Sebrae-GO promove ciclo de encontros para discutir florestas plantadas em Goiás

Reuniões visam disseminar as melhores práticas de gestão florestal

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Ao longo dos últimos anos, diversos estudos foram realizados a fim de diagnosticar a atuação de produtores rurais e em­presários que se dedicam ao plantio de florestas no Estado. A cadeia produtiva de cada uma delas, bem como as relações comerciais da ma­deira, tem ganhado cada vez mais espaço no mercado, seja para fins básicos como a produção de energia, sejam o abastecimento do sofisticado co­mércio da indústria moveleira.

Tendo em vista as constantes transformações desse comércio, especialmente os interesses dos produtores rurais em investir no segmento, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Goiás (Sebrae-GO) tem se dedicado a apoiar os atuais e futuros investidores do ramo. A ideia é que, juntamente com as diversas entidades, os produtores possam receber suporte técnico para que seus investimentos sejam planejados da melhor maneira possível.

Para identificar os principais desafios e oportunidades dessa cadeia, o Sebrae-GO, em parceria com diversas entidades, lançou o projeto Sustentabilidade Agroflorestal. Tendo em vista o futuro promissor das florestas do Estado, a entidade promoveu, em abril, um workshop para aproximar os produtores dos parceiros e da entidade.

Alex Malheiros | Foto: reprodução

Entre as empresas que apoiam a iniciativa, estão a Empresa Bra­sileira de Pesquisa Agrope­cuária (Em­brapa), Federação das In­dústrias do Estado de Goiás (Fieg), Federação da Agri­cul­tura e Pecuá­ria de Goiás (Faeg-Senar), Secre­taria de Estado de De­senvol­vimento Eco­nô­mico, Cien­tífico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED), Asso­ci­ação Comercial, In­dus­trial e de Ser­viços do Estado de Goiás (Acieg), Confederação da Agricu­ltura e Pecuária do Brasil (CNA) e a As­sociação dos Pro­du­to­res de Bor­ra­cha Natural dos Esta­dos de Goiás e Tocantins (Abro-GO/TO).

Para o diretor técnico do Sebrae-GO, Wanderson Portugal, a entidade e os parceiros estão unidos e focados no desenvolvimento do projeto. “As ações são contínuas e diversas, tais como encontros, palestras, workshops, visitas técnicas em áreas de plantio, publicações e capacitações sobre certificação da madeira.” Para ele, é notório que Goiás possui potencialidade “para incrementar o plantio de florestas de forma acompanhada e sustentável”.

Portugal reforça que o Sebrae-GO tem por missão promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios, além de fomentar o empreendedorismo. “Por meio de pesquisas e tecnologia, o produtor pode ter indicações sobre qual o melhor tipo de variação da madeira para investir e plantar. Desta forma, o Sebrae-GO e todas as instituições envolvidas têm empenhado esforços técnicos para o pleno atendimento, capacitação e consultoria aos interessados no tema.”

Por meio do apoio das entidades envolvidas nesse projeto e também dos dados até então levantados, os produtores de florestas poderão ter um melhor entendimento sobre os tipos de variação da matéria-prima que tem desempenhado um papel relevante para a economia goiana: a madeira.

Durante um dos encontros realizados pelo Sebrae-GO com empresários, empreendedores, produtores e demais interessados, a assessora executiva da Fieg, Rosemary Guadalup chegou a destacar o Estado do Mato Grosso do Sul como um Estado que tem vivenciado um forte crescimento no segmento. Segundo ela, houve, inclusive, o incremento do Produto Interno Bruto (PIB) da região, bem como o crescimento dos índices de geração de emprego e renda.

O público esperado para estes eventos é formado por técnicos, agentes de desenvolvimento, produtores rurais, produtores florestais, engenheiros agrônomos, empresários da indústria de móveis, designers, arquitetos, decoradores, viveiristas, profissionais, professores, estudantes, pesquisadores, dentre outros envolvidos com o setor rural.

