Siglas divididas e influência emedebista marcam início da eleição na Câmara de Goiânia

Dois grupos já foram formados e os vereadores articulam os nomes que comporão a próxima Mesa Diretora no Legislativo Municipal

Eleição da Mesa Diretora deve ocorrer no dia 1º de janeiro | Foto: Câmara de Goiânia

A pouco mais de 10 dias da eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia, os parlamentares da capital já se articulam em grupos para tentar conseguir maioria na gestão da Casa. Até agora, dois grupos foram formados: o primeiro, composto pelo atual presidente da Câmara, Romário Policarpo (Patri) e pela bancada em peso do MDB – a maior da Casa -; e o segundo, articulado por alguns reeleitos mas composto em sua maioria por novatos de mandato.

As movimentações e diálogos ainda estão na fase inicial, mas devem esquentar nos próximos dias. Isso, porque ainda há divergências entre os próprios vereadores quanto ao número de componentes de seus próprios grupos, com grande possibilidade de migração de um para o outro até o dia 1º de janeiro de 2021, quando ocorre a eleição dos integrantes da 19ª legislatura.´

Conforme alguns vereadores ouvidos pelo Jornal Opção, há, atualmente, 22 vereadores no grupo do presidente Policarpo. Outros falam em 21. No entanto, parlamentes do outro bloco contam que já dispõem de 15 vereadores fechados. Alguns falam em 14, com negociação em andamento com 15º.

Há alguns aspectos que chamam a atenção nos preparativos da escolha da próxima Mesa Diretora, como o fato de integrantes de um mesmo partido estarem em blocos distintos – como é o caso de Isaías Ribeiro, do Republicanos , o vereador mais bem votado de Goiânia, que está no bloco de Policarpo e do MDB enquanto os outros dois companheiros de partido, Sargento Novandir e Leandro Sena, estão no bloco de Sabrina Garcês (PSD) e Lucas Kitão (PSL).

Sabrina Garcêz encabeça um dos grupos formado na Câmara | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O outro caso é o da vereadora Luciula do Recanto, do PSD, que estaria no grupo de Policarpo enquanto a companheira de partido, Sabrina Garcêz, está no outro.

Além disso, ao que tudo indica, a escolha do novo presidente da Casa promete ser apertada. Afora a movimentação do grupo de Sabrina e Kitão que declarou estar articulando para a “renovação” da Casa, há ainda o fato de que o nome de Policarpo não é consenso em seu bloco para a reeleição. Pelo contrário. O MDB, bancada com 6 vereadores, já manifestou o desejo de pleitear a presidência da Câmara e, segundo o próprio presidente regional do partido, Carlos Júnior, a legenda deve entrar forte na disputa pela maior cadeira da Mesa.

Ao Jornal Opção, Carlos afirma que o MDB respeita a independência dos vereadores, mas argumenta que o partido, por ter a maior bancada da Câmara, tem o direito de ter a presidência da Casa.

“Temos a maior bancada da Câmara no próximo exercício, que é o dobro do segundo colocado, o Republicanos, que tem três vereadores. Nós achamos, por diversos argumentos, entre eles por sermos a maior bancada, que é um direito nosso ter a presidência da Câmara”, diz.

No entanto, o presidente emedebista destaca que a sigla está aberta a negociações e que não tem questão fechada, mas que busca o melhor para chegar à governabilidade do prefeito eleito Maguito Vilela (MDB). “Não somos intransigentes a ponto de não abrir mão disso [da presidência] por um bem maior que é a governabilidade do Maguito. Mas queremos sim fazer parte das discussões sobre o futuro da Casa”, conclui.

Segundo o vereador Kleybe Morais, do MDB, ainda não há nada definido quanto às pretensões de cargos. De acordo com o parlamentar, as conversas ainda estão limitadas ao conhecimento mútuo dos vereadores e o “amadurecimento do grupo”. Já o vereador Izídio Alves, também do MDB, que destacou não ter interesse na presidência da Casa e em nenhum posto da Mesa Diretora, afirma que é preciso ter “bom senso e governabilidade” na questão da escolha da próxima gestão.

“Na hora de pegar os partidos e fazer coligação, faz coligação, mas tem que ter o bom senso”, declarou, deixando em aberto a questão de seu apoio à tese do MDB que ascender à presidência da Câmara.

Questionando sobre a situação, o atual presidente, Romário Policarpo, foi evasivo. Conforme o parlamentar, dentro do grupo “pode ser qualquer um [para a presidência], mas ainda não tem um nome”. “Pode ser alguém do MDB ou de outro partido sim”, disse.

‘Braço importante da prefeitura’

A vereadora Sabrina Garcêz, do PSD, mesmo partido do senador e candidato derrotado das eleições municipais, Vanderlan Cardoso, é uma das componentes do outro bloco que tentará fazer os nomes da Mesa Diretora. Segundo a vereadora, os integrantes do grupo estão conversando com o objetivo de discutir a cidade e contribuir para a construção de uma Câmara que seja um braço importante da Prefeitura de Goiânia no momento pós-pandemia que está por vir.

