Sem diminuir a máquina administrativa, governo de Iris Rezende fica no marasmo

É provável que o prefeito, do alto de sua larga experiência, saiba que precisa limitar o tamanho da máquina da Prefeitura. O problema está em como cortar e, ao mesmo tempo, manter maioria na Câmara

Iris precisa modernizar Prefeitura

Afonso Lopes

Quando se “desaposentou” um mês após ter anunciado sua aposentadoria fake, Iris Rezende justificou o retorno dizendo que a situação da Prefeitura estava tão ruim que ele se sentiu na obrigação de voltar para consertar a casa. Atitude marqueteira à par­te, o prefeito sabia que, financeiramente, o sufoco era imenso. Aliás, não apenas ele percebeu isso como também todos os goianienses, que desde o início do mandato pessoal de Paulo Garcia — sem ser caroneiro de cha­pa vitoriosa — sofrem com o vai e vem da irregularidade da administração.

Iris centrou sua campanha em fortíssimo apelo que mexeu com os ânimos do eleitor e lhe garantiram a vitória: sua experiência era suficiente para fazer as coisas que devem ser feitas para resolver rapidamente, se não todos os problemas do dia a dia da Prefeitura e que incomodam bastante quando se acumulam, pelo menos os serviços essenciais, como varrição e recolhimento do lixo, roçagem, recuperação de ruas e avenidas e funcionamento básico da rede de saúde municipal.

É claro que deve-se levar em conta que o governo Iris tem apenas um mês de vida, e obviamente as cobranças por resultados precisam pesar esse fato com o devido desconto. O problema é que a imagem que se está no torto caminho da cristalização é de imobilismo. Alguma ação pode ser vista na cidade, como o tapa-buracos em avenidas e alguma roçagem aqui e outra lá longe. E é isso que dá para fazer, mesmo com dinheiro tão curto. Pode ser que haja algum refresco no sufoco do caixa com o início da temporada de ITU/IPTU, mas seria razoável não se jogar todas as fichas nessa aposta. A duríssima recessão econômica provocou queda no recolhimento de im­postos federais, estaduais e municipais em todo o país. É possível, portanto, que a inadimplência desse imposto seja um pouco maior do que o histórico.

Iris Rezende vive uma autêntica sinuca de bico. Ele sabe que o buraco de 30 milhões mensais que disse existir na Prefeitura só tem uma solução: arrumar di­nhei­ro novo ou cortar estrutura velha. Mas como fazer isso e ainda assim manter certa tranquilidade dentro da Câmara dos Vereadores, que também chegaram à vitória atolados em promessas de trabalho e realizações? Talvez seja esse o aspecto que tem gerado a sensação de marasmo administrativo destas primeiras semanas.

Essa acomodação de forças políticas tem que acabar rapidamente para iniciar o necessário ajuste na máquina administrativa. A Comurg é o melhor e mais acabado exemplo de um setor que consome muito e que acaba rendendo tão pouco em termos de qualidade do serviço prestado. E por que isso ocorre? Porque tecnologicamente a empresa é total e completamente desatualizada. Sua governança continua exatamente igual ao que era na década de 1980, ou seja, há mais de 30 anos. Iris precisa modernizar a em­presa para que ela gaste menos e renda mais em termos de qualidade do serviço prestado.

E não é só a Comurg que precisa de um choque de realidade. A Prefeitura de Goiânia é analógica em um mundo digital. Funciona com canetas esferográficas, pranchetas e planilhas no planeta dos chips. O sistema administrativo é tão arcaico que não há nem ao menos sincronismo entre suas peças. A pergunta que aqui faz sentido é se Iris Rezende tem disposição e conhecimento prático para fazer esse tipo de transição na governança de Goiânia como um todo. Experiente ele é, mas estaria cercado por auxiliares que possam ajudá-lo nesse trabalho de transformação? Isso vai se ver ao longo dos próximos meses.

Na verdade, não se pode afirmar que esse início de mandato é completamente ruim. Longe disso. O ponto central é que não é bom, e não há nenhum sintoma, por menor que seja, de que isso poderá mudar em breve. É o caso, e apenas para ficar em um exemplo que salta aos olhos, da manutenção de um monte de secretarias que não servem para coisa alguma. Iris poderia gerar um impacto extremamente positivo se tivesse assumido com uma reforma administrativa debaixo do braço. Inclusive para mostrar que Goiânia está sob nova direção, sob novo gerenciamento. Ao manter tudo exatamente como estava, ele acaba herdando parte do desgaste que a administração anterior acumulou. Os goianienses votaram pela mudança, mas até agora não viram nada mudar.

Uma resposta para “Sem diminuir a máquina administrativa, governo de Iris Rezende fica no marasmo”

  1. Avatar carlos miranda disse:

    Nem tudo e arcaico em Goiânia, A SMT possui um dos melhores sistemas semafóricos do pais, e isso foi comprovado através de pesquisa nacional onde ficamos em segundo lugar em cidades de melhores deslocamentos; pena que o atual secretario ainda não saiba disso. Eng. Carlos Alberto de Miranda CREA 5759 D GO

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