O engenheiro eletricista Aurélio Rosa, ex-piloto de testes da Tesla, em entrevista ao Jornal Opção, compartilhou, nesta quarta-feira, 11, sua trajetória profissional, suas impressões sobre o Cybertruck e a visão de futuro da indústria automotiva. Ele e sua mãe possuem dois exemplares do modelo em Anápolis, Goiás, parte de um grupo de cerca de 40 veículos já importados para o Brasil, acredita Aurélio.

Aurélio Rosa | Foto: Acervo Pessoal

Aurélio descreve o Cybertruck como “o carro mais tecnológico que existe hoje”. O modelo não possui conexão mecânica entre volante e rodas, motores independentes controlam cada eixo, permitindo que tanto as rodas dianteiras quanto as traseiras girem. “Isso dá uma flexibilidade muito grande. Nenhum outro carro de produção tem isso”, afirma.

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Foto: Arquivo Pessoal

O design futurista é reforçado pelo exoesqueleto de aço, que funciona como estrutura e carroceria ao mesmo tempo. “É como se fosse uma barata”, compara.

Apesar de pesar quase 3,5 toneladas, o Cybertruck acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 2 segundos, superando supercarros como Ferrari e Lamborghini. O processo de importação, no entanto, dobra o preço, nos Estados Unidos custa cerca de US$ 100 mil, mas no Brasil chega a US$ 200 mil devido aos impostos.

Aurélio trabalhou quase uma década na Tesla, começando como estagiário na Califórnia e depois atuando na Europa. Ele participou diretamente dos testes de protótipos e acompanhou de perto a evolução da empresa. “Minha missão foi ajudar a democratizar o carro elétrico”, explica.

Inspirado pelo documentário Who Killed the Electric Car? (Quem matou o carro elétrico), ele se dedicou a promover uma tecnologia mais limpa e eficiente, sem a dependência de combustíveis fósseis e da manutenção tradicional de motores a combustão.

Para Aurélio, a adoção dos carros elétricos é inevitável. “O elétrico já é mais barato por quilômetro rodado do que o carro a combustão. A tendência é o custo cair ainda mais, enquanto o combustível fóssil só aumenta”, afirma.

Ele destaca que a Tesla não busca competir com modelos populares chineses, mas aposta em categorias avançadas, como veículos autônomos. Segundo ele, a empresa lançará em breve um táxi sem volante e sem pedais.

Aurélio também relatou a convivência com Elon Musk, que participava semanalmente das reuniões de desenvolvimento. “Ele dizia que não era um micromanager, mas um nanomanager. Olhava o trabalho no nível nanoscópico”, lembra.

Essa postura, segundo o engenheiro, foi decisiva para a sobrevivência da Tesla. Musk tomava decisões rápidas, mesmo que erradas, e não hesitava em mudar de direção. “‘A única lei que não pode ser quebrada é a da física’”, repetia o empresário.

Foto: Acervo Pessoal

Aurélio conta ainda que esteve em encontros pessoais com Musk, incluindo uma festa em sua casa, e que dirigiu para ele em Bruxelas sob escolta policial. “Apesar de todo o glamour, ele é essencialmente simples. Conversa como um amigo, faz piadas. Isso humaniza a relação”, diz.

O ex-piloto de testes destaca que a cultura da Tesla exige dedicação total. “Não é um trabalho das 9 às 5. É para quem assume o projeto como pessoal”, afirma.

Essa mentalidade atrai profissionais altamente competentes, criando um ambiente de confiança e alta performance. “Para quem está na mesma frequência da empresa, Elon é um ótimo chefe”, conclui.

Aurélio também relembrou o episódio em que foi escolhido para dirigir Elon Musk durante a inauguração da fábrica da Tesla na Holanda, onde trabalhava. Ele explica que seu carro havia recebido diversas modificações de hardware e software voltadas para visão computacional, o que o tornava único.

Ele disse que, diante do interesse da equipe de Musk em experimentar o carro equipado com visão computacional, fez questão de destacar as limitações do sistema e a necessidade de acompanhamento humano. “Ressaltei as dificuldades de operar o sistema e expliquei que minha presença ao volante seria importante”, contou.

A cautela foi aceita e, por um dia, ele assumiu o papel de chofer de Elon Musk, conduzindo o veículo e garantindo a segurança da experiência.

Energia solar e autonomia

O engenheiro destacou ainda o potencial da energia solar no Brasil como complemento ao carro elétrico. “O carro elétrico aceita qualquer tipo de matriz energética. Se você pegar gasolina, queimar num gerador e carregar um carro elétrico, ele ainda é mais eficiente do que um carro a combustão. A solar fecha o ciclo”, explica.

Na fazenda da família, a produção de energia já supera o consumo, garantindo autonomia total para os quatro Teslas que possuem dois Cybertrucks, um Model 3 e um Model Y. “A gente não paga nem um centavo de combustível”, afirma.

Infraestrutura e futuro no Brasil

Aurélio acredita que o Brasil já possui infraestrutura suficiente para a adoção dos elétricos. Ele cita o exemplo da mãe, que viajou sozinha de Anápolis a Ubatuba e depois até Palmas, Tocantins, sem dificuldades para recarregar o veículo. “Fez o trajeto na mesma velocidade que seria no carro a combustão. Então a gente já tem a infraestrutura. Agora é questão de adoção da tecnologia”, diz.

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Aurélio Rosa e sua mãe

Ele compara o momento atual ao início da popularização dos celulares, que eram caros e restritos. “O carro elétrico está passando por esse mesmo momento. A Tesla anunciou um Cybertruck de 60 mil dólares nos Estados Unidos. Com certeza vai haver barateamento dessa tecnologia e a Tesla vai vir para o Brasil eventualmente”, afirma.

Para ele, a nova geração será a responsável por consolidar essa mudança. “Tem um pessoal mais arcaico que prefere BMW, Mercedes ou Ferrari. Mas para as novas gerações, eu diria que a Tesla é a grande campeã”, aponta.

Reconhecimento e premiação

Aurélio também revelou que participou de um concurso promovido pela Tesla para criação de comerciais e foi vencedor. O vídeo produzido mostrava sua mãe utilizando o Cybertruck para cuidar das abelhas na fazenda, já que ela é apicultora. “Esse vídeo ganhou para a gente um Tesla 0 km, modelo Y, e também uma viagem para o Texas para conhecer a fábrica”, celebra.

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