porque a maior democracia do mundo, os EUA, não optou pelo desarmamento? Para eles, não é nem questão de defesa pessoal e sim da própria pátria. Se todas as instituições falharem, estando todo o povo armado, o território americano estará protegido e seguro.

Quem adotou o desarmamento? Os fascistas de Mussolini, os nazistas de Hitler, os comunistas de Stálin, os famigerados venezuelanos e os populistas brasileiros. E a razão é simples: querem se perpetuar no poder e a população não pode estar armada, caso contrário, há risco de levante. Penso que o cidadão pode até não adquirir ou usar uma arma, mas ele tem que ter a faculdade de escolher isso. Por estas e por tantas outras razões, sou contrário ao desarmamento.

Esse discurso na Câmara dos Deputados contribuiu para que o deputado federal Jair Bolsonaro lhe convidasse a ingressar no partido? O que lhe fez mudar de ideia a ponto de entrar de vez na política e se tornar pré-candidato ao governo do Estado do Tocantins?

Basicamente, sim, mas tudo isso ocorreu de uma forma muito interessante e até inesperada. Após este episódio, recebi ligações do Bolsona­ro e, também, do deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR) para que eu organizasse uma base do partido no Tocantins. Na época, disse que não era esse o meu projeto de vida e que eu estava no exercício do cargo de secretário de Segurança Pública, por isso, não estava disposto a fazer política partidária.

Contudo, após o término do governo Marcelo Miranda (MDB) decidi que era necessário fazer minha parte, sair da zona de conforto, enfim. Refleti que o povo precisava ter uma opção diferente para escolher nas urnas. Caso eu não for o escolhido, tudo bem, mas é necessário ficar claro que haverá uma opção. Posso, ao final do mandato, não ter sido o melhor em tudo, mas com certeza afirmarei com tranquilidade que fui o mais honesto.

Fizemos uma nova executiva do partido no Tocantins, ressaltando aqui a compreensão do ex-presidente da sigla [Lucas], elegendo o ex-deputado Antonio Jorge como presidente estadual do PSL. O intuito, naturalmente, é formar uma chapa de coalizão, com senadores e deputados federais e estaduais. Precisa­mos fazer uma boa base para elegê-los e dar suporte ao presidente Bolsonaro, bem como ao nosso governo.

Porque o sr. não concorreu na eleição suplementar ocorrida no mês passado?

Eu me filiei apenas no dia 6 de abril deste ano, pensando na eleição ordinária e não na extraordinária. Assim sendo, para concorrer sob o efeito de liminar judicial, preferi não entrar na disputa, caso contrário, estaria indo contra meus próprios princípios. Sou contrário a judicialização de uma candidatura, se eu mesmo não havia me desincompatibilizado do serviço público a tempo de concorrer nas referidas eleições.

É possível ganhar a próxima eleição sem formar um forte grupo político?

Creio que sim. Basta observar que 61% dos tocantinenses rejeitaram os grupos políticos que se formaram na eleição suplementar. Eles se abstiveram, votaram nulo ou em branco e esse grupo de pessoas se tornou a grande maioria.

Eles estão insatisfeitos com atual modelo e isso é um fato notório. Como eu não participei desse processo, acredito que posso me tornar a opção destes eleitores, que estão ávidos por candidatos diferenciados. Só haverá, portanto, uma composição partidária se for imposta pela executiva nacional. Caso contrário, disputaremos o governo do Tocan­tins com chapa pura, porque não queremos o poder pelo poder. Queremos ser o instrumento da mudança de ideias e de gestão e isso inclui: “Não roubar e não deixar roubar”. Aqueles que pensarem diferente disso estão automaticamente excluídos de uma eventual coligação ou parceria.

Quero deixar claro que não somos a tábua de salvação ou alguma espécie de salvadores da pátria. O que queremos é colocar o Brasil e o Tocantins nos trilhos e para isso é necessário ceifar a roubalheira que, infelizmente, está institucionalizada.

Uma vez eleito, a Segurança Pública será prioritária e certamente vai funcionar a caráter como ocorreu enquanto secretário. Contudo, quais são os seus projetos para as outras áreas?

