As gêmeas Valentina e Heloá Prado, de três anos, estão em processo de recuperação cirúrgica na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia, após passarem por uma cirurgia de separação de corpos na quarta-feira, 11. Segundo o boletim médico, divulgado na manhã desta sexta-feira, 13, elas estão respirando por aparelhos e o estado de saúde é grave.

O boletim informou que as duas estão usando medicamentos para o controle da pressão arterial e antibiótico. Além disso, elas permanecem em dieta zero e com boa diurese. As gêmeas eram unidas por parte do tórax, abdômen, bacia, fígado, intestinos delgado e grosso e genitálias.

“Foi uma cirurgia com um grau de dificuldade muito grande porque tivemos que separar os órgãos”, explicou o cirurgião pediátrico Zacharias Calil, responsável pelo procedimento. Ao todo, foram cerca de 50 profissionais de diversas especialidades que atuaram na cirurgia, uma das mais complexas, segundo o médico. Valentina saiu da sala de cirurgia às 23h05, enquanto Heloá foi liberada às 00h10, momento em que o processo cirúrgico foi concluído, após 15h do início.

Calil acompanha o caso de Valentina e Heloá há dois anos, quando elas se mudaram para Morrinhos com a família. A equipe médica já havia realizado algumas intervenções para expandir a pele, o que auxiliaria no procedimento final. “As gêmeas ganharam peso e cresceram após a última cirurgia de implantação de expansores há cerca de sete meses e isso foi fundamental para dar segurança para nossa equipe realizar mais essa cirurgia de separação”, disse Calil.

A cirurgia teve algumas intercorrências, com as gêmeas apresentando alterações nos órgãos internos, principalmente na região pélvica e bexiga. No entanto, segundo o médico, os problemas foram corrigidos no decorrer do processo. “Temos uma grande experiência nesse tipo de cirurgia e, para nós, não foi surpresa encontrar situações inesperadas”, disse ele. Com esta, Calil e equipe completam 22 cirurgias de separação de siameses.

O cirurgião ainda explica que, apesar de ter separado alguns órgãos, como o fígado e o intestino, a expectativa é a de que os órgãos regenerem. “Quando dividimos o fígado, há um trauma, mas ele regenera. O intestino, com o tempo, se adapta. Também colocamos uma tela especial para proteger o abdômen, já que elas não têm musculatura. Com o tempo, ela será absorvida pelo próprio organismo. Agora, a etapa é de cuidados no pós-operatório.”