Uso de adoçante em excesso pode fazer mal à saúde, mas é mito que causa câncer

Especialistas esclarecem mitos e verdades a respeito do uso de adoçante e seus eventuais malefícios ao organismo humano

Adoçante ou açúcar, o excesso é sempre
prejudicial ao organismo

O adoçante está cada vez mais substituindo o açúcar. Não só pelos diabéticos, que não podem consumir o último, mas também por pessoas em busca de redução de peso. Afinal de contas, alguns adoçantes não possuem caloria e adoçam até 300 vezes mais do que o açúcar. O seu uso, contudo, pode vir a causar prejuízos à saúde.

Ruver de Andrade Martins: “Quando se usa [adoçante] em grande quantidade, há agressão á mucosa gástrica”

Quando sentimos um sabor doce, ele é automaticamente relacionado com alta caloria por meio de um sinal químico enviado pelo cérebro, fazendo com que o estômago se prepare para produzir enzimas digestivas. Mas em razão de o adoçante não conter caloria, ao chegar ao estômago, não há o que ser digerido.

Dentre as consequências, pode-se contrair gastrite e úlcera devido aos ácidos não utilizados pelo corpo. Cirurgião do aparelho digestivo, Ruver de Andrade Martins aponta os malefícios do uso em excesso de adoçante: “Quando se usa em grande quantidade, há agressão à mucosa gástrica”. Para o médico, o adoçante mais recomendável é o xylitol, sempre em quantidade controlada.

Paulinne Corrêa: “O melhor para a saúde é que não usemos açúcares e adoçantes”

Nutricionista especializada em fitoterapia, nutrição esportiva e funcional, Paulinne Corrêa indica, além do xylitol, o stevia, que não costuma agradar o paladar, como um dos adoçantes mais seguros por não alterar o índice glicêmico e ser totalmente absorvido.

Para ela, o maior problema do adoçante está em aumentar a compulsão alimentar e a vontade de comer doce. “O principal prejuízo está na corrente sanguínea. É feito um disparo metabólico hormonal para receber açúcar, o que aumenta o apetite podendo resultar também em um acréscimo de gordura corporal.

Paulinne Corrêa sugere que açúcares naturais, como o mascavo, consumidos em pequena quantidade, são menos prejudiciais à saúde do que o adoçante. “O açúcar mascavo e o demerara são as melhores opções. Contêm mais nutrientes, pois não sofrem processos químicos de refinamento e branqueamento.”

Entretanto, a recomendação é que não se use nem açúcar nem adoçante. “O melhor para a saúde é que não usemos açúcares e adoçantes, sejam eles naturais ou artificiais. Precisamos educar o paladar para que encontremos o verdadeiro sabor do alimento sem precisar adoçar”, propõe a nutricionista. Ao pedir um suco, segundo ela, o ideal é que se tome o primeiro gole sem adoçar para que depois, se necessário, seja adoçado de maneira gradual.

Mitos e verdades

Luciano Sanches: “Adoçante artificial pode ser tóxico ao sistema nervoso”

Existem alguns mitos que rodeiam os adoçantes. O fato de ser cancerígeno é um deles. De acordo com o endocrinologista Luciano Sanches, não há nenhuma comprovação científica de que o uso de adoçante cause câncer. Ele remete a um estudo realizado há 30 anos como a origem desse mito. “Foram injetadas doses cavalares de adoçante em cinco ratos e dois contraíram câncer de bexiga, mas esse estudo não é o ideal para esse tipo de análise.”

“Adoçante artificial pode ser tóxico para o sistema nervoso”, alerta Luciano Sanches, que condena o seu uso em excesso, uma vez que pode acarretar em ganho de peso. O endocrinologista não aconselha que gestantes não diabéticas façam uso de adoçante e frisa que o uso do produto pode ser feito por qualquer pessoa que não tenha fenilcetonúria (doença genética com incidência rara no Brasil), caso contrário pode causar convulsões.

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