Vanderlan Cardoso começa a unificar militância

Candidato do PSB começa a ter apoio explícito da militância da base aliada estadual, fator que pode fazer a diferença

Vanderlan Cardoso faz campanha em feira livre: o ânimo agora é diferente de suas campanhas anteriores | Foto: Divulgação

Vanderlan Cardoso faz campanha em feira livre: o ânimo agora é diferente de suas campanhas anteriores | Foto: Divulgação

Afonso Lopes

O clima eleitoral ainda não atingiu as ruas, o que é natural diante do ritmo do calendário estabelecido, além da proximidade com o final dos Jogos Olímpicos realizados no Rio de Janeiro. Portanto, é absolutamente correto afirmar que o jogo só agora está começando. Ainda timidamente, mas é possível perceber que o assunto eleição tem, sim, frequentado mais o dia a dia das pessoas, seja nas conversas informais dentro das empresas, seja no bate papo descontraído na hora do lazer.

Isso significa que tudo o que aconteceu até agora conta muito pouco. Iris Rezende, Waldir Soa­res e Vanderlan Cardoso surfam nas ondas de recall que cada um acumulou por ações anteriores. Para vencer a eleição é necessário bem mais do que isso. Como início, é óbvio que vale. Como etapa final seria insuficiente.

Militância

Waldir Soares, que se lançou com furor como candidato, já enfrenta um problema bastante sério. Sua coligação é bem menor do que deveria ser. No início, ele mantinha um empate com Iris Rezende nas pesquisas realizadas na chamada pré-campanha. Mas aos poucos ele passou a se mostrar isolado, sem apoios e sem uma base. Nas caminhadas que tem feito, não consegue muita coisa. Nenhum rosto conhecido, que possa ajudar nessa difícil empreitada de sedução do eleitor.

Já Iris Rezende demonstra o velho estilo de sempre: muita gente, muito barulho e festa nessas manifestações. Seu alcance provavelmente será limitado pela condição física. Iris não é mais um moço cheio de vigor. Não é um velho atrofiado. Longe disso. Para a sua idade, superior a 80 anos, ele é um exemplo de vontade. O modus operandi é o mesmo: caminhar no meio do tumulto — bem organizado pelos coordenadores de sua campanha — como se estivesse sempre prestes a ser levantado e carregado triunfalmente. Isso sempre funcionou com ele em Goiânia. Vai funcionar mais uma vez? Não se sabe. O eleitor que aí está não é o mesmo do século passado ou início deste milênio. Ele mudou, está mais antenado e criterioso.

O momento, aparentemente, é todo favorável a Vanderlan Cardoso. Depois de passar um bom período praticamente dentro de um casulo partidário, ele conseguiu absorver a esmagadora maioria dos partidos que compõem a base aliada estadual, e com isso ele ganhou tempo de televisão e rádio, além de militância. Aliás, faltava receber apoio dessa militância. Faltava. A cada dia que passa, ele tem agregado. É uma questão de tempo para Vanderlan conseguir finalmente colocar todo o exército eleitoral dessa base no ponto certo.

Quem tiver a possibilidade de ob­servar fotos de reuniões promovidas por Vanderlan há um ano e há cerca de uma semana, vai perceber a diferença no número de participantes e, mais do que isso, uma maior diversificação dos presentes. Antes, ele an­dava pra lá e pra cá com meia dúzia de gatos pingados. Agora, a turma tem crescido a cada movimentação.

Rádio e TV

Os programas eleitorais no rádio e na televisão, que foram cortados pela metade nesta campanha, começaram sexta-feira, 26. Vanderlan tem o maior espaço dentre todos os candidatos. Mais, inclusive, do que Iris Rezende. Esse é outro aspecto que pode contar muito favoravelmente para a campanha dele.

Há diferenças brutais na forma e no conteúdo dos discursos de Iris e Vanderlan. O peemedebista é o “Messias” de sempre, com soluções instantâneas para tudo e todos os problemas. Já na sexta-feira, em seu primeiro programa no rádio, ele afirmou que vai resolver todos os problemas urgentes de Goiânia logo nos primeiros meses. Obedecidas as proporções, é mera repaginação do discurso de 2004, quando disse que resolveria todos os problemas do transporte coletivo de Goiânia em seis meses.

E Vanderlan? Ele evoluiu, sim. Novamente seria interessante comparar o Vanderlan de 2010, quando disputou o governo do Estado, e o atual. É completamente diferente em termos de apresentação, embora a linha dorsal esteja presente de maneira imutável. Sua fala está mais fluída, mais fácil. As palavras saem naturalmente, sem meneios de cabeça como em 2010. A voz perdeu o tom superior. Se tornou mais acessível. Enfim, ele conseguiu uma ótima evolução.

Quanto ao conteúdo, ele certamente não teria como mudar. O perfil de Vanderlan é de um administrador típico, sem arroubos messiânicos e soluções mágicas e instantâneas. Nesse sentido, ele faz um bom contraponto ao discurso de Iris Rezende. Esse vai ser um bom embate.

Por fim, Iris Rezende e Waldir Soares provavelmente imaginaram em certo momento que não precisariam enfrentar os demais adversários nos debates. Devem repensar essa estratégia e avaliar bem os riscos. As ausências deles só facilita as coisas para Vanderlan, que vive o seu momento, a sua hora. Se ele conseguir consolidar isso como tendência, vai embolar geral. É esperar pra conferir.

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