Vacinas mantêm óbitos baixos em novo surto da Covid-19

Maior parte dos internados é de não vacinados. Sequelas da doença permanecem em mais de metade dos pacientes

Foto: Reprodução

A Covid-19 no Brasil havia sido controlada pela vacinação de tal forma que, em dezembro de 2021, atingiu o menor número de novos casos diários desde o começo da pandemia. Em Goiás, de 13 a 23 de dezembro, não foi registrado nenhum caso novo pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-GO).

A suspensão das medidas não farmacológicas (higienização, isolamento social e uso de máscara), então, elevou o número de novos casos para um novo recorde desde a chegada da doença – foram 260 mil infecções em 28 de janeiro de 2021. Entretanto, o número de óbitos se manteve relativamente baixo, o que indica a eficácia da imunização em prevenir casos graves. 

O último surto – que, segundo especialistas, não pode ser caracterizado como uma nova onda, mas como oscilação natural das variantes já conhecidas – durou até o início de março. No pior momento de 2022, no dia 9 de fevereiro, foram 1.303 mortos em uma média de 170 mil casos por dia. O número é alto, mas pode ser comparado com o pior momento de toda a pandemia, em 9 de abril de 2021, quando morreram 3.700 pessoas em uma média móvel de 70 mil infectados a cada 24 horas. A taxa de letalidade da doença caiu mais de sete vezes, graças à vacinação. 

Em Goiás, a média móvel se encontra em 750 novas infecções a cada 24 horas, mas o número médio de óbitos na última semana é de apenas 4,2 mortes por dia devido a Covid-19. A SES-GO explica o fenômeno: idosos não vacinados ou com vacinação incompleta têm taxa de óbitos nove vezes maior e uma taxa de internação oito vezes maior que aqueles com esquema primário completo e dose de reforço. Adultos não vacinados são três vezes mais representados nos leitos de UTI do que os vacinados. 

Em Goiás, os hospitais com leitos de UTI dedicados exclusivamente a pacientes de Covid-19 estão com 54% ocupados. No pior momento da pandemia, de março a abril de 2021, os leitos estavam totalmente ocupados. Atualmente, o contágio se encontra com tendência de alta em seis estados: PI, PR, RO, MS, RS e SP. Cinco estados estão estáveis: ES, AP, CE, SE e BA. Há tendência de queda em 14 unidades federativas e o DF: PE, AL, DF, TO, SC, GO, MG, RJ, PA, MT, PB, RN, MA, AM e RR. Apenas o Acre não divulgou dados.

Novos infectados

Entre os políticos que contraíram a Covid-19 no mais recente surto deste ano estão nomes como Simone Tebet (MDB), Geraldo Alckmin (PSB) e Ciro Gomes (PDT). Todos deram declarações públicas de que seus casos foram relativamente leves porque haviam recebido o esquema completo da vacinação. 

Raquel Stucchi, médica infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) analisa a situação: “Nós não devemos mais ter um impacto tão importante na saúde como tivemos nos últimos dois anos. A vacinação deve conseguir conter um aumento exponencial. Mas, de qualquer forma, isso não significa que, se os casos continuarem subindo, não haverá um aumento significativo no número de internações e, consequentemente, mortes. Por isso a prevenção ainda é essencial.” 

Rachel Stucchi | Foto: Reprodução / Facebook

Mesmo com a redução na taxa de letalidade trazida pelas vacinas, a Covid-19 continua sendo uma doença grave que pode deixar sequelas. Segundo pesquisa da Fiocruz Minas, metade das pessoas diagnosticadas com Covid-19 apresentam sequelas que podem perdurar por mais de um ano. O estudo mineiro publicado no dia 06 de maio na revista Transactions of The Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene acompanhou, por 14 meses, 646 pacientes que tiveram a infecção e verificou que 50,2%, tiveram sintomas pós-infecção, caracterizando o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica como Covid longa. 

Ao todo, a pesquisa contabilizou 23 sintomas, após o término da infecção aguda. Fadiga, que se caracteriza por cansaço extremo e dificuldade em realizar atividades rotineiras, é a principal queixa entre os pacientes, relatada por 115 pessoas (35,6%). Também entre as sequelas mais mencionadas estão tosse persistente (110; 34,0%), dificuldade para respirar (86; 26,5%), perda do olfato ou paladar (65; 20,1%) e dores de cabeça frequentes (56; 17,3%). Além disso, também chamam a atenção os transtornos mentais, como insônia (26; 8%), ansiedade (23; 7,1%) e tontura (18; 5,6%). Entre os relatos estão ainda sequelas mais graves, como a trombose, diagnosticada em 20 pacientes, ou seja, 6,2% da população monitorada.

