Se você já foi questionado se teve dengue, saiba que a resposta não é simples, pois a ausência de sintomas não garante que você nunca tenha sido infectado. A proporção de casos sem sintomas em relação ao número total de infecções ainda não foi estabelecida pela ciência, mas um estudo realizado em Pernambuco revelou que, a cada cinco casos de dengue, uma pessoa não apresentava qualquer sintoma. Alguns especialistas estimam ainda que até metade dos casos de dengue sejam assintomáticos.

Existem casos em que a dengue se assemelha a uma gripe forte e não experimentar os sintomas mais comuns da doença, como febre, dores no corpo e vômitos, pode mascarar a presença do vírus. De acordo com a ciência, os sintomas costumam evoluir em obediência a três formas clínicas:

  1. Dengue, forma benigna, similar à gripe;
  2. Dengue com sinais de alarme, mais grave, caracterizada por alterações da coagulação sanguínea;
  3. Dengue grave, forma raríssima, mas que pode levar à morte, se não houver atendimento rápido e especializado.

A dengue possui quatro sorotipos e a imunidade adquirida após uma infecção só protege contra o sorotipo específico que causou a doença. Isso significa que é possível contrair dengue até quatro vezes ao longo da vida. No entanto, ao adquirir imunidade para um sorotipo, a pessoa fica mais suscetível a complicações graves em infecções subsequentes, pois o corpo não consegue combater eficazmente um novo sorotipo.

Os testes disponíveis para identificar a dengue incluem o antígeno NS1, o teste de sorologia e o PCR. O teste de sorologia, realizado a partir do sexto dia de sintomas, verifica a presença de anticorpos no organismo. No entanto, não pode determinar qual sorotipo do vírus causou a infecção. Os médicos recomendam a realização de testes em caso de sintomas ou se houver preocupações com a saúde durante uma epidemia. Os testes não apenas auxiliam no tratamento dos pacientes, mas também ajudam a registrar casos e a entender melhor a epidemiologia da doença, facilitando o planejamento de medidas preventivas.

O subsecretário estadual de Vigilância e Atenção Integral à Saúde, Luciano de Moura Carvalho, alerta: se a suspeita da doença, ainda que pequena, bater à porta, com sintomas como febre, dores de cabeça e abdominal, a primeira ação a ser feita é reforçar a hidratação.

“Com a dengue pode acontecer o extravasamento de plasma, que ocorre devido à diminuição na quantidade de plaquetas, daí a necessidade de reposição de líquidos”, diz Carvalho. O volume definido pelo Ministério da Saúde para essa hidratação, lembra ele, é de 60 mililitros (ml) de líquido por quilo (kg). Assim, uma pessoa com 60 kg deverá ingerir em torno de 3,6 litros por dia. O profissional da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) recomenda que, em seguida, o paciente deve procurar um posto de saúde.

Para a boa hidratação, que deve ser algo cotidiano, prossegue Carvalho, deve-se dar prioridade para água pura, reforçada, nos casos suspeitos de dengue, com água de coco, suco, chá, isotônico e soro. Para fazer o soro caseiro, basta diluir uma colherzinha (de café) com sal e duas colheres (de sopa) com açúcar em um litro de água potável (filtrada ou fervida).

“Não há remédio contra a dengue, daí a importância dessa hidratação, repouso em conjunto com uma alimentação saudável e medicamentos contra febre e dor, que devem ser prescritos pelo médico”, reforça o gestor. Em caso de uso de antitérmico, a preferência deve ser pela dipirona, evitando medicamentos como tylenol/paracetamol, que causam um efeito tóxico no fígado tal como provocado pela dengue. Importante também não utilizar aspirinas e anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno, diclofenaco e outros).

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Os sintomas clássicos

Sinais clássicos da doença são: febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, dor ao redor dos olhos e dores musculares e nas articulações. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o paciente pode entrar na chamada fase crítica da doença depois de três a sete dias do início dos sintomas, quando a febre começa a baixar. Nesse momento, sinais da dengue grave podem se manifestar: 

● dor abdominal intensa

● vômito persistente, às vezes com sangue

● sangramento nas gengivas ou nariz

● dificuldade respiratória

● confusão mental

● fadiga

● aumento do fígado

● queda da pressão arterial

● sangue nas fezes


Caso o indivíduo comece a apresentar esses sintomas, deve procurar atendimento médico imediatamente, já que as próximas 24 a 48 horas são determinantes para evitar complicações e morte.

Os países da Ásia e da América Latina são os mais afetados pela dengue hemorrágica, que se tornou uma das principais causas de hospitalização e morte entre crianças e adultos nessas regiões, aponta a OMS. Em 2019, foram registrados 3,1 milhões de casos de dengue na América Latina, sendo 28 mil graves, e 1.534 óbitos.


Tratamento

Como não existe uma terapia específica para a dengue, o tratamento é feito com base em hidratação e medicamentos para controlar os sintomas, como paracetamol. Deve-se evitar anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno e aspirina, já que eles afinam o sangue e aumentam o risco de hemorragias.