“Nós sabemos que a prefeitura vai passar por um momento difícil, pós-covid, e o que nós queremos é uma Câmara que contribua com a prefeitura, que seja realmente um braço importante do prefeito Maguito pra gente conseguir trazer desenvolvimento pra cidade de Goiânia”, declara.

Segundo Sabrina, ainda não há nomes definidos dentro do grupo para pleitear a presidência da Casa. Porém, conforme a vereadora, há alguns que são bem vistos no bloco para a disputa e que já teriam manifestado desejo de entrar na disputa. Seriam eles: Lucas Kitão (PSL), Paulo Henrique da Farmácia (PTC) e Leandro Sena (Republicanos).

Leandro Sena, vereador eleito | Foto: Divulgação

Ao Jornal Opção, Leandro Sena confirmou que colocou seu nome à disposição do grupo. O vereador já cumpriu um mandato na Câmara e na Assembleia Legislativa de Goiás. Segundo ele, “tem gente do outro grupo que está insatisfeito e aguardando a hora certa” para mudar de bloco.

“Estamos muito otimistas. Estou nesse grupo por acreditar num projeto que propõe inovação para a Câmara”, diz.

Já o vereador Anderson Bokão (Dem), afirmou que “todos no grupo estão aptos” para ocupar os cargos na Mesa Diretora, incluindo a presidência. Entretanto, conforme o vereador, a definição dos nomes para a disputa “é uma pauta que será deixada mais para a reta final”.

Conforme apurado pelo Jornal Opção, com informações dos vereadores ouvidos, está o mapa dos grupos formados na Câmara:

Grupo 1: Policarpo

Grupo 2: Lucas Kitão

Isaias Ribeiro (Republicanos)  – 1

Sargento Novandir (Republicanos)  – 2

Luciula do Recanto (PSD)  – 1

Sabrina Garcez (PSD)  – 2

Clécio Alves (MDB)  – 1

Lucas Kitão (PSL)  – 2

Dr Gian (MDB)  – 1

Sandes Junior (PP)  – 1

Bruno Diniz (PRTB)  – 1

Anselmo Pereira (MDB)  – 1

Romário Policarpo (Patriota)  – 1

Henrique Alves (MDB)  – 1

Kleybe Morais (MDB)  – 1

Izidio Alves (MDB)  – 1

Anderson Sales- Bokão (DEM)  – 2

Mauro Rubem (PT)  – 1

Cabo Senna (Patriota)  – 1

Gabriela Rodart (DC)

Bessa (DC)  – 2

Pedro Azulão Jr (PSB)  – 1

Léia Klebia (PSC)  – 2

Leandro Sena (Republicanos)  – 2

Ronilson Reis (Podemos)  – 1

Juarez Lopes  (PDT)  – 1

Geverson Abel (Avante)  – 1

Edgar Duarte Careca (PMB)  – 1

Aava Santiago (PSDB)  – 1

Paulo Henrique da Farmácia (PTC)  – 2

Marlon (Cidadania)  – 2

Santana Gomes (PRTB)  – 1

Pastor Wilson (PMB)  – 1

Willian Veloso (PL)  – 1

Joazinho Guimarães (Solidariedade)  – 2

Thialu Guiotti (Avante)  – 2

Leo José (PTB)  – 2

O fator Maguito

Além de sair vitorioso das eleições municipais, o prefeito eleito Maguito Vilela conseguiu também, por meio de sua coligação Para Goiânia Seguir em Frente, eleger 14 vereadores na Câmara Municipal, contra 6 eleitos pela coligação Goiânia em um Novo Momento, do senador Vanderlan Cardoso.

Foram 3 vereadores do Republicanos, 6 do MDB (partido de Maguito), 2 do PMB, 1 do PTC e 2 do Patriotas. Com o estado de saúde do prefeito eleito, que ainda está internado em São Paulo e, mesmo curado da covid-19, respira com a ajuda de aparelhos, vereadores tentam avaliar qual será o nível de influência da prefeitura na eleição da nova Mesa Diretora.

O vereador emedebista Kleybe Morais acredita que haverá uma eleição sem nenhuma interferência externa. Ao Jornal Opção, Kleybe contou que conversou com Daniel Vilela, presidente estadual do MDB e filho de Maguito Vilela, que teria garantindo defender a autonomia da Câmara na escolha de seu presidente.

“Estamos tranquilos em relação a essa eleição. Não está tendo cotovelada, nada disso”, diz.

Vereadores do outro bloco, como Sabrina Garcêz e Anderson Bokão, partilham da posição. Segundo eles, a Câmara tem uma independência forte na questão da eleição de seus dirigentes e não deverá ser afetada pelas variáveis externas.

No entanto, os nomes alçados por Maguito na Câmara e pertencentes à sua base, e não só eles, devem trabalhar para garantir a governabilidade a Maguito. O presidente regional do MDB, Carlos Júnior, destacou, inclusive, o alinhamento do vice-prefeito eleito, Rogério Cruz, do Republicanos, com Maguito é sólido e que o vereador é “altamente qualificado e entrosado com o MDB”.

“A gente até costuma brincar internamente que temos que estar vendo ele para o MDB. Temos a maior boa convivência”, arremata.

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