Especialistas

“Estamos realizando diversas ações no sentido de disponibilizar informações e experiências práticas para que todos os interessados possam ter acesso a maiores informações e uma tomada de decisão consciente”, avalia a Analista do Sebrae-GO, Vera Lúcia Elias de Oliveira.

Para ela, o fato de fomentar esse mercado reflete também no estreitamento das relações entre produtores e demais membros que compõe a cadeia produtiva goiana. “Hoje, não basta ter uma floresta plantada, é necessário que haja conhecimento e integração aos centros de pesquisa. Também vale ressaltar a importância proximidade dos agentes provedores de políticas públicas, e outros grupos relevantes para o negócio.”

Vera Lúcia: “Plantar uma floresta é sinônimo de contribuir com o coletivo e fomentar a geração de riquezas para o Estado” | Foto: arquivo

A analista garante que as programações que compõe o ciclo de encontros do projeto abordam temas de interesse de produtores que já possuem florestas, além daqueles que possuem interesse em plantar ou conhecer melhor esse mercado, bem como as tendências, oportunidades e possibilidades que existem em nosso Estado.

O projeto foi elaborado tendo por objetivo abranger os mais diversos interesses que podem surgir dentro deste segmento. “Em parceria com a Embrapa, diagnosticamos que Goiás possui 187 mil hectares de floresta plantadas. Desse total, 159 mil são de eucalipto”, ressalta a analista. “Mas temos registrado também um número considerável de produtores de seringueira. Estamos nos movimentando para alcançar todos os elos dessa cadeia, inclusive, a indústria moveleira.”

A especialista lembra que “plantar uma floresta é sinônimo de contribuir com o coletivo e fomentar a geração de riquezas para o Estado”. Para ela, o conhecimento permite um manejo adequado da terra, a correta forma de irrigação, a utilização de produtos de maneira adequada, além de evitar a contaminação do meio ambiente. “Podemos destacar ainda que uma floresta plantada revigora as condições ambientais. Fazer isso de maneira adequada pode combater muitos malefícios.”

“É uma geração de conhecimento que não se restringe ao produtor, por isso estamos convidando também a academia, todos os profissionais envolvidos nas universidades, alunos, engenheiros florestais, maneiristas, empresas que trabalham com o tratamento de madeira e outros. É muito importante que todos absorvam esses conhecimentos. Estaremos tratando de um conjunto de ações que possuem relevância para o meio ambiente e que refletem na vida de todos”, sublinha.

Vera Lúcia explica que diferentemente das florestas que nascem naturalmente. A floresta plantada é cultivada com base na seleção de mudas feitas pelo produtor. O plantio dessas florestas requer um nível de conhecimento e planejamento para que o empreendimento tenha sucesso e não cause transtorno para ao investidor.” Ela esclarece também que a floresta planejada “não deixa de ser uma lavoura, mas diferente da produção de milho ou algodão, por exemplo, é um investimento a longo prazo.”

Por outro lado, o consultor e engenheiro florestal, João Afiune afirma que apenas os brasileiros consideram esse um investimento de longo prazo. “Para os empresários do exterior, trata-se de um prazo curtíssimo.” Ele justifica a afirmação dizendo que a média para se produzir uma árvore semelhante à brasileira pode levar até 30 anos em outros países. “As condições de clima e solo do Brasil são extremamente benéficas. Temos grandes diferenciais quando comparados a outros países.”

João Afiune: “As condições de clima e solo do Brasil são extremamente benéficas. Temos grandes diferenciais quando comparados a outros países” | Foto: divulgação

João, que foi convidado para ministrar palestras nos encontros promovidos pela entidade, disse que essas iniciativas podem tornar o Estado de Goiás mais atrativo para os grandes investimentos. “O nosso objetivo é alavancar esse setor no Estado. Para isso, divulgaremos as melhores práticas de gestão florestal, visando atingir os produtores rurais, viveiristas, acadêmicos, empreendedores, engenheiros, empresários e os demais interessados.”

