Semana da Inovação propõe novos caminhos para os empreendedores goianos

Evento compõe Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que incentiva difusão e valorização do conhecimento acadêmico

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Yago Rodrigues Alvim

Charles Bezerra diz que é possível chegar à inovação mais gentil, natural, fluida e divertidamente. Para isso, é preciso escutar bem o que o sistema diz e, assim, qualquer transformação no meio familiar, escolar, empresarial, na sociedade como um todo, se apresentará. Bezerra é um dos maiores cientistas de inovação do Brasil. Ele propôs diferentes conceitos que amarram o que é inovar. Por exemplo, a ideia de Inovações Caóticas, em que as inovações veem do caos, visto que é, na verdade, um típico modelo de processo caótico ou a ideia de Cultura Innovatus, que se relaciona ao cultivo da mudança e da inovação, que propõe um caminho positivo, colaborativo e criativo.

É por esses caminhos que se­guem as ações do Ministério da Ciên­cia, Tecnologia e Inovação (MCTI), Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Se­c­tec), Fundação de Amparo à Pes­quisa do Estado de Goiás (Fa­peg) e de meios acadêmicos, como a U­ni­versidade Federal de Goiás (UFG).

Tradicionalmente, o Mi­nis­tério co­ordena a Semana Nacional de Ciên­cia e Tecnologia. O evento, re­a­li­za­do anualmente, propõe mobilizar a população brasileira e, em es­pe­cifico, goiana, em torno de temas e atividades que popularizem o co­nhecimento científico e tecnológico.

Sebrae

Universidades, fundações, prefeituras e entidades do Sistema S, como é o caso do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), organizam ações que compõem a Semana de Ciência e Tecnologia. A seccional goiana do Sebrae realiza a Semana de Ino­vação. Este ano, o evento traz 36 atividades, tais como seminários de inovação, clínicas tecnológicas com consultoria de adequação e rodadas do Programa Sebraetec.

Segundo a gerente de Inovação e Competitividade, Elaine Maria de Moura Souza, o intuito do serviço, ao propor a Semana da Inovação, é atuar na sensibilização dos empresários quanto à importância da inovação, cujo investimento é crucial para a manutenção competitiva das empresas no mercado. “As empresas podem inovar em muitos aspectos, sejam tecnológicos, gerenciais, processuais ou de novos produtos, mas é preciso que elas compreendam que inovação não é um custo, e sim um investimento. A partir do momento em que o empresário entende a inovação como o que torna a empresa mais competitiva, abrem-se caminhos para o crescimento e desenvolvimento empresarial, o que sem dúvida reflete em melhores lucros”, afirma.

A diretora de Administração e Finanças do Sebrae-GO, Luciana Al­bernaz, aponta a inspiração, o conhecimento, a criatividade e as necessidades humanas como fatores que provocam um novo jeito de fazer as coisas, de realizar os processos produtivos e até mes­mo de criar novos negócios. Quan­do se junta esses fatores e os põe em prática, é possível resultar em diversas inovações, seja em serviços, produtos e/ou procedimentos.

Segundo ela, as grandes companhias têm seus departamentos de criatividade ou de desenvolvimento de novidades. Mas um pequeno negócio nem sempre tem essa mesma oportunidade, sendo que o propósito maior, tanto da grande, quanto da pequena empresa é realizar bons negócios de forma responsável e sustentável, alcançar lucro e conquistar mercado.

Charles Bezerra é um dos maiores cientistas em inovação do País e propõe caminhos mais brandos para transformar a vida das pessoas

Charles Bezerra é um dos maiores cientistas em inovação do País e propõe caminhos mais brandos para transformar a vida das pessoas

“Para ter sucesso, uma empresa precisa ser competitiva e a competitividade empresarial passa, também, pela inovação. Inovar significa criar algo novo ou modificar, substancialmente, algo que já existe. Essas mudanças podem ocorrer em diversas modalidades, por exemplo, com a inovação organizacional. E para que elas se realizem é preciso mais do que recursos financeiros. Em­presas inovam para agregar valor aos produtos e gerar vantagens competitivas no seu mercado de atuação”, afirma.

Particularmente, as Micro e Pequenas Empresas (MPE) ne­cessitam de um permanente ciclo de inovação que lhes possibilite descobrir novos nichos de mercado, aumentar a lucratividade e renovar a exposição dos produtos. “É preciso inovar para crescer”, destaca. A inovação, nesse contexto, significa sobrevivência e permanência em um mercado em que as empresas precisam descobrir meios de distinguir seus serviços, formas de produzir um impacto significativo na qualidade, no preço e, até mesmo, na receita da própria empresa, gerando assim um diferencial competitivo. Assim, argumenta Luciana, as pequenas empresas adotam uma cultura da inovação, pois ela é o caminho permanente para o crescimento.

Fazer bem, o que todos já fazem, não é mais suficiente. Por isso ela destaca que o Sebrae oferece programas que auxiliam as MPE a inovarem. Um deles é o, já mencionado, Sebraetec; um programa de consultoria que aproxima o empresário dos fornecedores de tecnologia (centros de pesquisas e instituições tecnológicas). Outra ação é o projeto Agentes Locais de Inovação (ALI), no qual profissionais capacitados oferecem informações e dicas de como a empresa pode inovar.