Quando assisti os programas políticos da última eleição suplementar, vi os candidatos dizendo que iriam promover demissões em massa, visando enxugar a máquina. Isso é proselitismo político. A saída não é essa. Hoje temos um porcentual de comprometimento de receita líquida corrente com folha de pagamento na ordem de 53%, já ultrapassando o limite prudencial. Po­rém, o que tem que ser observado é que número de servidores não é grande. Ao contrário, precisamos de todos eles para gerir a máquina estatal. Eles estão mal distribuídos e isso é completamente diferente. O que ocorre, na verdade, é que as receitas têm diminuído gradualmente, por uma série infindável de fatores.

Quando eu vejo os candidatos culparem os contratos temporários, que pagam um salário mínimo ou pouco mais, como o grande vilão, tenho que discordar. O que quebra o Estado não são os servidores e sim as licitações fraudulentas, a corrupção, o pagamento de propinas, a superveniência do direito privado em detrimento do público, etc.

Então, quando aqueles que se arvoram em postular o cargo de governador, e eu sou um deles, o primeiro passo é “fechar a torneira”. Estancar os desvios de recursos, dar um basta no clientelismo e nos gastos supérfluos.

Feito isso, vamos lançar o olhar nas nossas riquezas, entre as quais, o agronegócio. Se nossa produção é muito incipiente, caso comparada aos nossos vizinhos, Goiás, Mato Grosso, Bahia e Maranhão, ainda cometemos o erro de não beneficiar ou industrializar essa produção, quer seja pecuária, quer seja de grãos. Exportamos tudo pela ferrovia ou por nossas rodovias e a riqueza vai embora, para gerar emprego e renda em outros Estados ou países.

Um outro detalhe deve ser observado: há minérios em demasia no Estado do Pará, mas ao atravessar o Rio Araguaia não tem mais? Claro que tem. O problema é que as grandes exploradoras de minérios fazem uma espécie de reserva de mercado junto ao governo federal, que vem se renovando por anos e anos a fio, pagando taxas ínfimas para que nossas jazidas sejam exploradas apenas por elas, e quando elas quiserem. Isso é um absurdo. Uma vez empossado no cargo de governador farei o que for possível, e também o impossível junto à Presidência da República, para que isso se encerre o mais rapidamente possível.

Portanto, temos outros caminhos e mecanismos para gerar renda e crescer a economia do Estado do Tocantins. Não precisamos fazer demissões em massa de servidores públicos para reequilibrar nossas contas.

Para governar é necessário delegar poderes a pessoas técnicas e gabaritadas, que entendam de saúde, educação, gestão pública, recursos hídricos, etc. Se colocares as pessoas certas nos lugares certos, os resultados aparecem. Se elas errarem ou não se mostrarem capazes, faremos as trocas, baseadas na meritocracia.

Sua imagem não está vinculada ao governo Marcelo Miranda, retirado do poder por irregularidades e caixa 2 na campanha a governador? Isso não poderá lhe prejudicar durante os debates eleitorais?

Creio que não. Nunca discuti partidarismo, pois não era filiado a nenhuma sigla, e nem política com o então governador Marcelo Miranda. Nossas reuniões tratavam de trabalho policial, ações e soluções para a segurança. Havia um tratamento respeitoso entre nós, porque eu era, efetivamente, um colaborador do governo dele e jamais houve ingerência dele na Pasta que eu conduzia.

Eu gozei de autonomia e carta branca para agir em prol da segurança da população. Por isso, aprendi a respeitar o homem Marcelo Miranda. Se o ex-governador cometeu atos reprováveis ou excessos, esse é um problema dele com a Justiça, que vai se resolver ao seu tempo.

Reitero: participei do governo na condição de técnico, sem qualquer indicação política. Não cometi atos de corrupção, nem tampouco tive condutas que pudessem resultar em improbidade administrativa. Portanto, minha candidatura não se vincula àquele governo.

O sr. acredita que o “efeito Bolso­na­­ro” e a gama de votos que ele cer­tamente terá nas eleições presidenciais serão transferidos à sua candidatura ao governo do Tocantins?

Acredito plenamente. Posso não ser conhecido do grande público agora, mas ao ouvir nossas propostas e projetos, as pessoas ficarão convictas de que se trata de pessoas sérias, dispostas a fazer um governo eficiente. Assim, elas farão questão de multiplicar, entre familiares, amigos ou colegas de trabalho, os votos deles por três, cinco ou até dez.