Para que as práticas de plantio dos produtores sejam otimizadas, o engenheiro florestal ressalta que o objetivo é reduzir custos e desperdícios. “É fundamental caminhar na contramão disso, aumentando a produtividades dos produtores. A sustentabilidade está relacionada a produção de vários ciclos, estando, ao mesmo tempo, dentro das normas ambientais, gerando emprego e melhores condições econômicas para o Estado.”

Parceria de sucesso

O Sebrae-GO e a Embrapa uniram seus potenciais para identificar as atividades concentradas no Estado. A partir do diagnóstico feito por ambas, os produtores rurais poderão aprimorar seus investimentos ao conhecerem melhor as características de cada região.

O estudo também oferece informações que podem sanar as dúvidas daqueles que desejam ingressar nesse mercado e realizar investimentos em florestas plantadas. “A partir da nossa parceria com o Sebrae-GO, lançamos o livro ‘O Cenário do Setor de Florestas Plantadas no Estado de Goiás’, que foi publicado no final de 2017. Até então, o que existia eram apenas alguns dados ditos oficiais, mas percebemos que eles não estavam corretos”, explica a pesquisadora responsável pelo estudo, Cristiane Fioravante Reis.

Pesquisadora da Embrapa Florestas, Cristiane Fioravante: “Esse é um mercado certeiro pois há uma demanda ampla no Estado” | Foto: divulgação

Ela, que pertence a Embrapa Florestas, reforça que o material proporciona uma ampla contribuição para o conhecimento do setor florestal goiano. “Ele oferece maior embasamento para a formulação de políticas públicas e também para o planejamento de instituições privadas, produtores rurais e outros interessados.” A pesquisadora reforça que a partir desse entendimento os investidores saberão onde realizar seus plantios, bem como as finalidades de cada produto.

Cristiane Fioravante afirma que mais de 85% dos plantios goianos são de eucaliptos. “Desde que bem conduzidos e feitos com planejamentos, há lucratividade por parte desses produtores. Esse é um mercado certeiro pois há uma demanda ampla no Estado.” Em justificativa, a pesquisadora lembra que “Goiás consome dois terços da quantidade total de lenha da região Centro-Oeste do País.”

Encontros e Programação

Indústria moveleira – 20/11/18
O objetivo é o de apresentar a perspectiva do design inovativo para a competitividade da indústria de móveis goiana.
19h – Boas-vindas
19h30 – Apresentação dos resultados do diagnóstico no setor moveleiro goiano
20h30 – Apresentação da proposta do design inovativo para a competitividade da indústria de móveis goiana
22h – Encerramento

Oficina Avaliação de Impacto Socioambiental de Propriedades Rurais – 29/11/18 (a confirmar)
O Sistema Ambitec é um software utilizado pela Embrapa para avaliação de impacto de suas inovações tecnológicas antes de serem disponibilizadas para os produtores e vem ajudando na elaboração do Balanço Social da empresa. Trata-se de um programa que integra múltiplos indicadores ponderados pelo grau de importância e escala geográfica de atuação, oferecendo um resultado quantitativo que auxilia na correção dos pontos fracos identificados.
8h – Introdução
9h – Apresentação do Ambitec (Agro, Pecuária, Agroindústria)
10h – Intervalo
10h15 – Exercício Prático
12h – Encerramento
O instrutor desta capacitação será o professor Dr. Cláudio C. A. Buschinelli, da Embrapa de Curitiba/PR – pesquisador, doutor em Geografia – SIG e Cartografia Temática da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna/SP).

Seminário: Mercado Florestal Goiano – Desafios e Oportunidades para os Profissionais – 29/11/18
O objetivo deste encontro será o de discutir os desafios, oportunidades do mercado florestal, a conexão e a relevância dos profissionais na implementação sustentável de florestas plantadas.
18h – Abertura Sebrae e Crea
18h30min – Conhecendo o mercado florestal goiano – Cristiane Reis e José Mauro – Embrapa
19h30min – Competências do profissional florestal – João Afiune
20h30min – Cases – Diferenciais para conectar com o mercado
21h30min – Bate bola
22h – Encerramento

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