O Sebrae, juntamente a uma rede de parceiros, órgãos públicos, entidades empresariais e instituições acadêmicas que desenvolvem estudos, pesquisas e soluções, para as microempresas e empresas de pequeno porte terem acesso à inovação, se juntaram de forma estratégica e realizaram a Semana da Inovação 2014, em Goiás e por todo Brasil.

“Os empreendedores, potenciais empresários e empresários de pequenos negócios vão ter uma ampla e variada programação com orientações técnicas, além de demonstrações práticas, por meio de oficinas e clínicas tecnológicas. As atividades vão acontecer na capital goiana e nos demais municípios; os interessados podem procurar o Sebrae mais próximo da sua cidade”, informa Luciana.

Serão realizadas atividades em diversos municípios goianos. Semi­ná­rios, palestras, capacitações tecnológicas e oficinas são algumas atividades já previstas, que discutem temas como “Inovando suas vendas para o Natal”, “Ino­vação em De­sign como diferencial competitivo para empresas”, “Segurança alimentar”, “Design e layout de interiores”, “A importância da internet para os pequenos negócios”, “Empreende­do­rismos e Gestão”, “Como tornar sua loja mais atrativa para o cliente”, “Como aumentar sues lucros, inovando”, “Inovar para vender mais” e “Facebook empresarial”.

Sectec

Realizada de 13 a 19 de outubro, a Semana Nacional de Ciên­cia e Tecnologia, promovida MCTI, é coordenada em Goiás pela Sectec. A abertura da Semana Nacional, em Goiás, será no município de Pi­renópolis em parceria com a Universidade Esta­dual de Goiás. Neste ano, o tema central é “Ciência e Tec­nologia para o Desenvol­vimento Social”. Segundo o secretário interino da Sectec, Jeferson Castro Vieira, o tema apresenta uma grande oportunidade para se discutir o próprio conceito de desenvolvimento social em um referencial de­mocrático que valorize, de um lado, os avanços da ciência e tecnologia e, ao mesmo tempo, os pontos de vista e os conhecimentos locais praticados pelas gerações.

A Sectec tem uma interlocução com o Ministério e dialoga com as demais instituições que se mobilizam em prol da inovação. O primordial, segundo o secretário, é divulgar o conhecimento produzido em Goiás, o que potencializa o próprio desenvolvimento alcançado pelo Estado, nos últimos anos.
“Os goianos têm acreditado em seus negócios. Os Parques Tecno­lógicos são exemplo da multiplicação das ondas de ciência e tecnologia. Por meio do programa de ‘Arranjos Produtivos Locais’, nós levamos o conhecimento, a inovação para o pequeno produtor, seja ele da área de confecções, da cachaça, do mel, da mandioca, da cerâmica vermelha; ou seja, uma diversidade muito grande. Nós reunimos a sinergia de uma região em um segmento produtivo”, pontua.

Segundo Jeferson, os empresários goianos têm se despertado para inovação e investido em ciência e tecnologia: “Há uma parceria público-privada que apoia essas pessoas que apostam em seus negócios, seja com linhas de crédito, ou propiciando a difusão do conhecimento. Nós investimos, em 2013, mais de R$ 2 bilhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro Oeste (FCO), na área de empresas de tecnologia e inovação”.

O secretário destaca que o resultado mais perceptível é o aumento de empregos em nível nacional. “O dinamismo do mercado é provocado pelos investimentos. Além da tecnologia, nós levamos a profissionalização. A Bolsa Futuro tem qualificado muitos goianos. Bem co­mo, os colégios tecnológicos re­fletem na sociedade”. Na Semana, a Sectec fará um balanço de todas suas atividades (Bolsa Futuro, Arranjos Produtivos Locais) e de resultados, como o ganho de 40 pontos da UFG no ranking nacional, da me­lhora no Índice de Desenvol­vimento da Educação Básica (Ideb), o que está relacionado com a inovação e investimento em ciência e tecnologia.

Luciana Albernaz: “Inovar significa criar algo novo ou modificar, substancialmente, algo que já existe” | Fernando Leite/Jornal Opção

Luciana Albernaz: “Inovar significa criar algo novo ou modificar, substancialmente, algo que já existe” | Fernando Leite/Jornal Opção

Fapeg

A Presidente da Fapeg, Maria Zaira Turchi, explica as ações da Fundação. O próprio nome sintetiza a ação realizada: a Fapeg ampara a ciência estadual. “Nós fomentamos, apoiamos com recursos, todos os eventos propostos pelas instituições de ensino superior que participam da Sema­na Nacional de Ciên­cia e Tecno­logia, em Goiás. É im­portante pensar que a Semana foi criada com o forte escopo de promover a difusão científica e de colocá-la em pauta no país”, explica.

