Você sabia que três torres caíram nos ataques de 11 de setembro?

16 anos depois, a queda do sétimo edifício do complexo do World Trade Center ainda não foi explicada

O mundo viu, ao vivo, a colisão do segundo avião com a segunda torre gêmea do World Trade Center | Foto: Reprodução

A versão oficial do governo dos Estados Unidos é a de que a administração Bush foi surpreendida pela al-Qaeda de Osa­ma bin Laden naquele que foi o maior atentado do século XXI e mudou a agenda global de segurança, inteligência e combate ao terrorismo.

Todo governo deve ser questionado e, com Bush, não foi diferente. Existem outras duas versões para o 11 de setembro, chamadas pelo historiador suíço Daniele Ganser de LIHOP (Let it happen on purpose) e MIHOP (Make it happen on purpose). Em suma, LIHOP significa que o responsável pelos ataques foi, de fato, bin Laden, mas Bush sabia e deixou acontecer. Por sua vez, MIHOP sugere que bin Laden não teve nada a ver com o 11 de se­tembro e Bush o cometeu de pro­pósito. Ganser diz não conseguir responder qual é a correta por não haver dados suficientes e convincentes, mas ressalta que é impossível a coexistência das três versões.

O que dá embasamento para a versão oficial, além da confiança nos discursos de Bush, é o relatório da Comissão Nacional dos Ataques Terroristas contra os Estados Unidos, um documento encontrado facilmente na internet ao pesquisar no Google por “9/11 comission report”. Por outro lado, um dos principais argumentos de quem sustenta LIHOP ou MIHOP é o fato de uma terceira torre ter caído misteriosamente.

O World Trade Center era um complexo formado por sete edifícios, sendo as torres gêmeas os dois mais famosos. Contudo, o sétimo prédio (WTC7), de 170 metros, 47 andares e 81 colunas, também veio ao chão, mesmo sem ter sido atingido por um avião. Em matéria de 2 de março de 2002, os jornalistas James Glanz e Eric Lipton, do “The New York Times”, consideram o colapso do WTC7 um dos maiores mistérios do 11 de setembro.

Segundo a agência governamental National Institute for Standards and Technology (NIST), fogo destruiu a coluna 79 do edifício, culminando em sua queda. Na mesma matéria do “The New York Times”, os jornalistas lembram que nenhum prédio do porte deste em questão havia caído por causa de um incêndio em toda a história dos Estados Unidos. Um grupo não governamental, Architects & Engineers for 9/11 Truth (AE911 Truth), possui a mesma linha de pensamento e complementa que, para o prédio cair de maneira simétrica (o que foi o caso — há vídeos que comprovam), seria necessário que todas as 81 colunas desaparecessem ao mesmo tempo, contrariando o relatório do NIST.

Conforme publicado pelo AE911 Truth, implosão é a única alternativa que explica a queda do WTC7. Se Bin Laden foi mesmo o principal responsável, abre-se, dessa forma, espaço para o questionamento acerca da maneira como os explosivos foram colocados lá, haja vista que não se trata de um processo tão simples.

Em 24 de julho de 2001, o empresário Larry Silverstein alugou todo o complexo do World Trade Center e assinou seguros no valor de 3,55 bilhões de dólares com 24 companhias diferentes, tendo recebido, após os atentados, 4,55 bi pela destruição. Em entrevista à televisão estadunidense, Silverstein disse: “I remember getting a call from the fire department commander telling me that they were not sure they were gonna be able to contain the fire, and I said ‘we have had such terrible loss of life, maybe the smartest thing to do is to pull it’, and they made that decision and we watched the building collapse”. O emprego da palavra “it” gerou muita polêmica à época. O empresário se justificou dizendo que estava se referindo aos bombeiros, pois queria tirá-los de dentro do prédio, mas, no inglês, “it” nunca diz respeito a pessoas. Os adeptos de LIHOP e MIHOP acreditam que “pull it” é a prova da implosão e que foi Silverstein quem deu as ordens.

A jornalista Jane Stanley, da “BBC”, noticiou, em primeira mão, a queda do WTC7. Entretanto, enquanto Stanley dava o furo ao vivo, o edifício ainda estava de pé ao seu fundo. A BBC disse ter se baseado em uma informação da Reuters, que admitiu o erro posteriormente. A jornalista, obviamente, não tem culpa alguma. Afinal, estava apenas lendo o que lhe passavam durante uma cobertura tensa como a do 11 de setembro. Stanley, porém, teve de encerrar sua carreira. Ela acabou não aguentando a pressão advinda das críticas que recebeu.

Não há qualquer menção sobre o WTC7 no relatório de mais de 500 páginas da Comis­são Nacional dos Ataques Terroristas contra os Estados Unidos. LIHOPianos e MIHOPianos criticam o governo por tentar esconder informações sobre o edifício, cujo 25º andar abrigava um escritório da Central Intelligence Agency (CIA), de onde, especialmente os MIHOPianos, acreditam ter sido orquestrados os ataques e, por isso, a suposta implosão do WTC7 teria sido uma queima de arquivo.

Os ataques

Às 7h59 da manhã da terça-feira do dia 11 de setembro de 2001, um voo da American Airlines, que saía de Boston rumo a Los Angeles, mudou sua rota para Nova Iorque e, 47 minutos depois, chocou-se com uma das torres gêmeas, em pleno coração financeiro dos Estado Unidos. Às 9h04, 17 minutos após a primeira colisão, um voo da United Airlines, também oriundo de Boston, atingiu a outra torre para todo o mundo ver ao vivo, uma vez que, a essa altura, a cobertura da mídia já havia começado.

Houve ainda mais dois voos — um que colidiu com o pentágono e outro que caiu em uma zona rural em Nova Jersey — que participaram dos atentados deste dia em que, no Brasil, praticamente ninguém esquece o que estava fazendo quando a “TV Globo” interrompeu sua programação. Ao todo, 19 terroristas participaram dos sequestros dos aviões: 15 da Arábia Saudita, dois dos Emirados Árabes Unidos, um do Egito e outro do Líbano.

Em resposta, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão, apenas três semanas após os ataques, e o Iraque, em março de 2003. Neste último, sob a alegação de que o governo iraquiano teria armas de destruição em massa — o que acabou sendo desmentido anos mais tarde pelo então secretário de Estado dos EUA, Colin Powell.

Uma pesquisa de 2006 mostrou que 85% dos soldados estadunidenses lutando no Iraque pensavam estar ali devido à “retaliação a Saddam Hussein pelo seu papel nos atentados de 11 de setembro”. O problema é que, como é de amplo conhecimento nos dias de hoje, Saddam não teve papel algum. Críticos do governo estadunidense sempre lembram que Bush era ligado à indústria do petróleo, enquanto Cheney, seu vice, à das armas. Portanto, em razão de seus interesses pessoais, seria justificada a invasão, que contribuiu para o enfraquecimento do país e, consequentemente, deu espaço para o surgimento de extremistas, como o Estado Islâmico do Iraque, antecessor do Estado Islâmico que todos conhecem atualmente. l

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Nilson Gomes Jaime

Este documentário do Discovery Chanel trata do assunto com muita propriedade. A suspeita é que o prédio tenha sido demolido, por sediar algumas das agências de segurança dos Estados Unidos. O incêndio seria um pretexto para a implosão, simulada de atentado. Vale a pena Assistir: https://www.youtube.com/watch?v=9FXT3PnENj0