Tecnologia 5G na zona rural de Goiás beneficia produtor e meio ambiente

Nova geração de rede móvel está em teste há um ano em Rio Verde e possibilitou reduzir em até 90% o uso de inseticida na plantação

Tecnologia 5G foi instalada em Rio Verde em fase de teste | Foto: Arquivo pessoal

A promessa da nova tecnologia 5G parece filme futurista. O ganho de velocidade se alia à conectividade e prevê revoluções. De dentro para fora de casa. Desde geladeiras que fazem lista de compras até manuseio de aparelhos à distância. A agilidade repercutirá no ganho produtivo. No campo, a novidade já é realidade. Empresas correm contra o tempo para explorar o melhor do mundo virtual, e oferecê-lo de forma efetiva a seus clientes.

Antes de colocar em prática a tecnologia no Brasil inteiro, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) disponibilizou o 5G para uma área rural de Rio Verde, no sudoeste de Goiás. O pedido foi feito pela Secretária-Geral da Governadoria de Goiás e fundamentado em uma pesquisa a ser realizada pelo Instituto Federal Goiano (IFG) em parceira com o Centro de Excelência em Agro Exponencial (Ceagre).

Desde o dia 5 de dezembro do ano passado, então, a Anatel disponibilizou o sinal para que a pesquisa fosse desenvolvida. Quase um ano depois, o Ceagre vê as expectativas se concretizarem. “Soluções que levam a um aumento de produtividade sem necessidade de ampliação da área cultivada”, diz a justificativa técnica da pesquisa.

O secretário-geral da Governadoria, Adriano da Rocha Lima, vive a expectativa de estender para todo o Estado os benefícios vistos no projeto. “Montamos o centro de pesquisa com 5G funcionando em Rio Verde. Estamos desenvolvendo aplicações que vão beneficiar o agronegócio. Essa licença que era provisória será definitiva”, destacou o titular da pasta.

A relação “fazenda e tecnologia” pode parecer destoante em primeiro momento. Mas basta um olhar tecnológico para entender a relevância da 5ª geração de rede móveis para o meio rural. “Quando se fala em gado, por exemplo, com a nova tecnologia, podemos rastrear cada passo do rebanho: por onde se movimentam, onde dormem, o que comem. Isso propicia tratamento melhor para o animal e, consequentemente, aumenta a produtividade”, explicou o secretário-geral.

Para plantações, os resultados foram ainda mais entusiasmantes. Adriano da Rocha destacou uma das aplicações do 5G: um drone sobrevoa a lavoura e consegue identificar plantas doentes com pragas. Dessa forma, ao invés de lançar pulverizador em toda a plantação, aplica o inseticida apenas no local identificado. “Economiza cerca de 90% do que seria usado do produto. Sem contar que tem benefícios ambientais, pois evita disseminar indiscriminadamente inseticidas pelo ar”, ressaltou o secretário.

No início da pesquisa, o drone era capaz apenas de identificar a praga. Quase um ano depois, a tecnologia se desenvolveu. “Agora, são os drones capazes de, além de identificar, aplicar o inseticida na plantação pontualmente. Isso foi feito em outras áreas, mas são pesquisas ainda em andamento”, contou Adriano da Rocha.

A expectativa de estender o benefício para todo o Estado é persistente. No entanto, a previsão é que o 5G só esteja disponível em meados ou no final do primeiro semestre do próximo ano. Isso se deve à parte burocrática.

À espera do 5G

Instalação da Rede 5G em Rio Verde | Foto: Divulgação

A tecnologia cedida pela Anatel foi apenas experimental. Enquanto os pesquisadores colhem resultados, as empresas de inteligência agrônoma da região correm contra o tempo para analisar os dados e os serviços que poderão ser disponibilizados com o 5G.

O engenheiro agrônomo Lucas Roza enxerga a fazenda como uma verdadeira indústria a céu aberto. “Nossa empresa faz gestão desses dados. Monitoramos qualidade do solo, telemetria, analisamos onde a máquina passou, quanto aplicou. Mas essas informações são prejudicadas pela demora na transferência dos dados”, explicou o diretor da Prisma Inteligência Agrônoma.

A empresa atende nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e Tocantins. Com ajuda de aparelhos, conseguem fazer a gestão de dados das propriedades rurais. “As máquinas que atuam no campo têm capacidade de armazenamento muito adequada, mas esses dados não são transferidos em tempo real”, contou Lucas Roza.

A demora para analisar os dados, por falta de agilidade na transferência de dados, é prejudicial para as fazendas. “Lavoura tem prazo de validade. Há tempo de plantar e de colher. Se você não toma uma decisão, você perde. E só recupera o que perdeu no ano seguinte”, explicou o engenheiro agrônomo.

Lucas Roza espera que a nova tecnologia traga imediatismo para a área rural. O benefício deve elevar a produtividade. “É motivo de se esperar uma explosão no agronegócio. Atualmente, o prazo é de uma safra para outra. Não tomamos decisão naquele ciclo. Aprendemos com os erros e usamos o aprendizado na próxima safra. O 5G vai possibilitar essa tomada de decisão em tempo real”, apontou o diretor da Prisma.

Espera-se maior eficiência com a implantação da nova tecnologia. Por hora, as empresas assistem aos resultados disponibilizados pela pesquisa em Rio Verde. Mas, logo, será a vez do mercado privado implementar as melhorias.

Secretário prevê tecnologia no Estado ainda no 1º semestre de 2022

Secretário-geral da Governadoria de Goiás, Adriano Rocha Lima | Foto: Fábio Costa / Jornal Opção

A Anatel realizou o leilão do 5G no início deste mês. As operadoras arremataram as diferentes frequências disponíveis para fazer a nova tecnologia funcionar. Para que isso aconteça, é necessário instalação de torres de comando. O leilão foi apenas uma parte da burocracia.

Depois de as operadoras assinarem o contrato, elas devem providenciar a instalação das torres. O local depende de liberação do município respectivo. Para facilitar este processo, o governo de Goiás submeterá um projeto de lei (PL) à Assembleia Legislativa para estabelecer diretrizes a serem incorporadas pelos entes menores.

A expectativa é de que o PL seja encaminhado neste mês. “Uma das coisas que limita a velocidade de implantação do 5G é o tempo que leva para autorizar a implantação das torres. Vamos mandar um PL para Assembleia ainda em novembro para estabelecer diretrizes para agilizar esse processo. Quando o município integrar isso, o Estado de Goiás sairá na frente, porque a legislação mais simples facilita a implantação”, ressaltou Adriano da Rocha.

A tendência é que, por ser capital, Goiânia seja a primeira cidade a ter a instalação. No entanto, Rio Verde deve acompanhar o ritmo. “Rio Verde é muito rica, deve ser mais ou menos ao mesmo tempo. De três a quatro meses a partir da assinatura do contrato com a Anatel, então março ou abril de 2022, provavelmente, teremos a tecnologia 5G funcionando em Goiás”, disse o secretário.

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