Segundo a pesquisadora Rafaella Fortini, que coordena o estudo, todos os sintomas relatados iniciaram após a infecção aguda e muitos deles persistiram durante os 14 meses, com algumas exceções, como trombose que, por ter sido devidamente tratada, por meio intervenções médicas adequadas, os pacientes se recuperaram em um período de cinco meses. “Temos casos de pessoas que continuam sendo monitoradas, pois os sintomas permaneceram para além dos 14 meses. Constatamos ainda que a presença de sete comorbidades, entre elas hipertensão arterial crônica, diabetes, cardiopatias, câncer, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica e tabagismo ou alcoolismo levou à infecção aguda mais grave e aumentou a chance de ocorrência de sequelas”, explica a coordenadora.

Fiocruz Minas | Foto: Reprodução/Fiocruz

Os resultados do estudo mostraram ainda que os sintomas pós-infecção se manifestam nas três formas da doença: grave, moderada e leve. Na forma grave, de um total de 260 pacientes, 86, ou seja, 33,1%, tiveram sintomas duradouros. Entre os 57 diagnosticados com a forma moderada da doença, 43, isto é, 75,4%, manifestaram sequelas e, dos 329 pacientes com a forma leve, 198 (59,3%) apresentaram sintomas meses após o término da infecção aguda. “Tais resultados mostram a importância de entendermos bem essas sequelas, uma vez que estão ocorrendo até mesmo em pessoas que, durante a fase aguda da infecção, estiveram assintomáticas”, ressalta a pesquisadora. 

Participantes

A pesquisa acompanhou pacientes atendidos no pronto-socorro do Hospital da Baleia e Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, ambos referência para Covid-19 em Belo Horizonte. Os pacientes procuraram atendimento entre abril de 2020 e março de 2021. Todos eles foram testados por RT-PCR e tiveram diagnóstico positivo para a doença. 

O monitoramento dos sintomas e sequelas remanescentes foi feito por meio de entrevistas realizadas uma vez por mês, presencialmente ou por meio de uma plataforma virtual, no decorrer de 14 meses após diagnóstico confirmatório, no período compreendido entre março de 2020 a novembro de 2021. A idade dos participantes variou entre 18 e 91 anos; sendo que 53,9% eram do sexo feminino. Dos 646 pacientes acompanhados, apenas cinco haviam sido vacinados e, desses, três tiveram a Covid longa. 

De acordo com a pesquisadora Rafaella Fortini, as informações obtidas a partir do estudo permitem uma melhor compreensão acerca dos efeitos a longo prazo da Covid-19. “Trata-se de uma doença complexa, que pode atingir vários órgãos, e, dessa forma, ter informações é fundamental para que possa ser tratada adequadamente. Ainda há muito o que se conhecer: por que acontece? De que forma ela age no organismo? As respostas para esses questionamentos vão nos permitir entender a fisiopatologia da Covid longa, nos dando condições de resolver essas sequelas de maneira adequada”, destaca. 

Ainda segundo a pesquisadora, é importante que as pessoas busquem os serviços de saúde para o tratamento da Covid longa. “Há uma tendência de procurar tratamento apenas para as sequelas mais graves, como a trombose. Entretanto, é fundamental buscar ajuda médica para as outras questões, pois elas também podem interferir bastante na qualidade de vida das pessoas”, afirma.

Uma resposta para “Vacinas mantêm óbitos baixos em novo surto da Covid-19”

  1. Avatar Dalton Catunda Rocha disse:

    Em meio à pior catástrofe de saúde pública da história do Brasil, Jair Bolsonaro baseia a saúde pública do Brasil, nas opiniões de Olavo de Carvalho (1947- 2022) que morreu de covid. Olavo de Carvalho era um astrólogo e bruxo.

    Num vídeo do começo de 2020, o bruxo Olavo de Carvalho “provou” que, a hidroxicloroquina é um remédio milagroso, contra o coronavírus.

    O vídeo está, neste site: https://www.bitchute.com/video/drKaCaE2jNnW/

    Desde abril de 2020, existem artigos mostrando que, a cloroquina e a hidroxicloroquina, não curam o coronavírus. Ver site: https://istoe.com.br/estudo-aponta-que-hidroxicloroquina-e-ineficaz-contra-coronavirus/

    Segundo Jair Bolsonaro e inúmeros famosos pastores pentecostais, desde o Jejum Nacional de Oração, em 5 de abril de 2020, o coronavírus está completamente extinto do Brasil.
    Veja a “prova” da extinção do coronavírus, neste vídeo:
    https://www.youtube.com/watch?v=MV7vR1ZX19Q

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.