Na quinta-feira passada, dia 28 de junho, foi divulgada pesquisa CNI-Ibope que indica que o pré-candidato à Presidência Jair Bol­sonaro (PSL) tem 17% das intenções de vo­to, seguido por Marina Silva (Rede) com 13% e Ciro Gomes (PDT) com 8%. Qual a sua leitura desses números?

Sem qualquer prepotência, é muito, mas muito mais mesmo, do que 17%. Para começo de conversa, o Ibope não é de confiança. Segundo, porque há uma espécie de contágio quando o Bolsonaro aparece em público, em aeroportos ou eventos públicos. Nenhum outro político ou candidato é recebido dessa forma por onde anda. Talvez a grande imprensa ainda não reconheça, mas está muito perto dele ganhar ainda no primeiro turno. Garanto-lhe que no Estado do Tocantins, ele tem mais que 50% das intenções de voto. É gigantesco o número de outdoors, bottons, camisetas, veículos com adesivos ou películas do Bolsonaro nos vidros e isso é totalmente espontâneo. O partido não confeccionou ou forneceu nenhum material. Essa propaganda é voluntária e operacionalizada por ativistas. Posso dizer que hoje, no Tocantins, há cerca de 20 mil pessoas trabalhando nesse projeto por pura ideologia, sem auferir nenhum real.

E quanto ao fato do instituto ter incluído o presidiário Lula na pesquisa e, neste cenário, o porcentual de Bolsonaro não se altera, contudo, o ex-presidente aparece com 33% das intenções de votos?

Na minha concepção, ao ser preso e condenado em segunda instância, Lula deixou de ser cidadão e ter direitos políticos. A perda (dos direitos) é uma das sanções dos crimes que ele cometeu.

Portanto, não vejo sentido algum em conferir o direito de figurar entre os presidenciáveis um sujeito condenado e preso. Creio que esse factoide tem o nítido intuito de tumultuar o processo.

O país, por estas e por outras circunstâncias, precisa e clama por mudanças. Precisamos de segurança jurídica e que o Supremo Tribunal Federal cumpra o seu papel, deixando de agir como legislador negativo. A legislação precisa ser perene e haver garantias de que será respeitada, mesmo porque, só assim conseguiremos atrair investidores internacionais.

Bolsonaro foi capitão do Exército. O sr. acha um governo militar pode ser a salvação do país?

Não o militarismo em sim, mas um governo duro, austero e de rédeas curtas como Bolsonaro se propõe a implantar no Brasil. A propósito, qual presidente militar ficou rico após sua gestão?

Nenhum. Quando é que o Brasil atingiu níveis de excelência e chegou ao seu maior nível no ranking da economia mundial? No governo militar, fomos a oitava economia do mundo. Quando foram criadas e solidificadas as maiores instituições e empresas públicas? Também durante o regime militar.

Durante o período militar, o Brasil cresceu, os números comprovam. Não sou defensor da implantação de uma ditadura militar – não é isso! –, mas, o certo é que reclamam que havia proibições, mas o que não era tolerado mesmo era a anarquia. Ao argumento de que estávamos saindo de uma revolução militar, promulgamos uma Cons­tituição repleta de garantias e pouquíssimos deveres, aos moldes europeus, aos quais não estávamos preparados para usufruir. A partir da Constituição de 1988, houve uma confusão entre democracia e demagogia, libertinagem e anarquia. O resultado, todos nós sabemos.

Digo mais: passamos muito perto de nos tornarmos bolivarianos. Sob minha ótica, o Ministério Público e a Polícia Federal contribuíram muito para que isso não ocorresse, mas duas figuras foram preponderantes neste processo: o malvado favorito Eduardo Cunha e o juiz federal Sergio Moro.

O governo do PT, na sua concepção, foi o causador da grande crise que enfrentamos há algum tempo e da qual ainda estamos tentando sair?

