Segunda edição do Goiás Fashion Business coloca em debate as possibilidades do mundo da moda

Atividades teóricas e práticas envolveram desde a análise das singularidades de cada empreendedor a até possibilidade como internacionalização da marca

Raquel Leão, analista da Use Fashion, uma das palestrantes do evento | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Os desafios de empreender somados às subjetividade de um setor volátil e dinâmico: para quem busca consolidar um negócio no setor da moda, as atenções devem se dividir entre tarefas diversificadas. Foi esse o tom que marcou a 2ª edição do Goiás Fashion Busines, realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Goiás (Sebrae Goiás) entre os dias 20 e 23 deste mês.

Com diversidade temática, o evento trouxe ao público atividades teóricas e práticas que juntas buscam somar ao propósito de fomentar marcas goianas, é o que explica a analista técnica do Sebrae, Thais Oliveira. “Nós queremos que as marcas goianas sejam fortes e que possam ser fortes não só em nível nacional, como também internacional”, considera a analista.

Traçada a meta, a programação do Fashion Business fez um caminho que se inicia com o autoconhecimento, estimulando participantes a identificarem suas identidades, passou por instrução sobre uso de ferramentas tecnológicas de acompanhamento de tendências e chegou à atividades práticas de como internacionalizar o próprio negócio. Uma receita que pode ser a diferença para a consolidação no mercado.

Autoidentificação

Para o empreendedor da moda, antes de se pautar de questões como gestão e comportamento do consumo é necessário o exercício do autoconhecimento, da conexão consigo mesmo, é o que afirma a coordenadora nacional da Cadeia de Valor da Moda do Sebrae, Anny Santos, primeira a palestrar no evento. Segundo a especialista, o passo atrás à lógica do mercado é o diferencial a ser buscado no mundo ultra conectado em que vivemos.

“A moda muda e muda muito rápido, porque moda é, também, opinião”, Anny Santos | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Segundo Anny, ao mesmo tempo em que as tecnologias nos colocaram na era da informação, também nos acabou imposto a saturação de informações, nesse processo, uma das chaves para lidar com um mar de possibilidades do mercado fashion é se nortear por um equilíbrio entre o eu e o público. “É o equilíbrio entre o que eu quero e o que o mercado está pedindo”, afirma a analista.

“O grande desafio de empreender na moda é que ele não vende um produto, ele vende um comportamento, ele vende uma ideia, ele vende uma identidade e isso muda muito rápido, então nós já temos uma série de desafios no Brasil quando o assunto é empreender: tributação, formalização, gestão, politicas publicas, mas o empreendedor de moda ele enfrenta isso ainda com mais intensidade”, considera a especialista.

Identidades 

No debate sobre a necessidade de absorver a identidade do empresário para o próprio negócio, o estilista Isaac Silva, dono de uma marca de renome nacional, conhecido por trazer para as suas coleções o que ele mesmo classifica como “moda ativista”, afirma que é necessário pensar para além do vender. “Se você ficar só na pretensão de vender você vai estar vendendo algo sem DNA e sem uma identidade que pense no consumidor final você não irá durar”, afirma Isaac.

“Eu quero que mais marcas como a Isaac Silva consigam aparecer”, Isaac Silva, empresário e estilista | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

O empresário ganhou destaque no São Paulo Fashion Week (SPFW) deste ano, expondo um estilo que traz elementos da cultura afro-brasileira e indígena. Para Isaac, o sucesso de uma marca se caracteriza quando ela, carregando sua verdade, mantenha-se fazendo um trabalho que consiga alcançar crescimento, como emprego de novas pessoas e afirma que, em um futuro próximo, as marcas que não se atentarem para a diversidade irão desaparecer no mercado.

Nesse sentido, Isaac elogia a ação do Sebrae: “O Sebrae é o primeiro degrau que os empreendedores procuram, para quem quer fazer um trabalho sério e se especializar. Então trazendo nomes como o meu é trazer um conhecimento para pessoas que querem se aperfeiçoar em questões como essa”.

Tendências 

Raquel Leão, analista da Use Fashion Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

A consultora em moda Raquel Leão palestrou ao público sobre as tendências de verão para o vestuário feminino 2020/2021. A especialista no setor de pesquisa faz parte do time da Use Fashion, plataforma online que apresenta pesquisas de tendências baseadas em desfiles e feiras nacionais e internacionais. A antecipação de um ano sobre cartelas de cores, estampas e temáticas tem um diferencial preciso para empreendedores: a análise traz uma interpretação das informações de forma a torna-las compatíveis com as demandas reais.

“Olhar para um todo é muito fácil, eu vou ver ali que apareceu muito blazer branco na temporada, mas o quanto  é comercial para o nosso mercado? como aplicar aqui? “, considera a analista Raquel Leão.

Essa interpretação de informações entrega aos empresários uma gama de possibilidades, podendo o empreendedor adequar sua identidade, é o que explica Raquel. “Ele vai poder aplicar de uma forma muito pessoal. A analise é ampla, cabe ao empresário ver o que está de acordo com seu perfil”.

Internacionalização

Com as bases do empreendedorismo em moda debatidos, o evento trouxe ainda algumas das possibilidades cujas as quais os empresários devem estar atentos. O gerente de negócios Felipe Souto conversou com micro e pequenos empresários sobre internacionalização de uma marca. Indo na contramão de uma lógica simplista, Felipe explica que não é necessário a marca ser consolidada no Brasil para ser internacionalizada. No eixo do processo, o gestor diz que é necessário a busca por conhecer o processo.

Felipe Souto – Gerente de Negócios Internacionais do Grupo RESTOQUE | Foto: divulgação

“Algumas marcas que são consolidadas no Brasil tem muita dificuldade de penetrar fora do País, porque são mais robustas e a área internacional acaba não sendo uma prioridade. Pelo contrário, quando eu falo de micro e pequenos empreendedores eles acabam se preparando mais, estudando mais o mercado”, considera Felipe.

Ainda segundo o gerente, existem vários caminhos que propiciam a internacionalização: abrir um escritório em outro país, estabelecer um representante e fazer exportação direta. Para Felipe Souto, o que conta nessa escolha é a busca por capacitação, em muitos casos oferecidas até mesmo gratuitamente por órgãos de fomento.

O gestor relembra que o começo de sua vida profissional foi marcada por capacitações junto ao Sebrae e elogia a ação da entidade: “Aqui pudemos desmistificar que exportação é pegar uma empresa grande e colocar ela lá fora”, acrescentando a informação de que empresários exportadores ganham incentivos fiscais, como ICMS, além de contarem com variações de moedas internacionais, como altas no dólar.

Derly Fialho, do Sebrae-GO: competitividade e desenvolvimento | Foto:  Edmar Wellington

“A segunda edição do Goiás Fashion Business (GFB) veio em boa hora para Goiás e os empresários do setor, pois o segmento tem investido na qualidade, produtividade e diversidade dos produtos, contribuindo com o desenvolvimento de Goiás”, avalia o diretor superintendente do Sebrae Goiás, Derly Fialho.

Segundo ele, o Sebrae atua para sempre oferecer o que há de melhor no mercado no tocante à capcitação para uma gestão cada vez mais profissional do empreendedor. “É missão da instituição promover a competitividade e o desenvolvimento dos pequenos negócios e estimular o empreendedorismo”, afirma.

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