A Fundação abre dois editais, regularmente. Desde 2012, eventos científicos ganham o apoio para realização de eventos científicos no Estado. “Temos apoiado esses eventos e trazido pesquisadores do país e internacionais para discutir temas relevantes quanto ao tema”, conta. Segundo ela, em 2014, além da grata surpresa feita pelas Instituições, ao organizarem eventos altamente qualificados, a Fapeg realizará um evento internacional. Juntamente com o Conselho Britânico, a Fundação trará especialistas do Reino Unido para discutir temas fundamentais e impulsionar, assim, a inovação estreitando a relação entre academia e setores empresariais. Realizado nos dias 16 e 17 de outubro, o evento tem como tema “Inovação e Pesquisa Colaborativa”.

“A mobilização de uma Semana nacional, que se estende pelo mês de outubro e vai até novembro, é um momento relevante para colocar a inovação em pauta na sociedade. Nós faremos essa discussão que vai em direção ao estreitamento do espaço entre as universidades e as empresas, atendendo uma necessidade desses próprios meios. A semana atua assim. O conhecimento científico é demorado; envolve toda uma rede colaborativa e que o momento de se apresentar os resultados é primordial para compreender o papel social da pesquisa científica, tecnológica e de inovação e sua relevância no desenvolvimento do país e dos estados”, diz.

Zaira propõe um verbo: convergir. Segundo ela, a Semana converge toda essa discussão. “Nós acreditamos que temos que fazer isso durante todo ano. E, por isso, procuramos incentivar esses eventos”, destaca. A pesquisa chega à ponta, dá mais qualidade de vida à população e mostrar como ela faz isso é fundamental para que o Bra­sil, o Estado de Goiás avance, cada vez mais, no reconhecimento da inovação. A presidente informa que o Estado tem cumprido o que é previsto em lei: “Nós já investimos mais de R$ 3 milhões do Tesouro Estadual, o que propicia a difusão do conhecimento científico”.

UFG

As instituições acadêmicas de ensino superior, de forma geral, se envolvem na Semana Nacio­nal de Ciência e Tecnologia. Estu­dantes participam dos eventos e propiciam que o conhecimento chegue à ponta, na sociedade, além de se estimularem à pesquisa e à inovação. Em sua 11ª edição, o Con­gres­so de Pes­quisa, Ensino e Ex­tensão (Con­peex), realizado pela UFG, entra no clima e propõe “Conhe­ci­men­to, Inclusão Social e Desenvol­vimento” como tema principal.

Como prolongamento da Se­mana da Inovação, o evento será realizado na primeira semana de novembro; do dia 3 a 5. A coordenadora geral do 11º Conpeex e também coordenadora geral de Extensão – PROEC/UFG, Claci Fátima Weirich Rosso, ressalta o diferencial da edição do evento. Segundo ela, o Congresso se descentralizará da capital goiana e terá atividades também na regional de Jataí. Já as regionais de Catalão e Goiás participarão juntamente com a regional de Goiânia.

“Nós também teremos, no dia 4 de novembro, em período integral a realização do ‘Espaço da Saúde’, no estacionamento do Araguaia Shop­ping com a participação das Ligas da Saúde, Núcleos de estudos e pesquisa e Secretaria de Saúde de Goiânia e Secretaria da Saúde do Estado de Goiás. O Espaço Pla­netário também será uma novidade nessa edição do Conpeex e estará localizado no Centro de Eventos Professor Ricardo Freua Bufaiçal, durante os três dias de evento. Teremos, ainda, a XI Mostra Cultural, a II Mostra Artística Bosque Auguste Saint’Hillaire e a I Mostra Cultural da regional de Jataí”, destaca a professora.

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Segundo Claci, as atividades culturais propõem divulgar os trabalhos artísticos e culturais dos estudantes, dos servidores técnico-ad­ministrativos, dos docentes da UFG, além das produções da co­munidade externa. A aproximação da academia e sociedade, por meio de atividades culturais, espaços de diálogo, expressão e compartilhamento de experiências, democratiza o acesso a bens culturais.

A temática nacional que sublinha o desenvolvimento social é destacada no evento na perspectiva dos princípios da inclusão social, assim como os avanços científicos e tecnológicos que buscam incentivar a troca de experiências em diversos campos de pesquisa, ensino e extensão. Nesse sentido, Claci ressalta: “É muito importante que a comunidade externa participe do Conpeex. A apresentação de trabalhos destina-se a docentes, discentes e técnico-administrativos da UFG, mas a participação nas atividades é para todos”. A população, em geral, poderá se inscrever na modalidade “Participação sem apresentação de trabalhos” e nos minicursos, que serão oferecidos, especialmente, para atender a comunidade externa, privilegiando a extensão e cultura.

A importância é simples e atinge diversos fins: “O Conpeex é o principal evento acadêmico da UFG, realizado anualmente pela administração superior e visa divulgar a produção acadêmico-científica-cultural da instituição”. O desafio é promover a divulgação e o intercâmbio da produção científica e cultural, assim como discutir as temáticas que subsidiem novos projetos e ampliem a formação acadêmica e cultural dos participantes do evento.

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