Não tenho quaisquer dúvidas. Iniciando por Lula, minha opinião é que caiu sobre ele todo o mal das esquerdas, acabando por se tornar o bode expiatório de todas elas. Lula era um sujeito sem qualquer cultura acadêmica, populista por natureza e benquisto pelos metalúrgicos. Isso tudo resultou na formação e transformação do PT. Ocorre que um grande número de oportunistas se juntaram à sua volta: José Dirceu, por exemplo, um grande mau-caráter, aliado a José Genoino e tantos outros. Juntaram-se a eles os grandes tubarões brasileiros, OAS, Odebrecht, Camargo Correia, JBS.

Esse pessoal ofereceu migalhas para terem direito de levar o cofre todo.

Lula não deveria ter aceitado, entretanto, ele topou ser usado e manipulado. Hoje, experimentamos o prejuízo de R$1 trilhão. A JBS pegou R$ 12 bilhões do Brasil para gerar emprego e renda nos Estados Unidos da América. Construímos uma refinaria de alta tecnologia na Bolívia e quando Evo Morales bateu pé e disse que era dele, Lula recuou. Fomos assaltados! Também fizemos um porto em Cuba, mas para quê? Jamais receberemos essa dívida nem tampouco dividendos deste porto. Investimos milhões de reais nos países africanos e também não receberemos nunca.

Dessa forma, a única explicação é: propina para financiar campanhas políticas e outras regalias. Esses desvios, permitidos pelo governo do PT, nos levaram a esta crise e ao buraco.

Sua gestão à frente da Pasta da Segurança Pública foi muito elogiada, uma vez que o sr. encontrou uma situação caótica, com greve de policiais e delegados. Ao deixar o cargo, os resultados apresentados foram entusiásticos e culminaram com o reaparelhamento da Polícia Judiciária. Qual é o balanço final sobre a sua gestão?

Quando assumi a secretaria, ainda estava na ativa como promotor de Justiça. Para exercer o cargo em sua plenitude, me aposentei em março de 2015. Encontrei um quadro lastimável. As delegacias estavam completamente desprovidas de mobiliário, equipamentos, computadores, ar-condicionado, enfim, impróprias para o funcionamento e atendimento ao público. Além disso, enfrentei a maior greve da Polícia Civil do Tocantins, acumulado com o fato de que havia uma dívida impagável de locação de carros, que eram utilizados como viaturas. Não havia sequer a possibilidade de fazer um aditamento, porque o contrato havia se exaurido em 31 de dezembro de 2014. Foram tempos difíceis.

Ante a falta de recursos, decidi que solicitaríamos doações às instituições, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Ministério Público do Trabalho, Justiça do Trabalho, Polícia Federal, Receita Federal, Tribunal de Justiça do Tocantins, entre tantos outros. O resultado foi fantástico: recebemos várias carretas de veículos seminovos e, também, de móveis, além de uma infinidade de computadores, notebooks e até munições.

Fizemos convênios e parcerias, dentre elas a Energisa, que passou a arcar com consertos dos nossos veículos, enquanto nossa contrapartida foi estruturar a Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes contra Concessionárias Prestadoras de Serviços Públicos.

E quanto a destinação de emendas parlamentares?

Ah sim, é necessário frisar que tivemos apoio de vários deputados com o direcionamento de emendas parlamentares, destacando-se a parceira Luana Ribeiro (PSDB) e Eduardo Siqueira Campos (DEM), que mesmo sendo oposição ao governo estadual à época, acreditaram e confiaram no trabalho que era desenvolvido à frente da Pasta da Segurança Pública. Eles entenderam que o meu cargo era técnico e não político. A maioria ampla dos deputados destinou emendas para a Segurança Pública.

Adquirimos aparelhos e equipamentos que rastreiam e combatem o crime de lavagem de dinheiro. Enfim, após o reaparelhamento das Polícias Civil e Judiciária, reestruturação do Gote, entre outras ações, conseguimos diminuir substancialmente – mais de 80% – os índices de violência no Estado do Tocantins, principalmente em Palmas e Araguaína, os dois maiores centros populacionais. Para isso, adotamos, também, o combate incisivo ao tráfico de drogas, porque se o comércio e consumo de drogas diminui, a criminalidade também é reduzida, naturalmente.

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José Roberto JOROBA

Fiquei espantado que eu como filioado ao partido PSL nem fioquei sabendo da troca de comendo no partido aqui no Tocantins