Apesar da mortalidade de crianças menores de 5 anos ter diminuído em 50% desde 1990, relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), publicado na última terça-feira, 10, traz a informação de que a cada 4,4 segundos, uma criança ou jovem morreu em 2021. E o pior: segundo o documento, as causas de 5 milhões de mortes de crianças – sendo quase a metade (2,3 milhões) de recém-nascidos – poderiam ter sido evitadas.

1,4 milhão das crianças que morreram em 2021 tinham menos de um ano de vida. De acordo com a ONU, esse número seria menor com medidas como a melhora dos cuidados no momento do nascimento, com a devida vacinação, uma alimentação correta e acesso à água potável.

As doenças transmissíveis e infecciosas continuam sendo as principais causas de morte dos menores de 5 anos, enquanto ferimentos (sendo eles intencionais ou não) são as principais causas de mortalidade evitável nas crianças, adolescentes e jovens de entre 5 e 24 anos.

O relatório mostra ainda desigualdades entre países. As crianças que nascem na África subsaariana foram as que estiveram mais expostas ao risco de morte infantil em 2021: 74 por 1.000 nascimentos. O número é 15 vezes maior que o de crianças europeias ou estadunidenses e 19 vezes maior que na Austrália e na Nova Zelândia.

Na América Latina e Caribe, as mortes tiveram uma redução de 71% entre 1990 e 2021, passando de 55 a 16 por 1.000. A média do Brasil fica entre 10 e 25 mortes para cada 1.000 nascimentos, a mesma de países com PIB bem inferiores como Peru e Bolívia, e em crise, como a Venezuela.

Bebês que nascem na Ásia central também estão mais expostos que europeus e estadunidenses, com 22 mortes por 1.000 nascimentos. E essas desigualdades começam desde cedo, com taxas de mortalidade de recém-nascidos que seguem a mesma tendência. Crianças que vivem em regiões atingidas por conflitos são mais vulneráveis.

O documento da ONU também mostra progressos em países que conseguiram reverter a curva da mortalidade, apesar de recursos econômicos limitados, como Etiópia, Malawi e Uganda e Mongólia. Estes países tiveram uma redução de mais de 75% do número de mortes entre os menores de 5 anos desde 1990.